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No Ceará 25/05/2012

75 crianças esperam por um lar; 355 querem adotar

Há muito mais interessados em adotar do que crianças disponíveis para adoção. Preferência por um perfil torna processo mais lento
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FOTO: EDIMAR SOARES
Isabelle, Carlos Augusto e o filho Felipe: amor imediato, maior que tudo

No Ceará, existem atualmente 355 famílias interessadas em adotar filhos. Na outra ponta, são 75 crianças e adolescentes disponíveis para adoção. Os dados - enviados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) - formam uma equação que não se fecha. Se há mais candidatos a pais do que meninos e meninas à espera de uma família, por que muitos ainda permanecem em abrigos?

 

“Essa discrepância se dá por causa do perfil de crianças que a maioria dos casais deseja adotar. Querem uma criança novinha, geralmente menina, de pele clara e sem doença. Ficam de fora crianças mais velhas, do sexo masculino ou com algum tipo de problema de saúde. Há uma divergência entre o perfil desejado e o perfil disponível”, explica Tibério Melo, defensor público do Núcleo de Atendimento à Infância e à Juventude.


No abrigo Tia Júlia, por exemplo, a maioria das crianças que ainda espera por adoção tem algum problema de saúde. “Temos 15 disponíveis para adoção. Dessas, 13 são especiais. São crianças com paralisia cerebral, hidrocefalia, autismo. Infelizmente, não fazem parte do perfil mais procurado para adoção”, lamenta Tatiana Jucá, enfermeira do abrigo.


“Quando aparece uma criança no perfil que é mais desejado, rapidamente é adotada. Quando não, fica muito tempo no Cadastro (Nacional de Adoção)”, lembra Tibério Melo. Apesar disso, ele reconhece que essa realidade vem mudando. “Mas é uma mudança muito lenta. Hoje em dia, não é tão raro (adotar fora do perfil). Um menino de 10 anos já tem chance de ser adotado. Mesmo assim, continua em desvantagem”, acrescenta.


A enfermeira do abrigo Tia Júlia conta que, este ano, uma criança com diagnóstico de paralisia (cerebral) foi adotada por um casal de São Paulo. “Era uma paralisia leve. Ocorreu tudo bem, foi um vínculo (com os pais) muito satisfatório. Mas foi um caso bem diferente”, reconhece.


A preferência por um perfil específico torna o processo de adoção mais lento. A Lei nº 12.010/2009, conhecida como a Nova Lei da Adoção, determina dois anos como o prazo máximo para a criança permanecer em um abrigo. Nem sempre isso é respeitado. “Ainda acontece de ficar mais do que esse tempo”, comenta a enfermeira do abrigo Tia Júlia.


Ato de amor


A burocracia para se adotar uma criança é compensada pela alegria de se ter o filho desejado. “Todo mundo diz que meu filho é abençoado porque foi adotado pela gente. Mas abençoados somos nós porque ele é a luz dessa casa”, emociona-se Isabelle Monteiro, mãe do Felipe, de 2 anos.


A enfermeira e o marido, o médico Carlos Augusto, trabalhavam no hospital onde o menino nasceu. Os pais biológicos nunca foram visitar a criança e o casal acabou se apegando a Felipe. “Ele era um bebê prematuro. Foi um amor imediato, maior que tudo”, define Isabelle.


Até conseguir a adoção, foram várias idas até o Fórum Clóvis Beviláqua. O casal deu entrada no pedido no dia 30 de junho de 2010 e recebeu a adoção no dia 25 de março do ano seguinte. “É como se o parto tivesse sido naquele dia”, compara.

 

ENTENDA A NOTÍCIA


O 25 de maio foi instituído como Dia Nacional da Adoção por meio da lei 10.447 de 2002. A data foi escolhida em alusão ao 1º Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção (Enapa), que ocorreu em 1996.

 

Saiba mais

 

A reportagem solicitou ao Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) o número de adoções efetivadas em 2012 e nos anos anteriores, no Ceará.

A assessoria de imprensa não repassou os dados porque não conseguiu localizar a pessoa responsável pelas estatísticas.

 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não dispõe do número de adoções por estado. O órgão divulgou apenas os dados sobre famílias cadastradas e crianças/adolescentes à espera de adoção (referentes ao dia 22 de maio deste ano).

 

A ideia da Nova Lei da Adoção é vencer a burocracia, reduzindo o tempo de permanência em abrigos e dando mais celeridade às adoções.

 

A Justiça tem prazo de dois anos para definir a situação da criança e do adolescente: ou volta à família biológica ou é encaminhado para a adoção.

 

O problema é que, muitas vezes, esse prazo não é respeitado.

 

Números


Estados com mais pessoas inscritas no Cadastro Nacional de Adoção


1. São Paulo: 7.439

2. Rio Grande do Sul: 4.391

3. Paraná: 3851

4. Minas Gerais: 3631

5. Santa Catarina: 2.128

6. Rio de Janeiro: 1.937

7. Espírito Santo: 643

8. Pernambuco: 441

9. Goiás: 439

10. Mato Grosso do Sul: 436

11. Mato Grosso: 396

12. Ceará: 355

13. Distrito Federal: 324

14. Bahia: 289

15. Paraíba: 224


Estados com mais crianças/adolescentes disponíveis para adoção

 

1. São Paulo: 1308

2. Rio Grande do Sul: 826

3. Paraná: 642

4. Minas Gerais: 618

5. Rio de Janeiro: 364

6. Pernambuco: 222

7. Santa Catarina: 221

8. Espírito Santo: 143

9. Distrito Federal: 119

10. Mato Grosso do Sul: 116

11. Bahia: 114

12. Goiás: 82

13. Ceará: 75

14. Mato Grosso: 68

15. Rio Grande do Norte: 58

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