ENTREVISTA. GIORGIO BONELLI 03/12/2014

O italiano alquimista

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Nathália Bernardo nathaliab@opovo.com.br
DEIVYSON TEIXEIRA
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O italiano Giorgio Bonelli, 61, mora em Praga (República Checa), Monte Carlo (Mônaco), Ibiza (Espanha) e Milão (Itália). Agora, com seu poodle Kit, também mora em Fortaleza e Jericoacoara. Nessas cidades, além de residência, mantém negócios: hotéis, restaurantes, empreendimentos imobiliários e uma editora de quadrinhos. No Ceará, investe no Ecopark Boneville, um loteamento de alto padrão em Caucaia. Também tem projeto para Jeri, o Alchymist Jericoacoara, que aguarda conclusão de estudo ambiental. Sobre o assunto, diz: “eu seria um idiota para comprar um terreno num lugar maravilhoso e destruir o lugar”. Ele se diz apaixonado pela região, que compara a Ibiza há 40 anos. Por aqui, ele conta, é visto como excêntrico, mas é bem quisto. Por isso, não liga para os comentários e até ri. “Todo mundo pensa que eu sou um milionário extravagante. Infelizmente não sou milionário, talvez só um pouco extravagante”.


O POVO - Como o senhor veio parar em Fortaleza?

Giorgio Bonelli - Investi no setor imobiliário em Praga (República Checa). E passei a converter imóveis em hotéis. Lá vão sempre muitos embaixadores e eu fico amigo deles. Particularmente, de uma embaixadora do Brasil. Ela me perguntava: “por que você não faz algo no Brasil?”. Um dia, um amigo meu me disse que estava indo para Fortaleza para ver como andava o mercado imobiliário e me disse “porque não vem comigo?”. E cheguei aqui. Fazem 3 anos e meio, 4.

OP - Você morava em Praga?

Bonelli - Eu sempre morei em diferentes lugares ao mesmo tempo. Tenho casa em Praga (República Tcheca), em Milão (Itália), em Monte Carlo (Mônaco). Às vezes eu passo duas semanas, às vezes dois meses. Inclusive, uma casa em Jericoacoara e um apartamento em Fortaleza. Quando cheguei aqui, vi que os problemas não eram tantos como falavam. Comprei um terreno e depois mais outro. Descobri Jeri e fiquei enamorado. Jeri me lembra muito de Ibiza (Espanha). Há 40 anos, quando fui a Ibiza pela primeira vez. Era um lugar com jovens, alternativos. Muito linda a natureza.

OP - O senhor investiu em Jeri por ter se apaixonado pelo lugar?

Bonelli - Eu sou um investidor um pouco diferente. Eu faço negócio, mas eu não me considero uma pessoa de negócios. A primeira coisa, para mim, não é o dinheiro. Mas, sempre o prazer de fazer o que eu gosto. Fato: o dinheiro chega sempre muito rápido, porque se você não conseguir ter um lucro a ideia quebra.

OP - Existiu uma polêmica em torno do projeto em Jeri.

Bonelli - Jeri é um lugar muito interessante para muitas coisas boas. Claro, com um grande respeito do ambiente. O ecossistema é extraordinário e tem que ser conservado. Não é só o ambiente, é também a questão social.

OP - Isso valoriza o imóvel?

Bonelli - Valoriza. Tem que fazer as coisas com respeito ao ambiente e dos valores culturais. Agora, Preá tem vida de pescadores. Quando se converte em vida de turistas, muda e não volta mais. Perde a graça do lugar.

OP - Fortaleza cresce para o lado oposto, o Leste – Eusébio por exemplo. Por que o seu investimento no Litoral Oeste?

Bonelli - Lá está se desenvolvendo, com o polo industrial. Eu vi que todos os empreendimentos de melhor nível estavam ficando no Eusébio. Mas lá também tem pessoas que gostam de morar em um lugar melhor, de luxo. Caucaia é grande, com mais de 300 mil habitantes, parece que vai chegar há 1 milhão. Deve ter gente procurando um lote de alto padrão.

OP - Seu público alvo são os executivos do Pecém?

Bonelli - Pensando nos executivos e pensando nos moradores de Caucaia mesmo. Por exemplo, toda pessoa que mora na Bezerra de Meneses, se quiser morar num empreendimento desse tipo, tem que atravessar a cidade e chegar ao Eusébio. Eu fiz o projeto do meu jeito e, depois, meus funcionários disseram que tinha que fazer uma pesquisa. O resultado disse que o investimento estava correto.

OP - Como foram seus primeiros momentos no Ceará?

Bonelli - Cheguei a Fortaleza, é uma cidade bem grande. Comecei a contratar uma agência, uns corretores, pensando um pouco em como era o mercado, como era o preço. Não foi planejado, eu nunca planejo nada na minha vida. Foi uma coisa muito natural.

OP - Como o senhor vê o mercado cearense hoje?

Bonelli - Acredito que há muitas possibilidades. Os preços já aumentaram bastante. Esse é um fator que precisa sempre ficar na mente do investidor. Mas penso que, escolhendo um terreno bom, tem muitas possibilidades. Tenho como exemplo Jeri, que vai ser um sucesso cada vez maior. Acredito que agora vão se consolidar, independente da economia brasileira.

OP - O senhor pensa em investir no mercado de Fortaleza ?

Bonelli - As atividades aqui já são muito desenvolvidas. Tinha um prédio que eu gostava muito, onde tentei empreender. Mas ele foi vendido para um investidor bem mais importante que eu. O Hotel Esplanada (comprado pelo M. Dias Branco). Mas, em Fortaleza, eu gostaria de ter um hotel de alto padrão, mesmo não sendo tão grande. Estou com algumas ideias.

OP - O seu investimento em Jeri já veio meio com uma polêmica sobre a lagoa. O que o senhor diz sobre isso?

Bonelli - Às vezes, falam sem saber. Eu falei do meu projeto com o prefeito. Falei com o órgão que me disseram ser o competente, a Semace. Mas, depois, disseram que não era a Semace, que eu não tinha o estudo correto. Mas eu teria que ser um grande idiota para comprar um terreno num lugar maravilhoso e destruir o lugar. Eu sou o primeiro que tem interesse em cuidar. A Prefeitura gosta desse empreendimento porque eu disse que faria uma escola hoteleira. Lá tem muitas pessoas inteligentes e gentis, mas não tem uma que fale inglês.

OP - Em que situação está hoje?

Bonelli - Eu já havia feito um estudo. Lembro do projeto completo, não tinha um impasse ambiental. Pelo contrário. Era uma coisa que ia dar qualidade de vida aos moradores, por trazer emprego. Quando surgiu a polêmica, um procurador fez requerimento de outro estudo, que não é muito diferente. Sinceramente, foi parcialmente uma polêmica política. Eu não quero me meter porque não tenho conhecimento das coisas públicas daqui do Ceará. O que mais me assustou foi que muitas pessoas acreditavam que eu faria uma coisa chatíssima de cimento que, ia acabar com a lagoa. Mas é o contrário.

OP - Isso o deixa frustrado?

Bonelli - Eu fico frustrado, mas eu tenho bom relacionamento com todo mundo lá. Quem me conhece sabe que sou um homem direito. Às vezes, rio do que falam: ‘dizem que você é veado’. Mas não sou veado. Aqui, todo mundo pensa que eu sou um milionário extravagante. Infelizmente não sou milionário, talvez só um pouco extravagante. (risos)

OP - O senhor tem sócios?

Bonelli - Não, eu raramente tenho sócios porque eu sempre escolho fazer minhas coisas um pouco diferente. Restaurante é um exemplo. Eu dei muito dinheiro para fazer esse restaurante em cima de uma terra que não é minha (alugada), que nenhuma pessoa de bom senso faz. Gastei quase R$ 2 milhões. E, amanhã, podem me jogar fora e eu perco meu espaço. Fiquei enamorado desse lugar.

OP - Com negócios em lugares tão distantes, como é a rotina de acompanhamento?

Bonelli - Tenho funcionários. A maioria fica amigo. Passo três semanas aqui, três semanas na Europa, pois tenho diferentes atividades. Na Itália, nós somos uma editora de quadrinhos. Meu pai era um escritor de quadrinhos. Meu irmão cuidava da editora. Ele morreu há dois anos, agora, seu filho conduz.

OP - Sua família vive na Itália?

Bonelli - Meu pai e minha mãe já morreram. Então, eu sou uma espécie de sobrevivente, eu e meu cachorro.

OP - O senhor é casado?

Bonelli - Não. É por isso que me falam que sou veado.

OP - E por que dizem que é um milionário extravagante?

Bonelli - Eu não sei! Eu não fico preocupado com isso, fico só: “nossa, há gente que pensa que sou!” (risos)


Perfil


O ITALIANO GIORGIO
Bonelli tem 61 anos. Sua família é dona da editora Sergio Bonelli, que edita os gibis de Tex Willer, personagem criado por seu pai. Na década de 1990, Bonelli adquiriu diversos prédios em Praga, na República Tcheca, que converteu em hotéis de luxo. Em 2010, criou a Bonelli Brasil, com capital social inicial de 4 milhões de euros, e deu início a dois projetos. Em Caucaia, o Ecopark Boneville, loteamento de alto padrão na CE-085. Em Jericoacoara, está em fase de estudo de impacto ambiental o loteamento Alchymist Jericoacoara. Em Fortaleza, também criou um restaurante, o Jardim de Alchymist, na Aldeota. Bonelli não revela o valor total dos investimentos.

 

Íntegra




Veja a entrevista


completa em http://bit.ly/1CzkaXu

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