ENTREVISTA. GUSTAVO DUBEUX 27/05/2015

Aposta no Nordeste

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Nathália Bernardo nathaliab@opovo.com.br
CAMILA DE ALMEIDA
Gustavo Dubeux, sócio diretor da Moura Dubeux, diz que os bancos estão sendo cautelosos, mas que continuam a financiar
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Gustavo Dubeux, sócio diretor da Moura Dubeux, não vê cenário tenebroso. No máximo, de cautela. Mas que também apresenta oportunidades. Com meta de crescer 15% neste ano, a empresa planeja expansão. Quer chegar a João Pessoa em 2016. Com atuação em Recife, Fortaleza, Salvador, Maceió e Natal, ele frisa que a construtora não é pernambucana. É nordestina. “Aqui, em Fortaleza, nos consideramos locais”. E o otimismo vem justamente daí. “Acreditamos na região”. Gustavo falou ao O POVO na última quarta-feira, durante apresentação de balanço do Evolution Central Park, empreendimento com 18 torres e R$ 1 bilhão em Valor Global de Vendas (VGV) no Papicu, ao lado do Riomar. Com média de 80% de comercialização, o projeto é em parceria com a Otoch Empreendimentos.


O POVO - Vocês estão fazendo um grande investimento em Fortaleza, aqui no Evolution Central Park, nesse momento em que o mercado está retraído. O cenário é bom? O que leva a Moura Dubeux a apostar?

Gustavo Dubeux - Primeiro porque temos conversado com os bancos e vemos que as coisas continuam a acontecer. Agora, é evidente que os bancos e nós estamos sendo cautelosos. Só estamos lançando aqueles empreendimentos sobre os quais nós temos certeza de que haverá adesão do mercado. Este aqui é um deles. Os bancos vão continuar a financiar, evidentemente, em uma escala menor porque eles estão sendo seletivos. E o Evolution Central Park é um dos primeiros nessa relação com as instituições financeiras. Já atingimos 60% do projeto. São nove lotes, com uma média de duas torres em cada. Dentro do nosso plano, lançaremos mais duas torres no segundo semestre. As demais devem ficar para o próximo ano a depender da demanda. Mas nós estamos bastante otimistas. Tem prédio que está com 100% vendido, mas a média é de 80%. É um percentual muito alto, acima das nossas previsões. Isso justifica nosso otimismo.

OP - O mesmo acontece no empreendimento que fica ao lado do Riomar Presidente Kennedy?

Gustavo - Também fomos muito felizes naquele empreendimento, o Boulevard (Shopping Residence). Lá tem um conceito parecido com o Evolution. São cinco torres e, no próximo mês, lançaremos a terceira. A média de renda foi acima do que a região apresenta. Isso mostra a capacidade da Cidade. A gente vê que o mercado de Fortaleza é muito forte. Hoje, o cliente é exigente. Ele quer comprar coisa boa e ter qualidade de vida. Esses projetos foram criações de destinos. É assim que a empresa trabalha, com grandes áreas, trazendo âncoras, investindo em mobilidade.

OP – Em parte, vocês assumem um papel que muitos empresários diriam ser do poder público. Investir em mobilidade, no entorno. Isso é contrapartida. Mas, além das obrigações, isso é uma maneira de agregar valor ao empreendimento?

Gustavo – Primeiro é uma conscientização. A empresa tem que colaborar com o poder público, com a cidade. Tudo o que você está vendo no entorno não existiria se não fosse o Riomar, a Moura Dubeux e a Otoch Empreendimentos. Fizemos essas intervenções. E elas criam valor para o empreendimento. Aliás, em Fortaleza, a Prefeitura é uma parceira, sempre participando de tudo. A secretária (Águeda Muniz, da Seuma) é muito atuante. É evidente que a burocracia existe, mas nós estamos sentido uma melhora.

 

OP – Falando na relação com o poder público, em Pernambuco, vocês enfrentam problema na área do Cais José Estelita, no projeto Novo Recife. Houve reação social forte contra a construção. Quais as perspectivas para o empreendimento?

Gustavo – Estelita era o caso de um terreno como esse (do Evolution). Um espaço urbano sem uso. Estamos deixando que as coisas aconteçam. Fizemos redesenho. A Prefeitura, que ouviu sete entidades, propôs alterações. O consórcio (formado por Moura Dubeux, Ara Empreendimentos, GL Empreendimentos e Queiroz Galvão) está atendendo. Seguimos o ritmo para apresentar novos projetos para que todos fiquem satisfeitos.


OP – A reação pública foi muito forte. Consenso é difícil. Isso prejudica a imagem da empresa?

Gustavo - É importante atender a grande maioria. Você cria certa antipatia com uma minoria. Mas, depois que a população olhar o projeto, vai ficar satisfeita e agradecida. Antes do redesenho, 80% já eram a favor do projeto. Esse índice vai aumentar. Foi criada muita coisa. Além de contrapartida de investimento, um valor bem acima da média, a cidade vai ganhar muito com o projeto. É um conceito diferente, de não ter muro, de misturar comércio com residência. Será um marco para a Cidade. Assim como o Evolution será um marco para Fortaleza.

OP – Vocês são a única construtora do Nordeste entre as maiores do País no ranking O Empreiteiro. É difícil crescer na região?

Gustavo - É uma questão de filosofia da nossa empresa. A gente acha que o Nordeste é a nossa região. Acreditamos muito no Nordeste. Atuamos nas três principais capitais, onde o mercado é muito forte: Fortaleza, Recife e Salvador. Além das duas capitais que ficam no meio: Maceió e Natal. Em questão de otimismo, o Nordeste é melhor. O Nordeste cresce mais que o País, então você tem mais espaço. Principalmente porque somos do Nordeste.

OP – Nesta incerteza no cenário econômico nacional, estar no Nordeste é vantagem?

Gustavo – Sim, é um ano difícil. Você tem que ser cirúrgico na escolha de seus empreendimentos. Mas também é um ano de muitas oportunidades, que requer mais atenção e você vai tirar proveito disso. Nós apostamos no Nordeste. Somos o mesmo povo. Temos o mesmo sotaque, o mesmo clima, gostamos da mesma coisa.

OP – Essas características que o senhor diz serem próprias do nordestino influenciam na elaboração de projetos?

Gustavo – Claro. Todo nordestino gosta de varanda, de quantidade grande de vagas na garagem, de apartamento virado pro nascente. É diferente do Sudeste, por exemplo, onde ser nascente ou poente não influencia. A cultura é diferente.

OP – Vocês chegaram a Fortaleza em 2008. A expansão teve a ver com esgotamento do mercado pernambucano?

Gustavo – É uma questão de mitigação de risco. É melhor você ter participação em três grandes capitais – fora as outras duas – do que você se concentrar em uma. Trabalhamos nessas cinco capitais e pretendemos entrar em João Pessoa. Em 2016, provavelmente, teremos o primeiro lançamento lá.

OP – O senhor fala em unidade, mas são mercados muito diferentes. Inclusive em termos de tamanho. Natal, Maceió e João Pessoa são menores.

Gustavo - É um mercado menor, mas existe negócio. Você precisa fazer a conta. Nas três capitais, não tenha dúvidas de que vale a pena. Enquanto as outras contribuírem para os resultados da empresa, vamos continuar. A própria João pessoa vai agregar. É uma cidade que cresce.

OP - O setor, no Ceará, tem discurso de união. Eles dizem que foi assim que se protegeram da concorrência de fora. Como é a relação de vocês com esses concorrentes nacionais, ou mesmo com a local nas praças em que vocês entram?

Gustavo – Aqui, nos consideramos locais. Tivemos a entrada de várias empresas do Sul no Nordeste. Mas elas estão saindo. Fortaleza e Recife têm poucas de fora. Em Salvador, ainda existem algumas. Mas a tendência é que saiam. Para chegar aqui, é preciso conhecimento local. A distância também cria dificuldade gerencial.

OP – Qual a meta de vocês para este ano?

Gustavo - Esperamos ter crescimento de 15% com relação a 2014. Evidentemente, é um ano difícil. Mas a pessoa tem que ser otimista. E nós acreditamos muito na região.

 

PORTA-RETRATO


ESPORTE

A paixão de Gustavo Dubeux é esporte. Ex-presidente do Sport, de Pernambuco, ele é membro do conselho deliberativo do clube. “Torço por todos os times do Nordeste”. Mas ele também pratica. E não só futebol. E cita esqui aquático e tênis. “Gosto de todos os esportes. É meu hobby, minha paixão”.

 

Íntegra

Veja a entrevista completa em http://bit.ly/1SzlKy2

 

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