ENTREVISTA. EMANUEL CAPISTRANO 01/04/2015

Os caminhos na história da cidade

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Beatriz Cavalcante beatrizsantos@opovo.com.br
EDIMAR SOARES
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São 47 anos atuando no mercado imobiliário de Fortaleza. Nesse longo período, a Construtora e Incorporadora Mota Machado passou por vários cenários da construção civil na Cidade. Quem nos conta essa história é o diretor operacional da Mota Machado, Emanuel Capistrano, que entrou na construtora em 1975, ainda estagiário, como estudante de engenharia civil da Universidade Federal do Ceará (UFC) e foi galgando cargos até chegar à frente da empresa. “De lá para cá vivenciamos altos e baixos da construção civil”, complementa.

 

O POVO - Como era a Mota Machado quando o senhor entrou como estagiário?

Emanuel Capistrano - Ela incorporava, mas também participava de licitações. Construí o Banco do Brasil de Pentecostes, depois, em Aracaju, construí uma biblioteca da Universidade Federal de Sergipe. Em 1981 eu estava de volta na matriz, aqui em Fortaleza. Nessa época, nos anos 1980, foi quando começou a verticalizar na Capital. Começamos a desenvolver projetos residenciais verticalizados e nos isolamos das obras públicas.

OP – O público-alvo sempre foi de médio e alto padrão?

Emanuel - Não. Nessa época, fazíamos obras populares. Fizemos parte da quarta etapa do Conjunto Ceará, fizemos obras do Prohab, que eram obras populares que se assemelham hoje ao programa Minha Casa, Minha vida. Logo depois que a gente focou na incorporação de médio e alto padrão.

OP – Trabalhavam com financiamentos?

Emanuel - Sim. Com financiamento da produção com a Caixa Econômica Federal. Eu me lembro que a Mota Machado teve o maior volume de financiamento para a Caixa Econômica. A maior obra daqui do Ceará, na época, foi da Mota Machado, que foi no Palácio do Planalto, no início dos anos 80. Quatro torres na Santos Dumont. Fizemos várias outras obras com a Caixa Econômica. Tínhamos o BNH (Banco Nacional de Habitação), mas faliu e a Caixa assumiu. Então, participei desses momentos de altos e baixos da construção civil.

OP – Como o senhor avalia esses altos e baixos da construção civil?

Emanuel - Na época tínhamos o BNH, que era a entidade máxima da construção civil, que financiavam obras de todas as empresas. Com a falência do BNH, a Caixa Econômica entrou e assumiu toda essa parte. Depois os financiamentos ficaram mais difíceis e os bancos privados não tinham entrado com força no mercado imobiliário. Então, no início dos anos 1990, surgiram as obras autofinanciáveis e passamos uma temporada sem ter um banco por traz das nossas obras. Acabamos nos tornando um banco. A gente captava dinheiro do cliente e financiava as obras com esse dinheiro e com o capital de giro que a construtora tinha. Perduramos assim até o inicio dos anos 2000.

OP – Depois veio o boom imobiliário...

Emanuel - Em 2007, quando estabilizou a economia, que teve aquela baixa da inflação, e os bancos privados entraram no financiamento da produção das obras. Depois veio a retração e problemas no mercado exterior, o que acabou afetando aqui. Mas com a entrada dos bancos privados, a construtora passou a deixar de financiar os imóveis dos clientes. Hoje, durante a obra, temos os bancos privados e trabalhamos praticamente com todo o mercado financeiro. E com essa abertura e a entrada forte dos bancos privados, a gente começou a aumentar muito nosso volume de lançamento, por volta de 2007.

OP - Vocês lançavam quanto naquela época e agora?

Emanuel - Lançávamos muito pouco: R$ 15 milhões, R$ 20 milhões. Hoje lançamos na faixa de R$ 300 milhões, R$ 400 milhões por ano.

OP - Quanto é o Valor Geral de Vendas (VGV) para 2015?

Emanuel - Lançamos próximo de R$ 500 milhões e fizemos vendas, que podemos dizer que foram até o maior volume de vendas já registrado na construtora. Apesar de ter sido um ano complicado, por conta de Copa do Mundo, manifestações e greves, foi um ano bastante bom.

OP - Quantos canteiros de obras a Mota Machado tem?

Emanuel - Atuamos em Fortaleza há 47 anos, Sao Luís (MA) há 39 anos e fomos recentemente, há três anos, para Teresina (PI). Temos em torno de 20 canteiros nas três praças. São 14 em Fortaleza.

OP - Qual a média de preço dos empreendimentos da Mota Machado?

Emanuel - Trabalhamos nessa faixa de médio e alto padrão de 50 m² até 500 m². O preço médio gira em torno de R$ 7,5 mil a R$ 8 mil o m² e na parte mais nobre chega a R$ 9 mil, R$ 10 mil o m².

OP - O fato de vocês atuarem em mais de um mercado ajuda a não sentir tanto a pressão econômica?

Emanuel - Imóvel é um bem que você adquire no longo prazo, então qualquer movimentozinho que tenha na nossa economia repercute em todas as cidades. Fortaleza tem uma característica um pouco diferente das outras porque é um mercado já muito consolidado e não é um superofertado.

OP - As construtoras modificam muito o cenário da cidade. Como pensam nisso antes de construir?

Emanuel - A gente tem se preocupado muito com isso. A própria arquitetura nossa, não só da Mota Machado, mas eu diria que do Ceará, é uma arquitetura que se destaca das outras grandes capitais. Você vê que o nosso código de postura também dá muito destaque para o recuo dos prédios, taxa de ocupação e o gabarito dos prédios de no máximo 72m.

OP - E como pensam nos transtornos que uma obra traz para seu entorno?

Emanuel - A construção civil acaba interferindo muito na vida das pessoas, então, a gente tem que se preocupar muito com isso e evitar ao máximo colocar contêiner na rua. A gente faz o máximo para os caminhões ficarem dentro da obra para evitar transtorno para a comunidade. Mas a gente sabe que a construção civil ela acaba agredindo um pouco da natureza, mas também um pouco de quem está vivendo em torno daquele empreendimento. Também protegemos nossas obras com tela. Trabalhamos com todos os donos de imóveis contidos ao empreendimento e até um quarteirão depois. Em torno de 100m.

OP - O que fazem com resíduos? Alugam terreno perto da obra?

Emanuel - Quando o terreno é muito apertado alugamos um terreno perto para atrapalhar o mínimo possível de trânsito. A gente sabe que construir uma obra é, sem dúvida, um transtorno para a vizinhança.


Perfil


ENGENHEIRO CIVIL formado pela UFC em 1977, Emanuel Capistrano entrou na Mota Machado em 1975, quando estava no 3º ano de curso. Formado, assumiu a sala técnica da empresa. Depois gerenciou a sala técnica. Foi para a diretoria técnica depois da saída do presidente da Mota Machaco, Assis Machado, para a politica.

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