O Maguary tenta reviver o passado há três anos, desde que seu departamento de futebol foi reativado. De lá para cá, luta para deixar de pé um clube que já esteve entre os mais tradicionais do Ceará. E nessa caminhada, a diretoria foi atrás até de preservar a antiga sede, na rua Barão do Rio Branco. O imóvel, que foi vendido pela agremiação em 1975, agora está prestes a ser tombado como patrimônio histórico-cultural.
O presidente do clube, Aguiar Júnior, entrou com o processo em 2009, via Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), junto ao Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural, composto por 17 entidades. O órgão já deu o parecer favorável e só falta a sanção da prefeita Luizianne Lins para que a fachada e a parte interna do prédio sejam tombadas.
“Aquele prédio pertence ao povo cearense”, argumenta Aguiar Júnior, que tem um plano para comprar o imóvel. “O grande trunfo já foi dado, que é não demolir mais”, comemora. Hoje, a casa que já foi um clube social dos mais bem frequentados de Fortaleza está desativada. “Atrás tem uma subestação da Coelce e a casa era uma repartição da empresa”, lembra o presidente do Maguary. A Coelce comprou o prédio há 37 anos, assim que a agremiação fechou as portas.
Atualmente o imóvel pertence à Fundação Coelce de Seguridade Social (Faelce). A entidade diz que não recebeu notificação, mas que está impedida de vender a casa por causa do processo de tombamento. “Mas não sou contra e nem a favor (do tombamento)”, garante o presidente da fundação, José Tarcísio Ferreira Bezerra, que só não entende muito a preservação de uma local já amplamente descaracterizado. “O que ficou mesmo são só os arcos da entrada. Lá dentro há muito tempo está tudo mudado”, conta. “Não existe nada lá que lembre o Maguary”, completa.
Resquícios
Mas não é bem assim. Escondido acima de um telhado em frente ao antigo estacionamento, as curvas do escudo do Maguary, presentes apenas pelo relevo, lembram que um dia o prédio abandonado já respirou futebol. “Só morremos quando somos esquecidos”, filosofa Aguiar Júnior, pegando emprestado, segundo ele, os dizeres de Sócrates.
Abandono
Fechado, o prédio já foi alvo de usuários de crack, que tentam roubar objetos para sustentar o vício
5,5 MI
Valor
Segundo avaliação da própria Faelce, o imóvel está avaliado em torno de R$ 5,5 milhões
História
O Maguary foi fundado pelos irmãos José, João e Raimundo Freitas Barbosa, além de Armando Guilherme da Silva e Hugo Sanders
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