Medo. Essa é a melhor palavra para definir o que sente a estudante Amanda Cruz da Silva, 20, neste momento. Ela chorou durante toda a entrevista. Os soluços cortam todas as frases. De ombros curvados, postura imóvel, a jovem mostra-se apreensiva. Aparentemente, Amanda estava sob efeito de medicamentos e se mostrou confusa em algumas respostas.
Ela é acusada de atropelar e matar três pessoas na avenida Deputado Paulino Rocha, no dia 17 de março. No último sábado, 14, ela deixou a prisão após quatro meses de detenção. Agora, aguarda o julgamento. A estratégia da defesa será provar que o homicídio foi culposo, sem intenção de matar. Segundo o advogado Francisco das Chagas Alves, os exames feitos em Amanda não detectaram álcool e outros entorpecentes.
OPOVO - Nessa primeira semana de liberdade, o que você tem feito?
Amanda Cruz- Esses dias (pausa) não estão sendo tão bons como as pessoas pensam. Estou com medo. Eu não sou mais a mesma pessoa.OP - Você não tem saído de casa?
Amanda- Eu não tô na minha casa. Estou me escondendo. Tenho medo de andar na rua. Muitos pensam que estou livre (chora), mas estou presa ao mesmo tempo. Pensam que fiz porque quis. Mas não foi, não foi.OP - Você está recebendo algum acompanhamento médico nesse momento?
Amanda- Estou. Porque é uma coisa muito pesada e não só pra mim. Para a família foi um choque. Eu quero pedir perdão.OP - Aos familiares das vítimas?
Amanda- Isso. (Pausa) Não estava bêbada. E peço para as famílias que me perdoem. Sei que a dor deles é maior do que a minha, mas eu também sinto culpa.OP - O perdão deles seria uma maneira de aliviar a sua culpa?
Amanda- Seria um alívio. Eu vou pagar pelo que devo, mas espero que seja justo. Porque eu não tinha intenção nenhuma de matar ninguém.OP - Que tipo de locais você gostava de ir com os amigos e a família?
Amanda- Eu era mais caseira. Mas eu decidi aceitar o convite de um amigo e foi quando eu fui à festa.OP - Você passou a noite inteira lá?
Amanda- Na verdade, da festa, eu fui pra casa de um amigo (para dormir). Eu não fui de uma festa para a outra, como dizem.
OP - Na festa, você ingeriu algum tipo de bebida alcoólica?
Amanda- Não. Eu fui na festa para dançar e eu não bebo. Até testes foram feitos (depois da prisão). Eu deixei por livre espontânea vontade. Bafômetro, sangue, toxicológico e urina.OP - Para onde você estava indo na hora do acidente?
Amanda- Eu estava indo pra minha casa (pausa). Fui ao posto de gasolina, enchi o pneu e, ao descer o viaduto, uma moto barulhenta acabou passando por mim e me assustou. E acabou acontecendo (o acidente). Na hora em que botei (o carro) para o meio-fio, eu não cheguei a ver ninguém. Eu estava desorientada e sem saber o que fazer naquela hora. Quando a Polícia chegou e me levou para a viatura, foi que soube das vítimas.OP - Como você imagina superar isso para dar continuidade à vida?
Amanda- Essa parte eu não consigo pensar. Porque saiu em tudo quanto era jornal, as pessoas falando que eu fiz isso por querer. Coisa que não foi. Pra mim, está sendo muito triste... Não sei o porquê de ter escapado (do acidente).
ENTENDA A NOTÍCIA
No dia 17 de março de 2012, Amanda Cruz perdeu o controle do veículo após passar pelo viaduto da avenida Deputado Paulino Rocha e atropelou três pessoas. Marlene Silva Maia, 17, que estava grávida, Ana Rafaela da Silva Maia, 11 meses, e Alex Nascimento Sousa morreram na hora.
Geimison Maia
geimisonmaia@opovo.com.br
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