A segunda edição da Marcha da Maconha em Fortaleza ocorreu em clima de descontração e sem registros de confronto com a Polícia. Centenas de apoiadores da descriminalização do uso da cannabis sativa marcharam pela avenida Beira Mar, na tarde do último sábado.
Durante o percurso, os manifestantes entoavam um sonoro “sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor...” A reação da maioria das pessoas que estavam de passagem era de riso e não de recriminação. Até os personagens infantis Minnie e Cebolinha, do trem da alegria, apoiaram o movimento.
Segundo o monitor educacional Oswaldo Perdigão, 28, um dos organizadores da marcha, o que se pede é a revisão da política de combate às drogas, com o fim da criminalização ao usuários; a legalização do uso de drogas, pois o usuário deixaria de ter contato com os traficantes, segundo ele; e a votação, ainda neste ano, do projeto que pode descriminalizar o uso de drogas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo o uso recreativo, medicinal, industrial e religioso.
Oswaldo Perdigão informa que estudos apontam a maconha como uma substância que prejudica o usuário durante a formação do sistema nervoso, entre 16 e 17 anos. O antropólogo e professor titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Antônio Mourão, discorda: “jovens até 22 ou 23 anos que fazem uso regular da maconha podem ter grandes transtornos psiquiátricos”. Mourão informa que, em alguns casos, os jovens entram em surto psicótico e não retornam mais ao estado de sanidade mental.
A marcha, encerrada no anfiteatro da avenida Beira-Mar, fez parte do “maio verde”, mobilizando 28 cidades no Brasil e 1.220 no mundo. No sábado, saíram às ruas também manifestantes nas cidades de Belo Horizonte e Uberlândia (MG), Cuiabá (MT), Niterói (RJ).
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