URBANISMO 12/11/2014

Fortaleza cidade baixa

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Nathália Bernardo nathaliab@opovo.com.br
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Fortaleza é uma cidade de edifícios baixos. Além da legislação urbanística - que considera infraesturura, impacto ambiental e trânsito, por exemplo – a cidade tem uma peculiaridade: um aeroporto situado em área central.

 

Em Fortaleza, o limite é de 33 andares no Centro e de 24 nas demais áreas da Cidade. Em São Paulo (SP), por exemplo, não há limite de altura nas áreas de melhor infraestrutura - os chamados Eixos de Estruturação da Transformação Urbana.


Por enquanto, o prédio mais alto já construído no Brasil fica na capital paulista, o Mirante do Vale, com 170m e 51 andares. Mas em 2016, o edifício perderá seu posto para um empreendimento a ser lançado em João Pessoa (PB), o Tour Geneve, também com 51 andares, mas 182m. A liderança ficará com a Paraíba, por apenas dois anos, já que um edifício de 66 andares e 240m será construído em Balneário Camboriú (SC). Já o prédio mais alto de Fortaleza, o Edifício Cidade, no Centro, tem 32 andares.


Mas isso deve mudar. A Secretária de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma) está atualizando a Lei de Uso e Ocupação do Solo, de 1996, que rege os gabaritos dos prédios. O projeto, ainda em estudo, deve permitir construções maiores em algumas áreas da Cidade. O texto, depois de pronto, precisará ser aprovado pelo Conselho de Meio Ambiente (Comam) e Câmara Municipal.


De acordo com Águeda Muniz, titular da Seuma, a inspiração deve ser a legislação paulistana. “São Paulo adensa nos corredores de transporte. Mas internamente, nos miolos de quadra, reduz gabarito para ter melhores condições e esse imóvel é mais caro”. Ou seja, os prédios são maiores nas principais avenidas, mas são reduzidos na medida em que a edificação se distancia delas.


A secretária defende o modelo e diz que o adensamento urbano pode ser benéfico, desde que conjugado com infraestrutura, como transporte público, saneamento, água. “Há bairros de Fortaleza e de outras cidades que não se pode adensar porque não tem esgotamento sanitário”. Como exemplo, a Cidade dos Funcionários.


Por outro lado, áreas como Beira-Mar possuem a infraestrutura necessária. Mas Águeda afirma que há outros critérios a serem observados na região. “Algumas áreas têm poligonal de edifício histórico, como Igrejinha de São Pedro. E é preciso observar também a questão paisagística”.


A questão dos ventos, ela explica, não é impedimento. “Nosso vento não é pelo norte, é pelo sudeste. E há o balanceamento dos gabaritos. Quando cidade tem mesmo gabarito, o vento não circula, ele bate numa barreira. Já o gabarito diversificado não impede. É ponto polêmico, mas não impeditivo”.

 

Especificidades do Centro

Águeda diz que, em termos de legislação, é mais fácil construir no Centro. Essa é uma forma de estimular que as pessoas morem na área e de compensar dificuldades fundiárias. “São propriedades antigas, com vários herdeiros. Às vezes, tem que comprar um única quadra de praticamente 100 herdeiros. Então fica caro e até inviável – porque um morreu, outro está doente...”

 

Entre as especificidades do Centro, a secretária também cita facilidades quanto à recuos laterais e frontais. O Edifício Cidade, que fica no Jacarecanga, se beneficia dessas particularidades.

 

Saiba mais
Segundo a Seuma, o debate sobre mudanças no gabarito começará nos próximos dias 20 e 21, no Fórum Adolfo Herbster, onde a atualização da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) estará em pauta. Em paralelo, a Secretaria está em processo de contratação de equipe técnica para desenvolver estudo, que servirão de base para as mudanças.

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Flávio Vinícius 13/11/2014 09:06
Acho incrível essa Águeda, titular da SEUMA, dizer que na Beira-Mar pode-se botar prédios mais altos! Ela parece esquecer que as áreas próximas ao mar devem preservar prédios baixos. Também acho incrível que Fortaleza se espelhe numa cidade como São Paulo, caótica, poluída, entre outros problemas.
Paulo Lustosa 13/11/2014 08:14
Fortaleza está crescendo de forma desestruturada e fiquendo a cada ano pior de se viver! Se o sonho é ser uma São Paulo, claro para os especuladores a grana é fator quase certo, mas os seus moradores, estão deixando para trás uma cidade aprazível e confortável, para uma megalópole estressante!
Paulo Lustosa 13/11/2014 08:12
Sem Ofensa! Mas escolher São Paulo como referência de crescimento urbano é no mínimo assustador! Olha a situação de qualidade de vida, trânsito, poluição, etc, etc que a cidade oferece hoje. Não falo nem da falta de água. É preciso crescer de forma responsável e pensa na qualidade de vida.
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