ENTREVISTA. ANDRÉ MONTENEGRO 10/06/2015

A construção do CE vai crescer entre 2% e 2,5%, diz André Montenegro

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Nathália Bernardo nathaliab@opovo.com.br
André Montenegro assumiu a presidência do Sinduscon-CE em janeiro de 2014
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Quando André Montenegro assumiu a presidência do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), a entidade tinha 596 associados. Hoje, quase um ano e meio depois, são 710. O mercado aquecido favoreceu. Aproveitando o cenário positivo, novas frentes de trabalho foram abertas. Ele enumera algumas: acompanhamento do trabalho de órgão, que se relacionam com a construção, monitoramento de canteiro e análise da situação jurídica das obras.


Mas o cenário econômico nacional mudou rápido e drasticamente. Economia caminhando para retração, restrições ao crédito e juros em alta. O Ceará sente o impacto, mas a situação aqui é mais confortável. A expectativa é de crescimento do setor neste ano, de 2% a 2,5%, em termos de Valor Global de Vendas (VGV). “Algumas construtoras já tinham lançado muito em 2013, 2014. Agora, estão se preocupando em construir e segurando um pouco o orçamento para ver o que vai acontecer”, explica.


O trabalho do Sinduscon, como diz André, ajuda a minimizar os efeitos de uma economia fraca. Com o monitoramento de canteiros de obras, por exemplo, é possível orientar os construtores. “Acabou o achismo”. Para quem quer saber de preço, ele diz que não cairão. “Tudo ficou mais caro. Os custos aumentarão. Não tem porque cair”.


Esse, aliás, é o próximo desafio, segundo André. Investir em técnicas construtivas para enxugar custos. Com esse objetivo, deu início a Previltech, fábrica de portas, ambientes habitáveis e outros itens para construção em PVC, mais barato e resistente que a madeira. Mais uma atividade na agenda de alguém que diz ser apaixonado por trabalho. E quem confirma é a mãe, Dona Marisa. “Trabalha demais!”. Ela acompanhou esta entrevista, concedida na sede da Morefácil - construtora de André - na última sexta-feira.


O POVO - A economia nacional passa por ajustes. Mas, as medidas federais costumam chegar ao Ceará de maneira diferente – para o bem e para o mal. Como o Ceará enfrenta o cenário atual?

André Montenegro - O Brasil todo está sofrendo com essas medidas tomadas pelo Governo. Aumento de juros, restrição ao crédito. Tem menos dinheiro circulando. Mas o Ceará está um pouco diferente. Aqui, não tivemos uma super oferta de imóveis como em outras praças. A gente está mais equilibrado. Mas o mercado daqui também passou por ajuste. Mas nada que não possa se recuperar rapidamente.

OP - Há segmentos da construção que se sobressaem?

André – Sim. Imóveis para a baixa renda, que têm recursos do FGTS. Eram de imóveis de até R$ 170 mil em Fortaleza e R$ 145 mil na Região Metropolitana. Esses imóveis não têm restrição ao crédito porque o FGTS financia e com juros baixos. Agora, o Governo aumentou o limite para R$ 300 mil. Outra medida que vai aliviar é a redução da compulsória dos bancos, que deve injetar R$ 22,5 bilhões. Não compensa, mas minimiza.

OP – Alguns analistas entendem que esses ajustes provocarão recessão, mas são necessários. O senhor concorda?

André - Eu sou totalmente contra esse tipo de ajuste, que mexe com o setor produtivo. Está mexendo com quem produz, com quem gera emprego. O que o Governo deveria ter feito era cortar custeio. Quando a gente está com dificuldade em casa, a gente corta despesas, mas não deixa de trabalhar. Eu não sei até que ponto essas medidas são eficazes. Mas, em todas as vezes, quem se sacrifica é o setor produtivo. Isso gera desemprego. A construção já demitiu 8 mil pessoas e deve chegar a 20 mil no fim do ano.

OP – Isso também tem impactado o Minha Casa, Minha Vida?

André – Sim, os repasses vêm tendo atrasos sistematicamente. O Minha Casa Minha Vida são obras de baixa lucratividade. Quando o Governo atrasa pagamento, você tem que aumentar o prazo da obra. Quando você faz isso, os custos administrtivos disparam. Está todo mundo diminuindo sua margem e já tem construtora no prejuízo. No Ceará, são 35 mil unidades do programa. A Morefácil tem 2 mil. Mas não tenho só Minha Casa, Minha Vida, tenho incorporações. Somando com o programa, são 2.640 unidades.

OP - Como estão os preços dos imóveis. Há expectativa de que caiam?

André - As pessoas acham que o preço vai diminuir, mas não vai, porque os custos aumentaram: terreno, mão de obra... O que existem são promoções pontuais, mas isso não é o mercado todo. Nosso estoque é muito baixo no Ceará, para oito meses, um ano. Tem cidade no País com três, quatro anos. Ou seja, se o cara parar de construir hoje, vai demorar quatro anos para acabar o estoque.

 

OP – A situação é a mesma para todos os perfis de imóveis?

André – Esses imóveis mais caros, para a classe alta, acima de R$ 800 mil, sempre terão mercado. Porque é uma faixa que não precisa de financiamento. Já a baixa renda está assistida pelos programas do Governo. Então, quem sofre é a classe média, que compra aquele imóvel entre R$ 300 mil e R$ 800 mil. O mesmo vale para imóveis comerciais, mas se a localização for boa, a venda é certa.

OP - A expectativa para a construção no Ceará neste ano é de crescimento?

André - O setor não vai se retrair, vai crescer inclusive. Mas, menos que no ano passado. Algumas construtoras já tinham lançado muito em 2013, 2014. Agora, estão se preocupando em construir e segurando um pouco o orçamento para ver o que vai acontecer. Acho que crescerá uns 2%, 2,5%.

OP – Quando o senhor assumiu o Sinduscon, os desafios do setor eram completamente opostos aos atuais. Tinha crédito, vendas em alta acelerada, mas tinha dificuldade em conseguir alvarás e mão de obra. Quais os próximos desafios?

André - Os alvarás vêm deixando de ser um problema. Temos mão de obra disponível, mas pouco qualificada. Eu diria que o próximo movimento, é o de as empresas investirem em engenharia, métodos construtivos e diminuirem custos. São materiais novos, novas tecnologias, redução de desperdício. Você tem que focar nisso para ter um retorno melhor. Você não está conseguindo mais ter um upgrade de valor. Então você tem que reduzir custos. Essa já é uma preocupação de muitas empresas. Mas não tem outra solução. Você dá aumento salarial, os insumos ficam mais caros. Você precisa baixar custo.

OP – A propósito, como estão as negociações com os trabalhadores da construção?

André – Estamos propondo 7,68%. Eles querem 14%. Em todos os outros anos, como o mercado estava crescendo, nós reajustamos acima da inflação, mas esse ano não tem a menor condição. Mas uma coisa que é importante destacar é que manifestações e greves são legítimas. Mas, violência não. Nós estamos trabalhando com o Governo do Estado para acabar com essa violência. Vamos exigir segurança. Qualquer dia, vai haver morte numa manifestação. Porque são violentas. Eles jogam pedra, batem com pau nas pessoas, roubam. E quem faz isso não são os trabalhadores, é gente infiltrada. Estamos identificando essas pessoas, filmando e elas receberão o rigor da lei.

OP – Como está o Sinduscon nesse um ano e meio?

André – O Sindicato cresceu muito. Temos 710 associados. Quando assumi, eram 596. Como o mercado estava muito aquecido, abrimos várias frentes. Hoje, acompanhamos todos os órgãos que se relacionam com a Construção Civil – como Coelce, Seuma, Secretaria da Fazenda, Governo Federal. Estamos em diversas comissões em Brasília. Temos o programa Incorporar, que concede o selo Juridicamente Perfeito. Temos o prêmio da Construção. Também monitoramos cerca 280 canteiros em Fortaleza e Região Metropolitana. Isso profissionaliza o mercado. Não tem mais achismo. Eu sei em tempo real o que está sendo vendido, a velocidade de vendas, que tipo de imóvel deve ser construído e onde. Algumas ações que começaram aqui estão sendo levadas para outros estados.

 

PERFIL


ANDRÉ MONTENEGRO assumiu a presidência do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) em janeiro de 2014. Antes, era vice-presidente de Mercado Imobiliário na entidade. Com 54 anos, é engenheiro civil e administrador por formação. Empresário há 30 anos, começou trabalhando com cálculo estrutural. Hoje, é construtor, dono da Morefácil, que está no mercado há 16 anos. Há dois meses, também fabrica portas de PVC. Planeja produzir outros itens para construção, substituindo a madeira.

 

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