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BR-116 20/11/2012

Comunidade Jabuti espera por passarela na estrada há 14 anos

A luta é histórica: moradores da Comunidade Jabuti, no quilômetro 20 da BR-116, reivindicam há mais de 14 anos uma passarela. Pilares foram erguidos na estrada, mas a população reclama que a obra está abandonada
FOTO: THIARA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA O POVO
Moradores se arriscam para atravessar a BR-116. Eles dizem que faixa de pedestre e radar não garantem travessia segura
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Os 787 moradores da Comunidade Jabuti, entre os municípios de Itaitinga e Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, saracoteiam como podem, há pelo menos 14 anos, de um lado a outro da BR-116, na altura do quilômetro 20. A comunidade cresceu: novas casas, escolas e farmácias foram construídas. A expansão ignorou, porém, que no meio do caminho há estrada com seis faixas.

 

É histórica a luta da comunidade por uma passarela entre os quilômetros 16 e 26 da rodovia. Os pilares de concreto da estrutura até chegaram a ser erguidos com o suporte de vigas de ferro. Mas o que hoje sustenta a passarela é apenas uma ideia, ancorada pelo peso de anos de abandono da obra.


Em 2009, o então superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Ceará, Guedes Neto, havia assegurado R$ 3,5 milhões para construção de cinco passarelas no trecho. A obra no Jabuti começou, mas não chegou a ser concluída. Por isso, todos os anos, moradores fazem manifestação solicitando a passarela. Queimam pneus e chamam a atenção dos órgãos competentes.


As conquistas, porém, são concretizadas a conta-gotas. No grito, conseguiram um radar de fiscalização eletrônica fixado em 40 km/h, uma faixa de pedestres e uma placa indicando a presença da faixa. “O problema é que nada disso é suficiente para evitar acidente. São três faixas na BR. Mas têm vezes em que você vê dois carros parados e o da terceira faixa não para. Aí mata muita gente aqui. Acontece também de um carro frear na faixa e o de trás não conseguir. É batida quase todo dia”, queixa-se o vendedor de leite, João Maciel de Oliveira, 64 anos de vida e 43 de comunidade. Para garantir as vendas, ele chega a atravessar a BR três vezes por dia.


Maria Marica, Ediberto, Émerson e Maria “do lado de lá” sucumbiram, puxa da memória o vendedor: morreram atropelados enquanto tentavam atravessavam a rodovia. A taxista Antônia de Fátima de Sousa, 48, tirou a neta da escola, do outro lado da BR-116, em nome da segurança. “É o jeito. Agora ela vai estudar num colégio lá na Washington Soares. A gente deixa a menina lá (na escola) e fica preocupada”, diz.

 

Balanço


De janeiro a junho deste ano, houve 304 acidentes nos primeiros vinte quilômetros da BR-116. Desses, 17 foram atropelamentos, que resultaram em três mortos e 17 feridos. Em 2011, no mesmo trecho, foram registrados 972 acidentes, com 80 atropelamentos, 24 mortes e 74 feridos. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

 

O Dnit e o atual superintendente do órgão no Ceará, José Luís Vianna, foram procurados ontem pelo O POVO, mas não retornaram as ligações até o fechamento da edição.

 

ENTENDA A NOTÍCIA


A comunidade solicita passarela há pelo menos 14 anos. Uma estrutura chegou a ser erguida, mas está abandonada. No local, existe hoje uma faixa de pedestres e a placa de fiscalização eletrônica.

 

Saiba mais

 

Até o quilômetro 21 da BR-116, os pedestre dispõem de duas passarelas: uma no Km 2 e outra no Km 4.

 

Desde setembro, a BR-116 passa por recapeamento. Estão previstas melhorias entre os quilômetros zero a 53 (até Pacajus). De acordo com o Dnit, recuperação e manutenção da rodovia fazem parte do Contrato de Restauração e Manutrenção (Crema) - 1ª etapa, que termina em setembro de 2014, com orçamento de R$ 29,7 milhões.

 

Em junho de 2009, o então superintendente do Dnit-CE, Guedes Neto, garantiu projeto e orçamento de cinco passarelas entre os quilômetros 12 e 26 da BR.

 

Na época, por ocasião de manifestação de moradores, Guedes Neto reconheceu a razão da Comunidade Jabuti em exigir passarela. O recurso prometido pelo órgão foi de R$ 3,5 milhões, do Ministério dos Transportes.

Juliana Diógenes
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