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Canhões 15/07/2012

A artilharia que virou enfeite de jardim em Messejana

Os canhões foram encontrados na Estação João Felipe há mais de 30 anos e hoje estão no quintal de um terreno particular em Messejana. O atual proprietário adquiriu as armas junto ao terreno, comprado há 10 anos
GABRIEL GONÇALVES
Entre 2001 e 2002, o terreno em Messejana foi vendido com todos os equipamentos que nele se encontravam, inclusive os canhões
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Três canhões antigos, que foram encontrados soterrados em 1975 na Estação João Felipe, atualmente fazem parte da decoração de um quintal em Messejana. O atual proprietário adquiriu as armas junto ao terreno, comprado há cerca de dez anos. A história destas armas está sendo resgatada por um grupo de pesquisadores autônomos que trocam correspondências sobre o período em que o Ceará foi ocupado pelos neerlandeses – também conhecido como ocupação holandesa.

 

Já se sabe que um dos canhões é do século XVII e os outros dois são do século XIX. Mas ainda é um mistério como eles foram parar enterrados na área onde depois seria construída a estação João Felipe. Quando foram descobertos pelos operários que trabalhavam na reforma das plataformas, os canhões viraram notícia pela primeira vez, no dia 27 de novembro de 1975. Uma pequena nota no O POVO, de título “Velhos canhões encontrados na estação ferroviária”, anunciava o achado.


Em busca de orientação, quando as peças foram achadas, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) procurou a 10ª Região Militar, o Museu do Ceará e a Divisão de Patrimônio Histórico da Secretaria da Cultura. Na época, o diretor do museu, Osmirio Barreto, sinalizou interesse em receber os canhões se fosse constatado que eles tinham relevância histórica. No entanto, ainda não se sabe ao certo por que os canhões continuaram na estação de trem.


Hamilton Pereira, que era engenheiro da RFFSA no período, conta que os canhões passaram cerca de dois anos “encostados”, até que alguém teve a ideia de deixá-los expostos na área recreativa da associação dos engenheiros da rede, que se localizava em Messejana. “Nós pintamos, levamos pra lá e botamos uma base parecida com a base da época”, lembra.


Entre 2001 e 2002, conforme os registros das atas da associação, o terreno em Messejana foi vendido com todos os equipamentos que nele se encontravam, inclusive os canhões. Quem agora convive com as peças são os funcionários da Companhia Eletromecânica e Gerenciamento (Ceneged), que aluga o terreno desde 2010. “Parece que era do Exército, né? Mas ninguém tem certeza não”, diz Antonio Bastos, funcionário da empresa.


O POVO tentou falar com o atual proprietário do terreno, que autorizou as fotos, mas se recusou a conceder entrevista


O quê


ENTENDA A NOTÍCIA


Três canhões achados soterrados na Estação João Felipe, no Centro de Fortaleza, há 43 anos, estão hoje em terreno particular no bairro Messejana. A história das armas está sendo resgatada por um grupo de pesquisadores autônomos.

 

Saiba mais

Augusto Bastos, empresário e pesquisador autônomo, ficou sabendo da existência dos canhões em Messejana e foi até o sítio fotografá-los. A visita rendeu um artigo, publicado na Internet, e as fotos foram enviadas para J. Terto de Amorim, um cearense que mora nos Países Baixos desde 1997.

 

Terto fascinou-se pela possibilidade de os canhões serem do período de ocupação neerlandesa e encaminhou as fotos ao Legermuseum – um museu do exército dos Países Baixos – iniciando um diálogo sobre as possíveis origens dos canhões. “Esses canhões que nunca foram estudados estão ganhando história”, diz ele.


Na avaliação dos especialistas do Legermuseum, os dois canhões menores são carronades – canhões de tiro de curta distância, utilizados em combates marítimos. A teoria dos especialistas é que os canhões são do século XIX e eram “produtos de exportação ou teriam pertencido a uma embarcação comercial”.

 

Já o canhão maior, provavelmente foi fundido na Inglaterra, no início do século XVII. No entanto, portugueses, holandeses e espanhóis importavam esse tipo de artilharia. Dessa forma, o canhão maior pode ser do período da ocupação neerlandesa, mas, conforme os pesquisadores, ainda é impossível saber ao certo.

Iane Parente ESPECIAL PARA O POVO
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J. Terto de Amorim 19/07/2012 05:27
Valeu as dicas do Ricardo Arruda, em Icapuí, e a pesquisa de Jan Piet Puype, em Amsterdam e Nico Brinck, em Terschelling. Graças a internet até a história do Ceará fica rica.
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Augusto Lima 15/07/2012 21:48
A Bela Messejana continua fazendo História!
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