Os fast foods e as comidas de self services parecem perder espaço na mesa. Mudanças nos hábitos alimentares e redução de custos já fizeram muitos trocarem a comodidade dos alimentos prontos pelo sabor da comida caseira. E, num cotidiano em que o tempo é curto, a velha marmita se torna uma boa opção para almoçar no trabalho.
É mais saudável, mais barato e mais agradável ao paladar, dizem os marmiteiros. Foi o desejo de emagrecer e a correria que fizeram o publicitário Walmick Campos, 24, aderir ao hábito. Há cerca de quatro meses, todo dia, a mãe dele já separa parte do almoço do dia anterior. “Ela prepara na quantidade que seja boa para a dieta. Comendo fora, acabo comendo mais”.
Almoçar de marmita também é uma opção para economizar tempo e dinheiro. Walmick tem duas horas de almoço, mas passa uma hora e meia malhando. Sobram 30 minutos. “Se eu fosse pedir, ia demorar mais e seria bem mais caro”. Por causa da academia, os colegas de trabalho Márcia Holanda, 53, e Eduardo Pereira, 23, também passaram a comer de marmita. “A gente malha e só vai almoçar entre 13h30min e 14 horas. Nesse horário, num self service não tem mais nada de bom”, diz a economista.
Eduardo também gosta da facilidade de poder escolher o que vai comer por um preço mais barato. “Eu posso escolher o que eu quiser. E o tempero já é conhecido”. Na marmita, costuma levar arroz, feijão, carne e salada crua. Márcia acredita que a comida de casa é bem mais saudável. No cardápio, macarrão integral com atum e verduras. Para os especialistas, a marmita é a opção ideal para quem quer controlar peso.
“Você já vai levar a quantidade adequada e não vai ter opção de repetir”, ressalta a nutricionista Karla Pinheiro. Para ela, outra vantagem é a higiene dos alimentos. “Você sabe a procedência. Num self-service, o alimento fica exposto três horas. Levando para o trabalho, a comida permanece no recipiente térmico fechado e na geladeira. Depois é só reaquecer”. É preciso, para isso, que a empresa tenha uma estrutura mínima de copa.
A nutricionista alerta que é necessário ter disciplina e contemplar todos os grupos de alimentos. “Algumas pessoas começam a fazer, levam direito uma semana, mas depois começam a levar só arroz, feijão e carne. Esquecem a salada, que dá mais trabalho”. No caso de Márcia e Eduardo, isso não é problema. A comida é preparada por outra pessoa.
Para uma boa marmita, a nutricionista Cristina Praciano, especialista em dietoterapia, sugere salada de legumes, salada crua, arroz (de preferência, integral), feijão e carne, frango ou peixe. Em dias corridos, um sanduíche saudável pode ser feito. O ideal, orienta, é levar a comida em um recipiente térmico ou em uma bolsa térmica. E deixar na geladeira. “Isso ajuda a manter o valor nutricional”.
O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Na correria do dia a dia, levar comida de casa para o trabalho é uma boa opção. As marmitas também estão sendo usadas como estratégia para controlar a alimentação, cortar os gastos e preparar a comida do jeito que cada um prefere.
Dicas para levar marmita
Antes de tudo, é preciso se programar e ter disciplina. Para quem chega cedinho ao trabalho, a comida pode ser feita na noite anterior e armazenada na geladeira. Um recipiente térmico e uma bolsa térmica ajudam a manter o valor nutricional.
A marmita deve ter salada de legumes; arroz integral (carboidrato); feijão; e carne, peixe ou frango (proteína). Além de salada crua (vitaminas e minerais), que deve ser colocada em uma vasilha separada.
Em um dia corrida, é possível levar sanduíches. Mas o sanduíche deve ser feito no pão integral com carne, frango, peito de peru ou atum (proteína) mais salada crua (alface, cenoura ralada, pepino). Deve enrolado no papel alumínio e armazenado na geladeira.
Uma opção prática é fazer pratos congelados. Há perda de nutrientes, mas ainda é mais saudável do que comer fora. Carnes, frangos e peixes de pratos congelados devem ser preparados sempre com molho, já que o micro-ondas usa a água do alimento para esquentá-lo.
O arroz pode ser feito com brócolis ou cenoura ralada. Purê de batatas e suflê de espinafre também mantêm uma boa consistência,
depois de congelados. A salada de legumes pode conter cenoura, brócolis, couve-flor.
O suco também pode ser levado de casa. Apesar de perder algumas vitaminas, com a mudança de temperatura, até 24 horas, a bebida consegue preservar boa parte dos nutrientes.
Melhor que o suco é a própria fruta. De preferência, uma fruta cítrica, como tangerina e laranja, que ajudam na digestão. Além de ter água, a fruta tira o desejo de comer doce.
FONTES: Cristina Praciano e Karla Pinheiro, nutricionistas.
Gabriela Meneses
gabrielameneses@opovo.com.br
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