ENTREVISTA. LUCIANO CAVALCANTE FILHO 17/06/2015

Luciano Cavalcante Filho: hoje, não tem crise

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Nathália Bernardo nathaliab@opovo.com.br
CAMILA DE ALMEIDA
Luciano Cavalcante Filho está no mercado desde 1979
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Quem fala em crise no setor imobiliário hoje não deve lembrar-se dos anos de 1980. Foi quando o Banco Nacional da Habitação (BNH), que concentrava o financiamento de imóveis no País, fechou as portas. O ambiente econômico era incerto, sem a devida regulamentação, o que afastava os bancos privados do setor. Assim, acabou-se o crédito.

 

Luciano Cavalcante Filho tem esse período bem vivo na memória. Foi um marco no início de sua atuação profissional, determinante em sua entrada no segmento de alto padrão, menos dependente de financiamento. Aproveitou mudança na legislação municipal, que aumentou o gabarito máximo dos prédios de até quatro para 24 andares, para construir na Beira Mar. “Realmente, lá era crise. Hoje, não é. Tivemos que inovar”. Comprou terrenos, encomendou projetos, construiu e comercializou. Atuava em todas as etapas, como ainda hoje. Também se mantém com mesmo público, a alta renda.


Para isso, precisou se adaptar. Imóveis de luxo exigem inovação. Ele cita projetos recentes com orgulho. O LC Corporate Green Tower (na av. Barão de Studart), que recebeu o Prêmio Master Imobiliário. Também uma cidade planejada no Pecém, que leva assinatura de Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, cuja expectativa de lançamento da primeira etapa é para agosto. Serão 800 lotes e Valor Global de Venda (VGV) de R$ 500 milhões. Ao todo, serão 5 mil lotes.


Em seu escritório na avenida Beira Mar, exibiu plantas e fotos de suas obras. Algumas estão nas paredes, dividindo espaço com diversas telas. A decoração é rústica, própria para o casarão antigo. Ouvindo jazz, Luciano conta que decidiu mudar seu lugar de trabalho há cerca de dez anos, depois de ter um infarto. A sede da empresa manteve-se na Aldeota. Mas ele precisava de tranquilidade.


O POVO - Fala-se muito em crise hoje. Mas o senhor tem mais de 30 anos no mercado. Já passou por momentos piores. O que o senhor aprendeu com isso?

Luciano - Eu comecei na crise. As pessoas falam muito em crise hoje, mas não tem nada daquilo de quando eu comecei, em 1979. A crise aconteceu mesmo em 1982, quando o Banco Nacional de Habitação (BNH) parou de financiar, sendo extinto em 1987. Aí foi crise mesmo. As pessoas ficaram sem capital de giro. Os bancos privados não financiavam porque não tinha a garantia de hoje. O mercado não estava regulamentado e, se o consumidor não pagasse, você não poderia tomar o imóvel porque era o único bem da família. Parou tudo. Eu fazia engenharia civil na Universidade Federal do Ceará (UFC) e poucos colegas foram para o mercado. Eles fizeram concurso.

OP - Como o senhor conseguiu se manter no mercado naquele momento?

Luciano - Realmente, lá era crise. Hoje, não é crise. Naquela época tivemos que inovar. Começamos a fazer prédios na avenida Beira Mar. A legislação tinha mudado em 1979, permitindo construir prédios de até 24 andares lá. Antes só podia três, quatro andares. Começamos a comprar terrenos e fazer prédios de alto luxo. Aqui na Beira Mar, 70% dos prédios fomos nós que fizemos. Inclusive, a Praia de Iracema mudou com esses projetos. Nessa época, era o mercado que tínhamos. Alto luxo não tem crise. É como hoje, em que um prédio de luxo se vende em uma semana.

OP – Qual a principal diferença para o momento atual?

Luciano - Hoje, temos os bancos que financiam. A Caixa mudou as regras, mas continua a financiar. Tem também os bancos privados. O problema é que as taxas de juros estão muito altas. Todo cliente precisa de crédito, mas essas taxas complicam. Então tem cliente que faz as contas, desiste e compra à vista.

OP – Com a facilidade de acesso às novas tecnologias, está mais difícil se diferenciar para entregar um produto de alto padrão?

Luciano – Fortaleza sempre teve uma arquitetura belíssima. Os arquitetos são fantásticos. E, cada vez mais, teremos tecnologias em Fortaleza. Mas a nossa construção, no Brasil, ainda não é avançada. Por exemplo, usamos ferro e concreto. Nos Estados Unidos, é aço. Na China, em um mês, se faz um prédio. Você passa mais tempo planejando que executando. Agora, o que está crescendo são tecnologias verdes. Invisto porque, sem isso, o prédio nasce ultrapassado.

OP – O senhor tem uma parceria com a Coelho da Fonseca, imobiliária paulista especializada em alto padrão. O projeto do Pecém tem assinatura do Jaime Lerner, que é referência em urbanismo. O quanto essas marcas são responsáveis pelo sucesso de um empreendimento?

Luciano – É um diferencial. Não é só grife. Por exemplo, eu fiz o primeiro Alphaville no Porto das Dunas. E ele tem esse nome porque é uma maneira de trabalhar, que leva qualidade. O Álvaro (Coelho da Fonseca) é parecido comigo, que gosta de qualidade nos mínimos detalhes. O Jaime Lerner foi eleito três vezes prefeito de Curitiba e foi governador. Ele é um cara que entende de urbanismo. Trabalhamos com coisas boas.

OP – Luciano Cavalcante é uma grife?

Luciano - Não chamo de grife, mas a gente fez um trabalho que as pessoas respeitam. A gente passa segurança em termos de seriedade, de coisa bem feita. Até hoje, não deixei nada pela metade. Isso é responsabilidade. E também só vendo o que acredito, confio.

OP – Como o senhor vê o mercado de Fortaleza?

Luciano - O cearense tira leite de pedra, é um desbravador. Temos uma tecnologia boa, nosso acabamento é melhor que o de São Paulo. Quando as grandes construtoras vieram para cá, tiveram que voltar. Porque o cearense é criativo e o custo delas era muito alto para competir. Não temos construtoras daqui no Sudeste por causa de custos administrativos. A margem é pequena. E qualquer crise pode quebrar você.

OP – O senhor pensa em entrar em outros estados?

Luciano – Não. Tive um susto com 44 anos, um infarto. Não quero mais susto.

 

PERFIL


Luciano Cavalcante Filho tem 54 anos. Empresário, é presidente da Luciano Cavalcante Imóveis e da LC Incorporações e Participações. Engenheiro, formou-se em 1982 pela Universidade Federal do Ceará (UFC). No mercado desde 1979, atua no segmento de alto padrão.

 

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