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Capital 19/12/2012

Assassinatos aumentam em 58 bairros

Crescimento de homicídios em Fortaleza foi de 40,16%. Na Praia de Iracema, 12 casos foram registrados nos dez primeiros meses deste ano contra um no mesmo período de 2011. O POVO traz nova cartografia da violência
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Tabuleiro pendurado no pescoço, seu Felipe Melo de Castro, 61 anos, já viu de um tudo nas andanças da vida ambulante. De uns tempos pra cá, como diz, reparou numa constância de sumiços na Praia de Iracema. “Vagabundo, quando vem, leva o que pode. Até a vida dos outros. Mas também morre. Já mataram um no ponto onde fico”, recorda.

 

Não por acaso, seu Felipe notou aumento no número de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) em Fortaleza. A partir de informações da Secretaria Estadual da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), levantamento feito pelo O POVO aponta crescimento de mortes desta natureza em 58 bairros da cidade de 2011 para 2012.

 

 

Infográfico
Confira números de assassinatos do seu bairro em 2011 e 2012

 

Não por acaso, seu Felipe notou aumento no número de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) em Fortaleza. A partir de informações da Secretaria Estadual da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), levantamento feito pelo O POVO aponta crescimento de mortes desta natureza em 58 bairros da cidade de 2011 para 2012.


Para fazer a comparação, foi considerado o intervalo de janeiro a outubro - já que a SSPDS disponibiliza dados apenas dos dez primeiros meses do ano corrente na Internet.


Em 33 bairros da Capital, as estatísticas recuaram. Em 16, mantiveram-se estáveis. Nos 12 demais bairros, não é possível calcular a variação porque nenhuma ocorrência foi registrada em 2011. Matematicamente, não se obtêm variações quando a base do cálculo é zero.


A Praia de Iracema do seu Felipe apresentou o pior cenário: inchaço de 1.100% nos assassinatos, enquanto a média de Fortaleza teve acréscimo de 40,16% (956 mortes em 2011 e 1.340 em 2012) e a do Ceará, de 32,85% (2.173 para 2.887). Em totais absolutos, no entanto, a situação mais grave é a da Barra do Ceará. Foram 33 ocorrências ano passado contra 63 este ano.


A evolução da violência extrema confronta o discurso da SSPDS de que os homicídios estariam em queda na Capital, conforme a pasta divulgou no último dia 4. Reforça, no entanto, declaração dada pelo governador Cid Gomes (PSB) na rede social Twitter três dias após a secretaria anunciar a redução de 13% dos casos entre setembro e novembro deste ano.


No microblog, em resposta a um usuário da rede, o governador disse que “a criminalidade se registra por vários indicadores: homicídios, roubos, agressões... Os homicídios aumentaram”. Em seguida, Cid completou: “Há um fenômeno recente nos estados do Nordeste, que é o crack e o tráfico desta droga, que tiveram grande influência nesta elevação”.


Tanto no total absoluto quanto no percentual, Fortaleza derrama mais sangue do que São Paulo no tocante a assassinatos. A variação na cidade com o maior contingente populacional do País foi de 30,45% (de 870 casos para 1.135 mortes), segundo estatísticas publicadas no site da Secretaria da Segurança Pública (SSPSP) paulista. A comparação entre Fortaleza e Rio de Janeiro (cidade marcada pelo convívio com o tráfico e milícias) fica impossibilitada pelo fato de a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) fluminense não informar os assassinatos registrados em agosto e setembro de 2011.


No total absoluto de 2012, porém, a capital cearense tem 308 casos a mais (de janeiro a outubro). “Aqui já foi muito bom. Hoje está pior. Já mataram um bem dizer na porta lá de casa. Mas ele era ‘drogueiro’. Eles mesmos se estragam entre eles”, pondera Vanuza de Fátima Machado, 57, moradora da Praia de Iracema. “Mas o local é a gente quem faz”, ensina.

 

ENTENDA A NOTÍCIA


A Praia de Iracema apresentou o pior cenário: aumento de 1.100% nos assassinatos, enquanto a média de Fortaleza teve acréscimo de 40,16% (956 mortes em 2011 e 1.340 em 2012). A média do Ceará foi de 32,85% (2.173 para 2.887).

 

Saiba mais

 

Números de homicídios

Em 22 de novembro, O POVO mostrou aumento de 18% nos casos de assaltos. Foram 35.114 boletins de ocorrência registrados de janeiro a outubro deste ano contra 29.606 no ano passado. No começo do mês, a SSPDS divulgou queda de 13% nos homicídios registrados entre setembro (158), outubro (148) e novembro (137) deste ano em Fortaleza. O POVO comparou os dados com os do ano passado.

 

Em setembro de 2011, foram 99 casos (aumento de 59% no comparativo do mesmo mês). Em outubro de 2011, 119 casos (aumento de 24%). Em novembro de 2011, 102 casos (aumento de 34%).


Nesse trimestre de 2011, foram 320 ocorrências. No deste ano, 447. Aumento de 40,31%.

 

De janeiro a outubro de 2012, Fortaleza já tinha 153 assassinatos a mais do que em 2011 inteiro. Os índices percentuais de homicídios cresceram em 76 cidades do Ceará. Em 42, diminuíram. Em 24, mantiveram-se estáveis. Em 14, não puderam ser mensurados porque a base de cálculo era zero (referente a 2011).

 

A SSPDS não disponibilizou no relatório entregue ao O POVO os dados de 28 municípios. Foram solicitados, mas não disponibilizados.


De Lourdes, Gentilândia, Parque Araxá, Parque Manibura e São Bento são os cinco bairros de Fortaleza sem ocorrências desde janeiro de 2011.

 

Serviço

As estatísticas criminais de 2012 de Fortaleza estão disponíveis no site da SSPDS

Acesse: http://bit.ly/Kp1RqF

 

Sem resposta


Na manhã do último dia 10, O POVO recebeu da SSPDS relatório com o número de assassinatos registrados em Fortaleza e no Ceará em 2011. O documento foi disponibilizado 21 dias após ter sido pedido formalmente à assessoria e à Central de Estatística da pasta, já que os dados não constam no site da secretaria na Internet.


Na tarde do mesmo dia, O POVO solicitou nova entrevista com o secretário. Três dias depois, foi informado, por e-mail, que Francisco Bezerra daria “entrevista coletiva na segunda-feira, 17, horário ainda pendente de confirmação”, onde trataria “de vários assuntos, entre eles, homicídios”.


Na quinta-feira, 13, também por e-mail, O POVO reforçou a necessidade de entrevista com Francisco Bezerra, visto ser recorrente a ausência de pronunciamentos oficiais do militar nas reportagens sobre segurança feitas pelo jornal. Para a primeira parte do “Mapa dos Homicídios”, publicada pelo

 

O POVO em 26, 27 e 28 de novembro, Bezerra chegou a negar entrevista para comentar o quadro de assassinatos no Ceará.

 

Na última sexta-feira, 14, O POVO foi ao 5º Batalhão de Polícia Militar à procura do secretário Francisco Bezerra. A presença dele havia sido confirmada na solenidade de reinauguração do prédio da corporação. Minutos antes de o evento começar, a reportagem foi informada de que o militar não compareceria.

 

Seja via e-mail ou por telefone, nenhuma resposta ao pedido de entrevista foi dada pela assessoria do secretário até o fechamento desta matéria, ontem à noite. A prometida coletiva não aconteceu.

Bruno de Castro brunobrito@opovo.com.br
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espaço do leitor
Cícero Ciro 20/12/2012 12:27
Bandidos já foram bebês, crianças, tem ou tiveram pais. Onde fica a responsabilidade da família? Coloca-se filho no mundo pra satisfazer o desejo pessoal ou da sociedade. Privilegiam objetos e esquecem valores. Todos tem alguma participação de responsabilidade na história.
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DARLAN 19/12/2012 22:38
25/08/2010 - 19h29 Violência no México cresce de maneira inesperada, denunciam ONGs. " ONGs SOCORRO, HELP,AQUI É DA BARRA DO CEARÁ,JARDIM IRACEMA,VILA VELHA,ANTONIO BEZERRA,MONTE CASTELO,LAGA MAR,ETC. SOCORRO, HELP!"
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PAULO 19/12/2012 19:34
ESTE É LITERALMENTE O GOVERNO DAS MENTIRAS, A COMEÇAR,PELO GOVERNADOR. POR QUE SERÁ QUE NINGUÉM SE PRONUNCIA SOBRE O AUMENTO NO NÚMERO DE HOMICÍDIOS SE ATÉ POUCO TEMPO ESTE SECRETÁRIO FALAVA EM DIMINUIÇÃO. PODE SER QUE HAJA MELHORIAS NA SEGURANÇA PÚBLICA APÓS ESSA GESTÃO... ESSE GOVERNO É A VERGONHA
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João 19/12/2012 11:39
Governador, vamos nomear logo os aprovados da Polícia civil e militar para ver se diminui essas estatísticas que o negócio não tá de brincadeira.
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Cintya 19/12/2012 09:38
Não tem mais segurança em lugar nenhum!!! Estado e cidade entregues as baratas e nossos governantes preocupados com a copa.
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