ENTREVISTA. BETO STUDART 21/01/2015

Construção civil é palpável

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Nathália Bernardo nathaliab@opovo.com.br
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Beto Studart entrou na construção civil sem muita pretensão. Quando vendeu a Agripec Química Farmacêutica, em 2007, começou a ceder terrenos para que outros construíssem e o negócio foi se desenvolvendo. Tomou gosto pelo setor, que define como economia real. “A economia da construção civil é palpável”. Com atuação em Fortaleza e Natal, tem confiança na região. “O mercado de Fortaleza não dá sinais de diminuição”. Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), desde setembro, na entrevista para O POVO, Beto mostra que não deixou de ser empresário, construtor e incorporador.

 

O POVO - Com a presidência da Fiec, como está sua vida de incorporador e construtor?

Beto Studart - Continua exatamente igual, só tenho que ser mais exigente com minha agenda, com o uso do tempo. Quando cheguei à presidência da Federação fiquei com o tempo tomado, mas de forma muito preciosa. Estou dando sequência ao meu desejo de trabalhar naquilo que é operação, que é geração de riqueza, que são os meus negócios. E estou à frente da Federação, que me dá oportunidade de conhecer outros segmentos econômicos, as demandas do Ceará e pessoas brilhantes. Eu vivia muito ao redor do meu próprio negócio. Agora não, estou me disponibilizando para servir.

OP - E, falando dos seus negócios, quais são seus planos para a BSPAR Incorporações e a BSPAR Construções?

Beto - A BSPAR Construções tem seu modelo próprio, com processo bem definido. É uma empresa que está lá para servir. Já a BSPAR Incorporações é uma empresa que reúne inteligências: definição de processo, financeiro, conhecimento de mercado. Inteligência de saber o tamanho, a oportunidade de lançamento, em que segmento vou atuar. Então, continuo desenvolvendo a mesma coisa, com essa diretoria brilhante que nós temos. Fico muito tranquilo com essas pessoas que estão no meu entorno.

OP - Vocês pretendem atuar em outra área que não seja Ceará e Rio Grande do Norte?

Beto - Se Fortaleza estiver naquele tamanho que nós determinamos como ideal – em torno de R$ 600 milhões, R$ 700 milhões em lançamentos por ano - eu não vou para outro estado. Esse é o número atual. Em 2014, nós exacerbamos, fomos a quase R$ 1 bilhão por conta do lançamento do BS Design. Para 2015 a promessa é de R$ 600 milhões. O ano de 2016, com os terrenos adquiridos, os projetos sendo desenvolvidos, também está nesse nível, mas acho que vai mudar um pouquinho.

OP - Então crescer não está nos planos de vocês?

Beto - Nós estamos crescendo de forma harmoniosa. Em 2013, tivemos um número menor de lançamentos, em 2012 também. Agora, com seis anos de idade, atingimos a maturidade. Hoje, sabemos como conduzir o aspecto financeiro das nossas empresas com muito cuidado. Somos extremamente vigilantes para que a gente não precise de dinheiro. Dependendo disso, a gente avança um pouco mais ou um pouco menos. Mas o nosso crescimento fica em torno de 5% a 10% ao ano. Em 2015, isso não deve acontecer com relação a 2014, por causa do desvio na curva causado pelo BS Design. Esse crescimento em torno de 5% é o número ideal.

OP - Como fica Natal (RN) nessa meta?

Beto - Temos Natal como instrumento para regular nosso tamanho. Natal é uma praça difícil, não tem essa pujança do mercado de Fortaleza. Lá a sociedade é feita muito por executivos de grande envergadura, não existem empresas grandes como nós temos. É uma cidade que tem muitos funcionários públicos. Mas tem 800 mil a 900 mil habitantes. Uma cidade diferente.

OP - A meta de vocês cabe em Fortaleza e Natal por quanto tempo?

Beto - Eu acho que vai caber a vida toda. Porque existe uma carência muito grande de residência. As pessoas estão vivendo em níveis diferentes do que tínhamos há 10 anos. O poder aquisitivo está crescendo e todo mundo almeja ter seu imóvel novo, mais confortável, mais bonito, mais bem localizado. Isso é uma dinâmica de negócios muito boa para nós. O mercado de Fortaleza não dá sinais de diminuição. Também não tem mais o entusiasmo que nós tínhamos até 2012. Aquela pujança meio maluca que nós estávamos vivendo não existe mais. Estamos vivendo um crescimento normal. Nós tínhamos 6% de velocidade de venda sobre estoque e hoje nós estamos em torno de 3,5% a 4%. Foi uma queda relevante, mas ela é normal em relação à velocidade que nós tínhamos antes de 2010.

OP - Vocês são focados em imóvel de alto padrão. Estudam mudar isso? Existe demanda para o que vocês estão ofertando?

Beto - Existe. Trabalhamos sempre com alta renda, isso não quer dizer que alta renda seja apenas apartamento grande. São apartamentos menores também, 120, 150 metros. Mas temos também de 350 metros. Dependendo do humor do mercado, que a pesquisa vai indicando. Mas nós não queremos sair desse nível de renda não.

OP - É uma área mais confortável?

Beto - Acho que é. O Minha Casa, Minha Vida trabalha com muita gente e tem um faturamento mediano. Então você tem que ter uma estrutura de atendimento, de engenharia, totalmente diferente.

OP – Qual o perfil do cliente de vocês?

Beto – A gente só faz aquilo que é bom. Não fazemos coisas mais ou menos boas. Tenho vários tipos de clientes, o mais sofisticado, o menos sofisticado, um pouco mais simples… mas tudo dentro do padrão. Nós construímos para aqueles clientes exigentes.

OP - Qual sua interferência nos projetos? As ideias partem do senhor?

Beto - Dou minha opinião sobre o que eles estão desenvolvendo. Eu fico imaginando o que meus amigos, um cidadão que estivesse ali, exigiriam. Os arquitetos são maravilhosos. Eu provoco e eles provocam, verifico e eles revisam. Não é só da minha ideia. Eu vou melhorando as ideias deles e eles vão melhorando as minhas.

OP - Quais são os entraves do mercado hoje?

Beto - O Brasil está vivendo um momento muito especial. Toda construtora, toda incorporadora que se comportar dentro de um determinado padrão tem acesso a financiamento. Se ele tiver com seus números bacanas, tudo direitinho, tiver suas certidões, ele tem acesso aos financiamentos.

OP – Fala-se muito em déficit habitacional, mas ele não conta muito no segmento de alto padrão...

Beto - O déficit habitacional de que todo mundo fala reside muito mais no pessoal de baixa renda. No nosso segmento, o que conta é o crescimento natural da cidade, das pessoas, o desejo de mudar. Na alta renda, não existe.

OP- Por que, depois de vender a Agripec, o senhor optou por entrar no setor da construção civil?

Beto -Eu comecei a fazer algumas experiências de permutas com meus companheiros, eu comprava terreno e eles construíam. Não tinha meta, eu estava fazendo um exercício na economia real. Depois eu comecei a fazer algumas parcerias. A coisa foi crescendo, fui criando gosto. Sou extremamente vigilante com o aspeto financeiro das coisas, com a beleza, com os gostos dos meus consumidores. Vi que a coisa era boa e, de certa forma, garantida: se acontece uma depressão, você pode ter os imóveis adormecidos ali. A economia da construção civil é palpável, você está vendo toda a estrutura pronta, gosto por causa disso.

OP- Como o senhor se posiciona diante das atividades do grupo?

Beto - Eu sou um controler, gosto de ver as atividades e me posicionar com o controle. Mas eu não vou a uma construção com a frequência que muita gente pensa. Eu não vou porque tem os processos que me dizem se os negócios estão indo bem ou não. Já sei como vai ficar, não preciso ficar lá. Tem os nossos engenheiros e diretores que estão nesse papel.

 

Perfil


EMPREENDEDOR. Beto Studart nasceu em Fortaleza e é graduado em administração de empresas. Presidiu a Agripec Química Farmacêutica e hoje atua no mercado imobiliário como presidente da BSPAR Incorporações e BSPAR Construções, juntamente com outras cinco empresas que fazem parte do mesmo grupo. Como a BSPAR Delphi Braço da BSPAR Incorporações que está no Rio Grande do Norte. Como bom empreendedor, atua em mais cinco mercados, além de ter a Fundação Beto Studart de Incentivo ao Talento.

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