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Artigo 20/10/2013

Religião e saúde

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Francisco José da Silva


A saúde sempre teve relação com a religião, os sacerdotes foram os responsáveis pelo cuidado dos enfermos e a atenção a estes era dada em principio nos templos. Com a modernidade e a descoberta das causas das doenças, como os micróbios, bactérias e vírus, a cura deixou de ter um caráter sagrado para se tornar resultado de uma atividade profana, a medicina.


Os egípcios são conhecidos pelas suas técnicas médicas desenvolvidas pelos sacerdotes. A religião grega sacralizou a medicina e a saúde, exemplo disso são as figuras mitológicas de Apolo, Asclépio e Hígia. Apolo o deus do sol, da musica, era também o deus da medicina, seu filho Asclépio era adorado como um médico sagrado, que por sua vez é considerado o pai de Hipócrates (460-370 a.C), o pai da medicina. Pitágoras (570-497 a.C), o filosofo grego, também é conhecido por suas curas milagrosas. Também são dignos de nota os médicos Galeno, no período romano, e os árabes Avicena (980-1037) e Averróis (1126-1198), vale dizer que a cultura religiosa islâmica foi responsável pelo desenvolvimento de instituições de saúde como o hospital.


Na Bíblia, a palavra equivalente a saúde é shalom; porém, esta palavra envolve um conjunto de outros sentidos possíveis: além de saúde e bem-estar, Shalom ocorre mais de 250 vezes em 213 diferentes passagens do Antigo Testamento. Shalom é usada 25 vezes no Antigo Testamento como saudação ou como despedida (Juízes 19:20, I Sam. 25:06,35.). Entre os judeus a saúde é vista como dom de Deus, assim como as plantas que são por ele criadas em vista de nossa saúde, assim como a atividade do medico. Como diz o Eclesiastes: “Honra o médico por seus serviços, pois o Senhor criou também a ele. É do Altíssimo que vem a cura, e é do rei que ele recebe o dom. A ciência do médico o faz andar de cabeça erguida, e diante dos grandes será admirado. O Senhor fez sair da terra os remédios, e o homem sensato não os rejeita. (...) Foi o Senhor quem deu a ciência aos seres humanos, para que pudessem glorificá-lo por suas maravilhas. Com os remédios o medico cura e acalma a dor; com eles o farmacêutico prepara unguentos. As obras do Senhor não têm fim, e o bem estar (saúde) que dele procede se espalha sobre a terra...” (Eclesiastes, 38,1-15)


Jesus no Novo Testamento se apresenta como aquele que veio curar os enfermos.


A doença era vista pelos judeus como originada do pecado, com Jesus ela passa a ser vista como resultado da negação do perdão. Ao perdoar os pecados, Jesus, em oposição aos fariseus, traz o ser humano para o centro, inclui aqueles que foram marginalizados. “Alguém entre vós está sofrendo? Então ore! Está alegre? Então cante louvores! Alguém entre vós está enfermo? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração de fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. E se tiver cometido pecado, será perdoado.” (Carta de Tiago 5,13-15).


Estudos recentes apontam para os efeitos que a oração e a crença em Deus tem na saúde das pessoas, como sensação de paz, serenidade, conforto, evitando assim os males modernos como pânico, depressão e estresse. Um dos maiores equívocos de nossos tempos foi o distanciamento da espiritualidade das questões de saúde, a secularização da medicina por parte de filósofos modernos como Descartes (séc. XVII) fez com o corpo, e a própria saúde, fossem vistos como resultado de uma mera interação mecânica entre suas partes.Questões como o aborto, a eutanásia e a própria preparação para a morte devem ser compreendidas não apenas como questões de saúde pública, mas inseridas numa concepção global que inclui a espiritualidade, a religião e o modo como as diversas culturas encaram os limites e a condição humana.


Francisco José da Silva é professor, mestre em Filosofia e coordenador do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Cariri (UFCA)

 

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