Mobile RSS

rss
Assine Já
2012 06/07/2012

178 assaltos a ônibus em Fortaleza e Região Metropolitana

Sindiônibus aponta 178 casos entre janeiro e maio deste ano, uma média de um por dia. Número de assaltos vem diminuindo ano a ano
FOTO: MAURI MELO
Foi na linha Passaré/ Messejana que aconteceu o último latrocínio em ônibus registrado em Fortaleza
Compartilhar

Somente este ano, de janeiro a maio, foram registrados 178 assaltos a coletivos em Fortaleza e Região Metropolitana, uma média de um por dia. Comparando com o mesmo período de 2011 (158 casos), houve aumento de 12,6%. Apesar do crescimento, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus) destaca que o percentual de assaltos vem diminuindo ano a ano. Para se ter ideia, foram 567 ocorrências em 2009 contra 229 em 2011, uma queda de 59%.

 

Segundo o Sindiônibus, os casos começaram a reduzir depois que foi fechada uma parceria com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), no início de 2010. Desde então, uma equipe do sindicato passou a ter acesso, 24 horas por dia, à sala de controle e operações da Ciops. Um dispositivo eletrônico de GPS também foi instalado em cada um dos cerca de 2.200 ônibus que operam em Fortaleza e Região Metropolitana.


“Assim que o Sindiônibus recebe o aviso da ocorrência, alguns policiais são enviados ao local exato onde está o ônibus e outros passam a monitorar o deslocamento”, confirma o diretor do sindicato, Dimas Barreira. A redução dos assaltos, segundo o presidente do Sindiônibus, foi acontecendo de forma gradual, mas ainda está longe do ideal. “As pessoas ainda usam muito o dinheiro, ao invés do passe eletrônico. E isso atrai os assaltantes”.


Apenas 41% do valor usado para pagar a passagem é eletrônico e somente 5% é pelo Passecard avulso, comprado, por exemplo, nas farmácias. O restante é do vale oferecido pelas empresas aos empregados.


Além do monitoramento via satélite, os ônibus ainda contam com a ajuda de uma câmera de segurança, que acaba auxiliando no caso de uma prisão em flagrante. Os cobradores também são orientados, segundo Barreira, a depositar, em um cofre no interior dos veículos, todo o dinheiro que não será usado como troco.


A população, entretanto, não parece ter percebido, na prática, a diminuição do número de assaltos. A sensação de medo ao circular em algumas linhas que passam por lugares tidos como perigosos permanece. Na parada do Passaré/ Messejana, no Terminal da Messejana, o relato da maioria é de ter vivenciado uma situação de assalto. Foi justamente nessa condução que aconteceu o último latrocínio registrado em Fortaleza. Um passageiro foi morto numa tentativa de assalto, em dezembro de 2011, na avenida Dedé Brasil.


O almoxarife José Rodrigues, 52, por exemplo, ficou ressabiado desde que teve o celular levado em um assalto nessa linha. “Ando sempre com medo. Toda vez que sobe alguém no ônibus, fico atento. Não ando com dinheiro no ônibus nem com documento”, conta. O POVO tentou falar com o comandante da PM, coronel Werisleik Pontes, mas os telefones não foram atendidos. O assessor de imprensa estava viajando e também não atendeu as ligações.

 

ENTENDA A NOTÍCIA


O Sindiônibus aponta as adequações realizadas nos ônibus em Fortaleza como responsáveis pela queda gradual das ações de assalto a ônibus em Fortaleza e na Região Metropolitana

 

Saiba mais

Assaltos a ônibus no Ceará

2008: 609

2009: 567

2010: 396

2011: 229

2012: 178 (até maio)

Os dados foram passados ao O POVO pelo Sindiônibus.

 

Nem o Sindiônibus nem a Polícia Civil têm os levantamentos das linhas que sofrem mais assaltos na Região Metropolitana de Fortaleza.


Dimas Barreira afirma que os valores levados dos ônibus são o que menos importa para as empresas. Ele conta que a principal preocupação são os motoristas, cobradores e passageiros. “Pode até parecer demagógico, mas as pessoas são a nossa principal preocupação. Até porque os cobradores não carregam grandes valores nas viagens”.

 

O Sindiônibus informou que motoristas e cobradores recebem treinamento e orientação para não reagir a assaltos nos transportes coletivos.

 

Em fevereiro de 2011, um latrocínio chocou os usuários de transporte coletivo em Fortaleza. Um jovem de 18 anos, Webster da Silva Saldanha, levou um tiro dentro de um ônibus na Avenida dos Expedicionários, mesmo sem ter reagido ao assalto. Os criminosos ainda impediram que outros passageiros do ônibus prestassem socorro à vítima.

Angélica Feitosa angelica@opovo.com.br
Compartilhar

Veja também

Trauma pós-assalto
espaço do leitor
Paulo Ferreira Lima 09/07/2012 10:58
Se os empresários não se importassem com o valor, não exigiriam que os cobradores pagassem parte do que foi roubado. Tem que ser muito trouxa pra acreditar nesses caras.
Este comentário é inapropriado?Denuncie
1
Comentários
300
As informações são de responsabilidade do autor: