Cocó 08/11/2012

Principais causas de incêndio são provocadas por frequentadores

Não manipular fogo nas dependências do Cocó é uma das orientações da Polícia para evitar novos focos
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FOTO: ANDRÉ SALGADO
Segundo Batalhão da Polícia Militar Ambiental, pessoas que entram no parque sem vigilância e orientação devidas também acabam provocando queimadas

Neste ano, seis incêndios, de pequenas a grandes proporções, atingiram a Reserva Ambiental do Parque do Cocó, de acordo com o Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMA). No último dia 3, mais uma queimada. O fogo só foi completamente controlado três dias depois e consumiu 80 metros quadrados de área verde. Segundo a Polícia, as causas estão, principalmente, na má utilização do espaço e na falta de consciência dos frequentadores. O dano ao meio ambiente pode se tornar irreversível, segundo especialista.

 

“As principais causas dos incêndios no Cocó são também consequências de outras deficiências do parque”, declara o major Marcus Costa, comandante do BPMA. Segundo ele, a área mais atingida pelos incêndios são aquelas em que grades de proteção estão ausentes e o acesso de pessoas não é controlado com eficiência por falta de um maior efetivo da Polícia para vigilância. A vulnerabilidade é vista, explica o major, principalmente, entre a avenida Sebastião de Abreu e o bairro Cidade 2000. “São cerca de 800 metros sem gradil. São muitas pessoas que entram no Parque sem vigilância e orientação devidas”. O comandante esclarece que, atualmente, apenas oito homens da BPMA, por turno de serviço, vistoriam a área interna do Parque. “É muito pouco. O ideal seria, pelo menos, o dobro”, calcula.


Major Marcus não descarta as causas naturais como também motivadoras dos incêndios. “Claro, existem épocas em que o tempo está mais quente, a vegetação mais seca, o vento mais forte. De agosto até outubro, novembro, por exemplo, é mais comum verificarmos os focos (de incêndio)”. Porém, ele destaca a interferência das pessoas como origem principal dos riscos. “O fogo vem das pontas de cigarro; do lixo que a população do entorno queima dentro do parque; da fogueira feita pelos homens para preparar o peixe pescado lá”, enumera.

 

Perda irreversível


O professor Jeovah Meireles, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), adverte que o descuido com o Cocó pode trazer consequências desastrosas não apenas pelo desgaste irreversível de áreas constantemente devastadas por queimadas, mas para o bem-estar de toda a cidade: “Os incêndios provocam perda da biodiversidade, alterações nas propriedades do solo”.


O professor alerta que, mesmo que o solo consiga se recompor de incêndios, o processo de recuperação jamais será como antes. “ A qualidade do solo e a biodiversidade não terão a mesma qualidade de antes”.


Para a cidade, acrescenta Meireles, é também importante cuidar do Cocó. “Ele ameniza o clima da cidade, regula a reserva estratégica de água doce e salgada no ecossitema, distribui melhor o vento na Capital”, diz.

 

ENTENDA A NOTÍCIA


Só em 2012, seis incêndios de pequena a grande proporções foram contabilizados pela Polícia no Cocó. Além das causas vindas da própria natureza, estão o descuido dos frequentadores frente à preservação da área.

 

Dicas


1. Evite fumar nas dependências do parque.


2. Evite fazer fogueiras ou manusear fogo na reserva.

 

3. Se verificar fumaça ou fogo na área do parque, ligue imediatamente para o CIOPS - 190 .

 

4. A Polícia Militar Ambiental orienta que a vigilância também pode ser realizada pelos moradores dos prédios mais altos do entorno. Além de focos de incêndio, é importante também denunciar o despejo ilegal de lixo e poluição do espaço.

 

Saiba mais


A Reserva Ambiental do Parque do Cocó começa no bairro Tancredo Neves, logo após o rio cruzar a BR- 116; e se estende até a Praia do Futuro. No total, são mais de mil hectares de unidade de conservação.

 

O Cocó é a maior bacia hidrográfica de Fortaleza, com215,9 quilômetros quadrados drenando as regiões leste, sul e centro da Cidade. Desdobra-se em 29 afluentes na margem direita e outros 16 afluentes do lado esquerdo, com uma área total (da nascente à foz) de 443,96 quilômetros quadrados.


De acordo com o Inventário Ambinetal de Fortaleza, a nascente do rio brota na Serra da Aratanha, em Pacatuba (Região Metropolitana de Fortaleza), e a foz está localizada na região do Caça e Pesca (litoral leste da Capital)

 

Multimídia


A importância de cuidar do Parque do Cocó é o Tema do Dia na cobertura de hoje dos veículos do Grupo de Comunicação O POVO. Confira:


Para escutar: Na rádio O POVO/CBN (AM 1010 e FM 95,5), o tema será discutido no programa Grande Jornal, das 8 às 11 horas, e/ou no programa Revista O POVO/CBN, das 15 às 17 horas.

 

Para ver: A TV O POVO trará uma matéria sobre o tema no O POVO Notícias, às 18h30min. Assista à programação pelo canal 48 (UHF), 23 (Net) e 11 (TV Show). Veja o vídeo na página da TV O POVO no Youtube.www.youtube.com/user/tvopovo.

 

Para ler e opinar: Acompanhe a repercussão entre os internautas na página do O POVO Online no facebook (www.facebook.com/OPOVOOnline ) e no portal O POVO Online (www.opovo.com.br/fortaleza).

 

Serviço

Para denunciar focos de incêndios ou desrespeitos às regras do parque - Batalhão de Polícia Militar Ambinetal (BPMA)

(85) 3101 3545

 

espaço do leitor
Dr. Mundico 08/11/2012 08:58
Frequentadores não costumam atear fogo no mato. Quem faz isso são moradores das favelas do entorno que vão fumar maconha e crack lá dentro.
Zé Bob 08/11/2012 08:47
É questão de tempo a perda daquela área. Nosso povo não dispõe de valor cívico de preservação e limpeza, indistintamente de classe social, além disso, o Estado, que é reflexo desse povo, não valoriza a questão e deixa como está. É questão de tempo. Adeus Cocó!
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