EM FORTALEZA 10/09/2016

Inflação recua em Fortaleza, mas é a mais alta do País

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto em Fortaleza subiu 0,54% e ficou abaixo da taxa de julho (0,65%). Mas apesar desse recuo, a inflação da Capital cearense permanece como a mais alta do País no acumulado do ano (6,67%) e em 12 meses (11,03%).


Em agosto, o índice foi puxado pelos grupos alimentação (1,26%) e educação (1,53%). A gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Irene Machado, destaca que a alimentação não caiu como no restante do País, a média nacional foi de 0,30%, e os cursos regulares e diversos subiram, respectivamente 1,45% e 2,34%.


Analisando a inflação continuada e resistente de Fortaleza, Irene destaca o peso que do grupo alimentação que subiu 15,88%, no período de setembro de 2015 a agosto de 2016. “O gasto com alimentação em Fortaleza representa 33,34% do orçamento das famílias e só perde para Belém (36,02%)”, diz. Acrescenta que em igual período o grupo transportes, que também tem grande impacto, aumentou 10,30%, com destaques para a alta do ônibus urbano (14,58%) e da gasolina (16,27%).


O professor de Economia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Allisson Martins, diz que assim como nas outras cidades do Brasil, a resistência da inflação em Fortaleza está diretamente relacionada com o comportamento de elevação dos preços dos alimentos. “Vale salientar que no índice que mede o processo inflacionário, o item alimentos e bebidas é aquele de maior peso, cerca de 33,4% do total da inflação na Região Metropolitana, e além disso, em razão dos hábitos de consumo, alimentos e bebidas em Fortaleza possui maior importância comparativamente com outras cidades, e no índice do Brasil”, completa.


No Brasil, o item alimentos e bebidas possui peso relativo de 26,1%, enquanto que em Recife e Salvador, registram peso de 28,3% e 29,8%, respectivamente. “Assim, quando os preços dos alimentos sobem, em razão do peso relativo em Fortaleza ser maior, o índice de inflação se eleva de forma mais intensa”, explica. Adianta que depois do feijão, que chegou a apresentar aumento de preços elevados no mês passado, o novo vilão das finanças das famílias é o leite e seus derivados. “Quando se analisa no acumulado do ano, o leite e seus derivados já subiram mais de 21%, o que impacta diretamente no bolso das famílias, em razão do hábito alimentar dos fortalezenses”.


O analista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Daniel Suliano, diz que o fato de a inflação na RMF ainda continuar sendo alta se deve a persistência (inércia) dos preços livres, não obstante a permanência dos juros elevados. “Principalmente para a RMF, outros itens ligados aos serviços têm resistido à queda dos preços. Um exemplo disso são os itens de saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais e educação (item que teve forte variação por conta de cursos regulares)”, observa.


Acrescenta que, no caso das despesas pessoais, houve uma variação de 0,77% puxado pelo subitens de recreação. “Ou seja, os serviços em geral pressionam sobremaneira o IPCA da região”, avalia. (Artumira Dutra)


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