Mobile RSS

rss
Assine Já
22/04/2012

A importância do ensino religioso nas escolas

"No currículo do ensino religioso existem alguns critérios didáticos norteadores: ressurreição, reencarnação, ancestralidade e ateísmo (ou o nada) "
notícia 0 comentários
Compartilhar

Jonas Serafim

Diante de tantas especulações a respeito do ensino religioso, é preciso ressaltar a importância da concepção do conhecimento a respeito do Sagrado (Deus) no contexto multidimensional do saber humano. Como conhecimento religioso deve-se entender o Sagrado como um fenômeno nas diversas religiões e culturas.

 

O termo “aula de religião” foi historicamente ensinado nos parâmetros do cristianismo católico e já foi legalmente superado na Constituição Federal de 1988, artigo 210, e na Lei 9475/97. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação

Nacional estabelece que: “o ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação do cidadão, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.

 

O ensino religioso não trata de uma área de temas transversais, mas, acima de tudo, é uma área de conhecimento necessário em sintonia com os pilares da educação que busca aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser. Tem como objetivo “propiciar a aprendizagem significativa dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, analisando as diferentes manifestações do

Sagrado a partir da realidade do educando, subsidiando na formação dos questionamentos existenciais, contribuindo de forma interdisciplinar e transdisciplinar no exercício da cidadania e do convívio social, ético e pacífico e, promovendo o diálogo inter-religioso, o respeito às diferenças com o outro e com a natureza.”

 

O ensino religioso é outra linguagem, entre outras, que, no processo do conhecimento integral da vida humana, ajuda, no contexto das tradições cultural e religiosa, a discernir o saber de si próprio diante do desafio de um mundo complexo pelo pluralismo religioso.

 

O conhecimento que não contempla a linguagem da dimensão religiosa ou da espiritualidade não tem sentido pleno para compreender a vida humana. Sabendo que o ato de conhecer revigora no relacionamento da construção dos saberes, seria leviano ignorar o que sempre esteve na base do ensino e da aprendizagem do convívio humano, as questões: quem sou? Para que vivo? De onde vim? Para onde vou? Qual é a área de conhecimento que tem conteúdo próprio para responder estas questões senão as Ciências da Religião, expressas pelo ensino religioso?

 

No decorrer da história educacional do Brasil, houve várias tendências sobre a forma de conhecer o transcendente. Das três concepções de ensino religioso que existem no Brasil, no que se refere ao termo “religião”, a mais recente situa-se na visão de uma “releitura” (do latim: “relegere”, significa: re-ler) a respeito do fenômeno religioso, que se caracteriza pelo conhecimento hermenêutico, a partir do convívio social, no saber de si, e não como catequese (“reelegere”, quer dizer: re-escolher), como um povo escolhido, embora haja uma aceitação muito forte e atuante sobre as questões éticas ou vivência de valores (“religere”, isto é, religar a pessoa à Deus).

 

No currículo do ensino religioso existem alguns critérios didáticos norteadores, a saber: a ressurreição, a reencarnação, a ancestralidade e o ateísmo (ou o nada). E como eixos organizadores do conteúdo: culturas e tradições religiosas, textos sagrados, teologias, ritos e ethos (ética).

 

Tendo em vista a importância da educação religiosa, vale problematizar algumas questões norteadoras:
1) O ser humano tem uma espiritualidade? Qual? Como podemos evidenciar?

 

2) O ato de conhecer e pensar a existência não é também um ato da espiritualidade? Que argumento prático podemos exemplificar?

 

3) O que pressupomos alcançar é só o conhecimento científico em si ou existe uma finalidade espiritual? Quais as razões desta finalidade?

 

4) Existe ou não um senso religioso ou noções inatas com princípios discerníveis e indiscerníveis na estrutura do intelecto humano? Que exemplos podemos citar?

 

5) A concepção do conhecimento sobre o Sagrado não envolve uma dedução racional? Como?

 

6) Qual a importância do Sagrado (Deus) que o ensino religioso desperta na vida?

Jonas Serafim é professor de ensino religioso

Compartilhar
espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
300
As informações são de responsabilidade do autor: