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Ocupação 28/01/2012 - 01h30

Grupo mora nos arredores do Dragão do Mar

Um dos moradores está ali há seis anos. São catadores de material de reciclagem que querem sair da invisibilidade e ter mais respeito
FOTOS IGOR DE MELO
Alguns moradores de rua estão na praça há seis anos

Francisco Lopes de Lima aprendeu a ler com a Bíblia. Natural de Uruburetama, no meio século de vida, seu Francisco já foi vendedor de churrasquinho, pipoqueiro, marido, filho. Há seis anos, é o “pai” de homens e mulheres que vivem na praça Almirante Saldanha, vizinha ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, no Centro.

 

Líder de uma casa improvisada ao lado do busto em homenagem a Carlito Pamplona, seu Francisco pede uma vida diferente. “Pensei muitas vezes em voltar pra casa. Mas lá vou ficar com a mente ociosa. Preciso ter algo pra fazer. Queria um trabalho e que todos aqui fossem para um abrigo”, declara o homem, que consegue o sustento para todos a partir da coleta de material para reciclagem. Na cabeça, segue para o trabalho com a tabela do preço de cada material; nas costas, o saco que é meio de trabalho desde que o carrinho foi roubado.


E graças ao conquistado pelo suor – porque pedir ele não acha certo – há comida diariamente para os muitos dele. Todos que chegam na esquina das avenidas Pessoa Anta e Almirante Jaceguai sabem que sobre a fogueira do grupo tem almoço sempre. Para todos. “Chega drogado ou ‘bebum’ e eu mando embora. Mas quem precisa, a gente ajuda. Não fica um sem comer”, orgulha-se o homem que só não aceita a presença de gente “envolvida em confusão”. “Porque aí vem a Polícia e sobra pra mim”.


Para Cláudio Henrique, o Louro, de 25 anos, Francisco é “o pai da praça”. Há três anos, Louro foi levado às ruas pelo vício. “Quis não dar mais dor de cabeça pra minha família”. Sem casa ou documentos, a reciclagem foi a solução, e a “casa” de Francisco, o lar. “Queria uma oportunidade de trabalho. Porque aqui as pessoas passam olhando atravessado ou atravessam correndo a rua”, diz.


Incômodo


Ambulantes que trabalham na praça não são simpáticos às pessoas que vivem por ali. “Nas outras administrações do Dragão do Mar, vinha o segurança e botava tudo pra correr. Agora está assim, entregue às baratas. E eles deixam esse mau cheiro, urinam na rua, bebem, usam drogas”, reclama um vendedor, que não quis se identificar. “O turista chega aqui e dá de cara com esse pessoal, com esse lixo. Está tudo abandonado”, diz um colega.


A Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor) diz que, ainda neste ano, paisagismo e manutenção serão executados na praça.

 

O quê


ENTENDA A NOTÍCIA


Pelas praças do Centro, não é difícil encontrar bancos transformados em cama.
Na praça Almirante Saldanha, vizinha ao Centro Dragão do Mar, há fogueira e camas improvisadas por um grupo de moradores.

 

O POVO online

 

O repórter Moacyr Luiz, da rádio O POVO/CBN, entrevistou um dos moradores que ocuparam o Dragão do Mar. Escute em http://bit.ly/xyPhwo

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Comentários
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espaço do leitor
Emiliano 29/01/2012 15:33
Torço para que o programa do governo federal contra o crack, que prevê a internação involuntária de usuários entre logo em vigor o mais rápido possível!!! O seu Francisco pode não ser um dos viciados, mas a maioria dos moradores daquele entorno são!
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Sandro 29/01/2012 13:05
Independente de quão responsáveis sejam esses moradores de rua por suas atuais condições de vida, de fato, cabe ao poder público transformar essas pessoas. Imploro à Secretaria Municipal de Ação Social - Semas. Por favor, aproximem essas pessoas do trabalho e os distanciem de suas dependências.
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Sandro 29/01/2012 12:58
Fico me perguntando quais forças separam esse grupo de pessoas do trabalho organizado, pois emprego existe sim! Vocês podem comprovar isso pesquisando no Google por "Falta qualificação entre profissionais da construção civil no Ceará". É só um exemplo!
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Thiago. 29/01/2012 00:51
Triste é, mas quem trabalha por ali sabe que eles estão sempre ameaçando e extorquindo dinheiro de quem usa as proximidades para estacionar o carro.Fora o uso de drogas, que naquela área, não é novidade.
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Alexandre 28/01/2012 13:02
Muito bonita a história, pena que não é verdade, pois grande parte do sustento desses moradores é fruto da extorsão sobre quem trabalha no entorno, e por falta de outro lugar, se vê obrigado a estacionar na praça. A prefeitura deveria tomar providências urgentemente !!
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