ENTREVISTA. OTACÍLIO VALENTE 25/03/2015

Modelo de construção enxuta

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Viviane Sobral vivianesobral@opovo.com.br
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Beatriz Cavalcante beatrizsantos@opovo.com.br
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Para os pais, Otacílio Valente era para ter se formado em Medicina ou Direito. Porém, seguiu o ramo da construção civil e atua na Presidência da Construtora Colmeia. Descreve-se como ambicioso, mas, ao mesmo tempo, diz ter os pés no chão. Por isso, prospecta crescer 5% ao ano, além de manter o que já construiu na empresa, que completa 35 anos em setembro.

 

O POVO - A Colmeia sempre mirou na classe A e B?

Otacílio Valente - A gente sempre procurou trabalhar com materiais mais nobres, procurou ter um processo construtivo com mais engenharia, com mais inovação. Em Natal (RN) somos reconhecidos como destinados ao público de classe A, em Campinas (SP) do mesmo jeito. Nosso empreendimento de Manaus (AM) foi onde foi filmada a novela Amazonas. Se a gente fosse entrar no mercado de baixa renda, a gente nem entraria com o nome Colmeia para não confundir.

OP – Como é o mercado imobiliário em cada uma das praças que a Colmeia atua?

Otacílio- Campinas é um mercado pujante, pois é reconhecida como um polo de tecnologia e de educação. O segundo outro mercado muito bom é Manaus. Lá nós estamos lançando o resort Aquaville Manaus, um empreendimento com 630 apartamentos.

 

OP - E o mercado em Fortaleza?

Otacílio - Fortaleza a gente reconhece que o mercado não está tão bom quanto de 2012, 2010. Mas Fortaleza teve uma sorte, Uma característica que foi até por acaso. Fortaleza não foi invadida pelas grandes players nacionais como Cyrela, Tecnisa, Gafisa, PDG. Essas empresas, como tinham ações na bolsa, não podiam lançar empreendimentos sem incorporação. E na gestão da Luizianne era mais fácil construir do que conseguir um alvará e isso retardou a entrada das empresas de fora aqui.

 

OP - Quando começou a expansão para outras cidades?

Otacílio - Anos depois da Colmeia estar em Fortaleza, ela abriu a primeira filial em Manaus. Entramos em Manaus há 25 anos. Cinco anos depois da filial de Manaus nós abrimos filial em Natal e Campinas, então essas duas têm 20 anos cada.

 

OP - Que tipos de inovações tecnológicas a empresa utiliza?

Otacílio - Nossos empreendimentos hoje têm um caixa rápido em que o operário digita o número de matrícula dele e aparecem todas as atividades previstas para fazer naquele dia, o valor que ele vai ganhar quando ele concluir cada atividade, os materiais e ferramentas que ele precisa. A gente hoje investe muito em controle, em informatização, em mecanização. Mas ainda estamos muito longe de nos comparar com a indústria da construção civil no Japão. Lá eles têm uma linha de produção fabricada fora do canteiro de obras. As peças chegam no canteiro somente para montar.

 

OP - E qual o modelo construtivo adotado pela Colmeia?

Otacílio - Nós adotamos um modelo Lean Construction (construção limpa). Esse modelo é baseado na gestão da Toyota. A Toyota desenvolveu um modelo de gestão na indústria automobilística que foi adaptado para a construção civil. E nós no Brasil somos referência na gestão desse modelo. Nós estamos trabalhando com isso há 4 anos.


OP - É um impacto grande de investimento para vocês?

Otacílio - Não, o impacto de investimento é pequeno. Há uma grande mudança é na cultura das pessoas. Porque ela é uma cultura baseada essencialmente no planejamento. Tudo tem que ter sido pensado pelo menos um mês antes.

OP - A sustentabilidade faz parte da gerência da empresa?

Otacílio - Todos os empreendimentos da Colmeia têm coleta seletiva. Então, o próprio operário, quando ele vai descartar os entulhos, ele não bota isso misturado. O que a gente consegue de madeira a gente consegue com que as padarias e as pizzarias vão apanhar de graça. Eles não pagam para pegar, mas a gente ganha pelo fato de não pagar para descartar. O papel e o metal são vendidos no quilo para a sucata. E esse dinheiro é revestido para fazer as festinhas de aniversário do mês dos operários.

 

OP - Quais da Colmeia empreendimentos estão à venda?

Otacílio - Nós temos o Living Resort, que é um empreendimento nas Dunas, e tem o Living Garden. Esses são dois empreendimentos maiores que ainda tem unidades à venda. Para 2015, temos previstos R$ 450 milhões de VGV. Esse valor cresceu em relação a 2014, exclusivamente por causa de Manaus.


OP - Quais as perspectivas da Colmeia para 2015 e para os próximos anos?

Otacílio - A gente não tem essa ansiedade de querer crescer muito porque essa atividade da imobiliária é uma atividade de risco. Então nossa meta de crescimento é de 5% ao ano.

 

Perfil


ESTUDIOSO. Natural de Jaguaruana, Otacílio Valente, 57 anos, é presidente da Construtora Colmeia. Estudou Edificações no Instituto Federal do Ceará (IFCE), cursou Engenharia Civil, Administração de Empresas, fez mestrado em edificações e pós-graduação em Engenharia de Produção. Antes de virar presidente da Colmeia, passou pelos cargos de supervisor de obras, coordenador técnico, diretor técnico e sócio da empresa.

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