MERCADO. NOVO ESPAÇO 24/12/2014

Coberturas em baixa

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Viviane Sobral vivianesobral@opovo.com.br
CAMILA DE ALMEIDA/ESPECIAL PARA O POVO
Maria Abigail (a segunda da esquerda) e Francisco Carvalho (direita) afirmam que não trocariam a cobertura por outra opção
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Antes característico dos prédios mais antigos, as coberturas estão cada vez menos presentes nos lançamentos imobiliários. Rumor ou constatação? Especialistas do mercado confirmam: o produto está realmente em baixa em Fortaleza - mesmo que tenha o dobro da área dos vizinhos e mais espaço de lazer dentro do apartamento.


Apesar das vantagens, o consumidor não privilegia e os empreendedores preferem não arcar. O sócio-diretor da Lopes Immobilis, Ricardo Bezerra, considera a liquidez como um dos principais fatores para o fenômeno. “Para o incorporador, a velocidade de venda é importante. Em vez de fazer uma cobertura de 200 metros quadrados, prefere dois de 100, é mais fácil vender”, avalia.


Ele diz que a tendência já virou de ordem do mercado.“Conheço casos em que o próprio incorporador diz que todo apartamento vai ser igual. Os construtores perceberam que vender a cobertura é mais difícil. Normalmente é o último a vender”.


Daniel Simões, diretor comercial da J. Simões, afirma que as próprias construtoras estão evitando o investimento. “Último andar é o mais caro. Hoje um incorporador pensa a compra voltando. E considera para que tipo de perfil de família é esse apartamento. Localização, renda familiar. O custo não vale a pena”. Para ele, houve um desencontro entre oferta e demanda.


Kalil Otoch, da Kalil Otoch Imóveis, aponta que as coberturas planas são as mais comuns nos imóveis antigos, mas cita que atualmente há os exemplos dos duplex no topo do prédio. “São aqueles que o lazer é projetado para ficar na parte de cima, com churrasqueira, por exemplo”.


Ele avalia que os novos edifícios já contam com área de lazer, o que diminui o interesse pela cobertura. “Ela é para um público específico, como o dono do terreno, que morava em uma casa com piscina, por exemplo, e faz uma permuta com a construtora, ou mesmo para quem é acostumado a morar em casa”, cita.


É o caso do engenheiro civil Francisco Carvalho, 58. Nascido em Sobral, quando entrou em contato com um corretor, descreveu a vontade de morar em um apartamento com espaço, pois sempre viveu em casa. “Ele me apresentou a cobertura, na Aldeota. Eu disse que não tinha dinheiro, mas ele insistiu que não era um investimento alto”, conta.


Mesmo sendo uma tendência em baixa, ainda há quem valorize. Há sete anos, é onde ele reside com a mulher e uma das filhas, além de uma cachorra, e afirma que não trocaria por outra opção. É uma cobertura plana de 220 metros quadrados com três suítes, terraço, jardim, piscina. “É um prédio sem estrutura de lazer (foi entregue em 1984), então o condomínio não pesa. Tenho meu lazer particular. É como se estivesse realmente morando em casa”.

 

Dicas


ONDE ESTÃO

Os bairros onde há coberturas são Aldeota, Meireles e Cocó, aponta Ricardo Bezerra. “Os primeiros porque ficam próximos do mar, antigamente eram menos prédios e tinha a questão da vista para a praia. E o Cocó tem o parque”

QUEM COMPRA

Pessoas acostumadas a morar em casas

O proprietário que vende o terreno para quem vai investir no espaço. “Ele faz permuta com a construtora”, indica Kalil Otoch


Há casos pontuais em que o exemplo é o próprio dono da construtora, que decide morar no prédio que vai construir

 

VANTAGENS

Quem mora em cobertura mantém um sentimento de morar em casa. A área é quase sempre o dobro, com predominância de estrutura de lazer, como terraço e piscina

Além da sensação de casa, mantém a questão da segurança de morar em um condomínio


Estar na maior altura do empreendimento pode proporcionar uma maior ventilação

 

DESVANTAGENS

Paga taxa de condomínio maior. É normalmente o dobro

É visto com antipatia pelos vizinhos, pois ter uma cobertura pode gerar uma situação de desigualdade perante os condôminos.

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