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Imagens 28/01/2012 - 17h00

Monumentos religiosos são poupados pelos pichadores

As pichações, que atingem vários pontos da cidade, quase não podem ser vistas em monumentos santos
FOTO DEIVYSON TEIXEIRA
Na Praça do Cristo Redentor, há uma exceção. Lá, o corpo da estátua e a base da cruz não foram poupados


Nem é preciso um olhar aguçado: prédios públicos, muros de residências, lojas. Nada parece escapar às ações dos pichadores. A situação é mais crítica no Centro da Capital, como bem evidencia a Praça General Tibúrcio, popularmente chamada Praça dos Leões, na rua Sena Madureira. Uma nova pintura foi feita há menos de seis meses, mas o vandalismo já pode ser reconhecido nos muros da praça e até na base do monumento ao general.


Mas um passeio pela cidade evidencia algo inusitado. Os monumentos religiosos costumam ser poupados pelos pichadores. A estátua de Santa Edwiges, na avenida Leste Oeste, apresenta uma pichação na base, mas o monumento está intacto. “Pelo menos eles respeitam a imagem dos santos”, pensa a estudante Andressa Matias, 16, que mesmo sem ser frequentadora da Igreja, considera a ação dos pichadores um desrespeito.


O desrespeito também não atingiu a estátua de Nossa Senhora da Saúde, no Mucuripe. Mas já aparecem algumas contradições: em frente à estátua, fica o cemitério São Vicente de Paula, que tem uma capela ao lado. E para eles, o respeito ficou apenas na teoria.


Em outra região da cidade, no Bairro de Fátima, um fato curioso: não, a estátua de Nossa Senhora de Fátima não foi pichada. Pelo contrário. Nela, O POVO encontrou nomes e pedidos de bênçãos – tudo escrito a lápis ou, no máximo, a caneta. “É uma manifestação que faz parte da cultura cearense”, argumentou o professor Cleudson Santos, de 30 anos, que passava por ali.


Mas, afinal, por que muitas imagens santas passam ‘despercebidas’ pelos pichadores? De acordo com a antropóloga Glória Diógenes, existe um respeito com a religião. “Existe ainda, graças a Deus, uma perspectiva do que é sagrado”.


Ainda segundo ela, a pichação, mesmo tendo um efeito nefasto, não pode ser considerada apenas de forma negativa e destrutiva. “Esses jovens poderiam passar facilmente para o grafite”, garantiu. Para isso, Glória ressalta que é necessário ampliar o acesso a direitos sociais básicos, como educação e lazer. Outro ponto fundamental, segundo a antropóloga, é fazer com que as ações repreensivas tenham um caráter educativo.


Uma exceção

Na Praça do Cristo Redentor, na avenida Castelo Branco, a pichação ao monumento religioso impressiona. A torre não foi empecilho para o ato de vandalismo. Nem mesmo o braço direito do Cristo elevado, como que abençoando a população, deu jeito.

 

Tanto a imagem quanto a cruz que Ele segura foram alvos dos pichadores. A cena incomodou o turista Júlio Haag, pela primeira vez no Ceará. “Como tem pichação na cidade! Lá no sul é em menor escala. É uma ofensa com a religião”, afirmou Júlio.

 

Por quê


ENTENDA A NOTÍCIA


Apesar de muitos pontos de Fortaleza sofrerem com a ação de pichadores, monumentos religiosos costumam escapar da ação de vândalos. Para especialistas, isso ocorre devido ao respeito pela religião.

 

Legislação


A lei federal nº 9.605 dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.


Art. 65: Pichar ou, por outro meio, conspurcar (sujar) edificação ou monumento urbano:


Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.


§ 1º Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 meses a 1 ano de detenção e multa.


§ 2º Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional.

 

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Imagem preservada
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Comentários
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espaço do leitor
jose 04/02/2012 00:22
Essa é a questão, quem fiscaliza isso?????
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Aguiar 29/01/2012 20:23
Quem vai fiscalizar? A maioria das pichações são realizadas durante a madrugada.
Este comentário é inapropriado?Denuncie

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