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Aldeota 26/05/2012

Piscinas abandonadas e o risco para a proliferação da dengue

O mosquito Aedes aegypti encontra espaço para se reproduzir na simples falta de cuidado com a piscina de casa
FOTOS EDIMAR SOARES
Um colégio ocupava esse espaço no passado. Hoje, além da piscina abandonada, muitos entulhos no local
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O local é uma área nobre da cidade e, nem por isso, deixa de ser atingido. Os arredores das ruas Coronel Linhares e Paula Ney, na Aldeota, são a prova de que a dengue não faz distinção de classe. Do alto de um prédio de esquina entre as ruas, é possível avistar nada menos de três piscinas abandonadas. Uma está numa cobertura, outra, na antiga área pertencente a um colégio, e a terceira, numa das casas que está fechada há, pelo menos, três meses.

 

Também na rua coronel Linhares, uma quarta piscina dá um exemplo: está coberta por uma lona. A casa está para alugar e o proprietário fez o correto. Já a água da piscina que pertencia ao colégio, na rua Paula Ney, está com coloração verde-escura, provavelmente causada por lodo. Ao redor e no interior dela, restos de materiais de construção. As outras duas já acumulam sujeira no interior.


“É por isso que tivemos alguns moradores com dengue. Aqui no prédio, é feita toda a vigilância e limpeza. Agora, com essas ruma de foco da dengue fica difícil, né?”, informa Eron Nascimento, 34 anos, porteiro. Uma das vítimas da dengue mora em outro prédio da região. “Lá em casa e no prédio todo, a gente sempre cuidou bem direitinho para não acumular água. Há duas semanas tive 40 graus de febre e fui parar no hospital”, relata Suzana Martins 36, administradora. É aquela velha história: não adianta nada o cuidado com a dengue se o vizinho também não ficar vigilante.


A Prefeitura não tem o levantamento de quantos prédios têm piscinas abandonadas. No entanto, Fortaleza concentra 25.824 imóveis desabitados. A informação foi repassada pelo o gerente da Vigilância Ambiental Bilógica, da Secretaria Municipal da Saúde, Urânio Nogueira, que acrescentou que a maioria desses imóveis está nos bairros da Secretaria Executiva Regional II, como Aldeota e Meireles. “São muitas as casas nessa situação de foco iminente da dengue. Em algumas casas, já existem as larvas do mosquito”, explica.


“A maioria das pessoas espera aumentar ainda mais a especulação imobiliária para fazer a venda”, acredita. Entre os prédios alguns se classificam como “abandonados”, ou seja, desabitados e descuidados, com acúmulo de lixo, são 2.980 em Fortaleza.

 

Periferia


As piscinas e tanques abandonados não se restringem à Regional II. Nas proximidades da casa do pedreiro Francisco José dos Santos, 42, no Mondubim, existe uma antiga chácara, desabitada, com uma piscina. “Eu não sei pra quem peço ajuda. Eu tenho muito medo. A gente abre a porta para os agentes. Mas não adianta nada se todo mundo não cuidar”, ensina.


Na semana passada, a prefeita Luizianne Lins assinou um decreto que autoriza o agente público a entrar em imóveis abandonados. O objetivo é que seja feito o monitoramento de possíveis focos do mosquito transmissor da doença nesses locais. A resolução vai garantir o acesso dos agentes sanitaristas a locais que antes só poderiam ser visitados com autorização.

 

Por quê


ENTENDA A NOTÍCIA


A falta de cuidados com a piscina gera espaço ideal para a reprodução do mosquito da dengue. Se não for adicionado cloro ou tampada com lona, a piscina é fonte certa para a fêmea do Aedes aegypti depositar os ovos.

 

Saiba mais

 

Água sem tratamento é um convite ao mosquito. É nas paredes da piscina, logo acima do nível da água, que ele deposita os seus ovos e põe, em média, de 100 a 150 minúsculos ovos que têm a casquinha bem dura. Fortemente colados à parede, os ovos resistem ali por até dois anos, à espera do contato com água para eclodirem.

 

Quando o uso da piscina for mais frequente, elas devem receber tratamento e filtragem adequados.

 

Outra ação importante para a piscina não se tornar um criadouro é a limpeza das bordas. É necessário passar a vassoura ou bucha nas bordas da piscina para descolar os ovos do Aedes aegypti que possam estar grudados. Quando a piscina está adequadamente tratada e limpa, a fêmea não deposita os seus ovos.

 

Quando o filtro não realiza a sua função com eficiência, é sinal de que está chegando ao fim a vida útil do equipamento.

Angélica Feitosa angelica@opovo.com.br
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espaço do leitor
monteiro 27/05/2012 09:37
O orgão responsavel pela endemias , precisa criar uma equipe para mapear e tratar os locais onde o vetor esta se reproduzindo, e nesses mesmos locais deixar os pontos estrategicos para um servidor passar semanalmente para colher dados , e saber se o mosquito ainda está se reproduzindo na area.
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Marcelo Barroso 26/05/2012 16:15
Do jeito que se fala de dengue, parece so ter em casa de pobre (cobre a caixa d´água, guarda o pneu velho...). Viva o BRasil!!!!
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Porto 26/05/2012 15:12
Com toda certeza, esses terrenos tem donos. O correto era aplicar uma multa por descaso a população. A saúde dos outros não afetão aos donos desses terrenos.
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Marcos Bentes 26/05/2012 11:29
Esqueci de mencionar um instrumento eficaz: fazer o que SP fez, que foi acabar com outdoors. Em Fortaleza os terrenos que juntam LIXO são justamente aqueles que servem para ganhar dinheiro com publicidade SUJANDO A CIDADE (lixo + visual). São muitos os meios para combater a especulação imobiliária.
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Marcos Bentes 26/05/2012 11:26
O Poder Público tem instrumentos para combater a especulação imobiliária (A constituição fala na função social da propriedade como CONDIÇÃO ao exercício do direito à propriedade em si; permite o IPTU progressivo; além de outros). Problema é simples: os vereadores também especulam e possuem imóveis.
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