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Praia de Iracema 26/01/2012

Blocos ameaçam boicote por falta de segurança no Pré-Carnaval de Fortaleza

Assaltos e arrastões assustam. Donos de hotéis e moradores também reclamam. Paredões seriam a causa
FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES
Conforme os blocos, os casos de violência têm ligação com o uso indiscriminado de paredões de som por integrantes de gangues
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Pelo menos três grandes blocos do Pré-Carnaval da Praia de Iracema ameaçam não sair neste fim de semana. Unidos da Cachorra, Bons Amigos e Camaleões do Vila alegam risco à segurança pública, evidenciada pelo baixo efetivo de policiais militares e guardas municipais disponibilizado para a festa, além de assaltos, furtos, ataques a veículos, agressões e até arrastões.

 

Diretores dos grupos argumentam que atos de violência acontecem principalmente após os cortejos, finalizados por volta das 20 horas. Os ataques seriam restritos aos foliões, visto que as agremiações dispõem de seguranças próprios para o resguardo de membros e equipamentos. Ao O POVO, o comandante de policiamento da Capital, coronel Giovani Pinheiro, disse desconhecer a situação.


A possibilidade de boicote ao Pré-Carnaval foi colocada em pauta em reunião dos blocos na noite da última terça-feira, 24. O entendimento é de que os casos têm ligação com o uso indiscriminado de paredões de som por integrantes de gangues. Os equipamentos são proibidos por lei municipal. “Temos medo de acontecer uma desgraça; morrer uma pessoa...”, pondera o vocalista do Unidos da Cachorra, Haroldo Guimarães.


O impasse será discutido hoje, às 14 horas, em reunião na Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços e de Cidadania. “Já reclamamos e disseram (Prefeitura e Governo) que iam aumentar a fiscalização. Mas não cumpriram. Queremos a garantia de que algo vai ser feito. Não estamos exigindo nada além do que é obrigação”, acrescenta diretor de bateria do Unidos da Cachorra, Fernando Bustamante.


Há paliativos para o boicote. Os blocos cogitam mudar itinerários sem aviso prévio, fazer festas em locais fechados e apresentarem-se só no ponto de concentração, em frente ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. “Colocam os paredões e ficam gangues dos dois lados. Há a possibilidade de alguns blocos não quererem sair ano que vem. Se não tomarem uma providência, eu não dou cinco anos pro Pré-Carnaval acabar. Só vão tomar uma atitude quando morrer alguém?”, indaga o mestre de bateria do Bons Amigos, Marcello Santos.

 

Perda


Todos lembram da perda para Fortaleza não só do ponto de vista da alegria, mas econômico e turístico. A cidade ganhou fama como a capital do Pré-Carnaval. “Um evento desse porte, com milhares de pessoas, devia ter contingente policial de uma partida de futebol. Tinham 300 mil pessoas no último sábado. A gente não via nem 20 policiais na rua”, lamenta o diretor do bloco Camaleões do Vila, Tiago Nóbrega.


Um dos grandes animadores do Pré-Carnaval da Praia de Iracema, o bloco Baqueta não pretende aderir ao movimento. “Apoiamos a questão da segurança, mas não compactuamos com não sair. Passamos o ano todo ensaiando para desfilar. Não é ficando parado que vamos resolver. Ficar parado é se dar por vencido. A gente vai pra avenida!”, argumenta o diretor da agremiação, Carlos Henrique Benevides.

 

 

ENTENDA A NOTÍCIA

Reunião hoje pode definir o rumo do Pré-Carnaval de Fortaleza. Caso não tenham garantias de reforço no policiamento, blocos se dizem dispostos ao “não-desfile”. Representantes reclamam de promessas não cumpridas.

 

SERVIÇO

Denúncias contra paredões podem ser feitas de 4 maneiras:

 

1) acionar a Ciops, pelo 190

2) ligar para a Semam, no 3452 6923
3) acessar o www.fortaleza.ce.gov.br/semam e relatar o caso no link “Denúncia Virtual”

4) ou chamar o Ronda do Quarteirão

 

Saiba Mais


A Guarda Municipal diz ter 36 homens no Pré-Carnaval. A Secultfor contabiliza 70.

 

Sobre blocos não saírem neste sábado, a Secretaria alerta: “irá tratar o assunto no âmbito do Fórum de Carnaval, composto pelo poder municipal e representantes dos blocos e agremiações carnavalescas”. Elas recebem incentivo financeiro da Prefeitura.

 

No sábado, a Semam recolheu quatro paredões na Praia de Iracema.

 

Multimídia

Em entrevista ao programa Studio News, da TV O POVO, o vereador Guilherme Sampaio, autor da chamada Lei do Paredão, e a coordenadora da equipe de poluição sonora da Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam), Astrid Câmara, conversam sobre a aplicação da legislação municipal no Pré-Carnaval. Assista o vídeo no endereço: http://bit.ly/w7SOop

 

Bruno de Castro brunobrito@opovo.com.br
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espaço do leitor
Fernando 29/01/2012 18:29
Querer colocar a culpa nos paredões? isso é ridiculo. Quem tem paredão é rico, não precisa roubar ninguém não. É mais fácil ele ser a vitima. A eleição chegando e muita politicagem no meio diso tudo.
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Gustavo Alencar 27/01/2012 17:25
Querer culpar os paredões de som pelo o que esta acontecendo, é no mínimo uma maneira de mudar do foco do real problema. Paredões esses que não aparecem em nenhuma foto do O Povo, isso pra mim é um som de porta malas.
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bastos 26/01/2012 17:38
Segurança falta na cidade inteira, os PM estão ganhando mais, graças a greve, mas a violência está pior.
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Moacyr Aguiar 26/01/2012 17:20
Depois que ocorreu greve da Policia e fomos massacrados por assaltantes sem dó, nunca mais tivemos sossego e paz.Diariamente a cidade está invadida por marginais, pintando bordando e cadê a Policia ?
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Hildeberto Aquino 26/01/2012 16:44
Eu duvido e muito que o pessoal dos blocos tenha essa LUCIDEZ e a ponham em prática. Querem é folia a qualquer custo e egoisticamente já que a maioria da população não gosta de carnaval então que arquem com as consequências. É temeroso!
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