TENDÊNCIA. ALUGUEL 13/05/2015

Consumidor adia sonho da casa própria e fica no aluguel

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Viviane Sobral vivianesobral@opovo.com.br
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"Deve ocorrer uma agilizada nas procuras das locações, a médio e longo prazo", diz Lídia Hiluy Vieira, diretora comercial da SJ Imóveis
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As mudanças de regras da Caixa Econômica Federal para compra de imóveis usados estão valendo desde o último dia 4. Como consequência, o comprador que estava se planejando para realizar a compra do imóvel pode ter que adiar o sonho e recorrer ou continuar no aluguel.

Para o consultor financeiro e vice-presidente da Federação Brasileira de Executivos de Finanças (Ibef), Luís Eduardo Barros, uma possibilidade no mercado, com as novas formas de financiamento da Caixa, é o preço dos imóveis diminuir e do aluguel aumentar. “Mas não é uma tendência. Até o meio do ano, pelo menos, o cenário na economia é muito volátil”, pondera.


Para o economista, o importante é que as negociações, para compra ou aluguel, sejam mantidas. “Sempre que há dificuldade para comprar, passam a alugar. Para a economia como um todo é muito bom. O grande momento é de tomar consciência que temos uma indústria produzindo habitações e uma população que demanda. Quando o financiamento não faz essa conexão, o aluguel faz”.


A diretora comercial da SJ Imóveis, Lídia Hiluy Vieira, avalia que ainda não é possível afirmar que os preços dos alugueis vão subir. “Deve ocorrer uma agilizada nas procuras das locações, a médio e longo prazo, não tão imediato porque vai demorar para sentirmos a repercussão, mas não podemos dizer se vai acelerar e aumentar valores”, estima.


Ela afirma que, desde o fim do ano passado, a economia do País tem feito com que as pessoas estejam mais cautelosas a quanto querem - e podem - pagar pela locação, considerando a soma entre o que vai disponibilizar para aluguel, condomínio e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).


O presidente da Administradores de Imóveis do Ceará (Aadic), Germano Belchior, também diretor superintendente da Alessandro Belchior, reforça a possibilidade de os clientes adiarem a compra e, havendo a necessidade, migrar para a locação ou permanecer nela.


“Nos últimos cinco anos, com mercado aquecido, vendas e empregos em alta, bancos financiando bem, mesmo assim o mercado de pessoas que moram de aluguel cresceu mais que o mercado de pessoas com imóvel próprio”, reforça. Sobre o cenário atual, ele acredita não ser momento para fazer projeções, mas diz que a tendência é manter o mercado de locação mais ocupado.


Os especialistas informam que os bairros mais procurados para locação continuam sendo Meireles, Aldeota, Cocó, Papicu, Bairro de Fátima, com crescimento também para Guararapes e Luciano Cavalcante. Eles não estimaram a média dos preços praticados por considerar que as variáveis comprometem o cálculo, como localização, tamanho, características e estado do imóvel.


O vice-presidente do Ibef orienta que, com as mudanças na Caixa, quem não pode dar entrada no imóvel deve consultar opções de menor valor. “A compra de um apartamento é o grande negócio na vida. Se não pode dar entrada, compre um mais compatível com a renda”, avalia.

 

FIQUE ATENTO!


UNIDADES FINANCIADAS NO PAÍS COM A POUPANÇA

2010 - 421.386

2014 - 538.347

 

MORAM DE ALUGUEL

2010 - 14%

2014 - 18%

 

DÉFICIT HABITACIONAL

Brasil - 5.792.508 (2014)

Nordeste - 1.791.437 unidades (30,9% do total)


SAIBA MAIS

 

O LIMITE DE FINANCIAMENTO NAS operações com recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) passará de 80% para 50% do valor do imóvel em operações do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e de 70% para 40% no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC)

 

COM AS MUDANÇAS, quem comprar imóvel usado pelo SFH, que dava entrada mínima de 20%, terá de dar, pelo menos, 50% e financiar a outra metade. No caso do SFI, o comprador, que podia dar uma entrada mínima de 30%, terá de pagar pelo menos 60% do valor do imóvel, financiando com a Caixa no máximo 40%

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