Uma correnteza de espuma chamou a atenção de quem passou pela avenida Alberto Craveiro na altura em que a via corta um dos afluentes do rio Cocó. Durante a chuva da manhã de ontem, diversos pontos de espuma corriam em direção ao leito central do Rio Cocó, nas proximidades da BR-116.
Segundo Lincoln Davi Mendes, gestor ambiental de análise e monitoramento da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), a espuma surge a partir de uma série de eventos, sendo o primeiro deles a poluição do açude Uirapuru por esgotos domésticos. A grande quantidade de água fluvial faz com que o açude sangre, transbordando parte de seu volume no afluente do rio Cocó.
De acordo com Mendes, o aumento da vasão provoca agitação nas águas que, somada com a presença de dejetos químicos, produz as espumas. “Se eu colocar detergente em uma bacia cheia de água não vai acontecer nada. Mas se eu começar a agitar vai formar espuma”, exemplifica. De acordo com ele, a espuma é um sinal da poluição do rio.
O Cocó é monitorado em oito pontos pela Semace, conforme Mendes. Com exceção da nascente, que fica em Pacatuba, todos os pontos apresentam parâmetros em desacordo com a legislação vigente, determinada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “A quantidade de nutrientes (fósforos e nitrato) e coliformes está acima do máximo recomendado e o oxigênio dissolvido, necessário para degradar toda a matéria orgânica existente, está abaixo do mínimo”, revela Mendes.
Conforme a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam), as comunidades próximas à avenida Alberto Craveiro não são atendida pela rede pública de esgoto. Por isso, a Semam fará vistoria no trecho a fim de verificar possíveis ligações clandestinas de esgoto.
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informa que já existem obras em andamento para atender as 75 mil pessoas que vivem na área. A previsão de conclusão é até o fim de 2014.
ENTENDA A NOTÍCIA
O rio Cocó é considerado o maior rio urbano da América Latina. Na manhã de ontem, o afluente cortado pela avenida Alberto Craveiro apresentou diversos pontos com espuma, o que sinaliza a presença de dejetos químicos vindos de esgotamento irregular nas comunidades próximas.
Aline Moura
cotidiano@opovo.com.br
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