Dia dos Pais 12/08/2016

"Propaganda de margarina não cola mais"

Para publicitários ouvidos pelo O POVO, aproximação e autenticidade são fundamentais para conquistar clientes no Dia dos Pais. É preciso criar situações nas quais os filhos se identifiquem
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Lígia Costa ligiacosta@opovo.com.br
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Campanha de Dia dos Pais do O Boticário retrata a relação de padrasto e enteado


Apontada como a 5ª melhor data comemorativa para o varejo em Fortaleza, em pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), o Dia dos Pais é momento para a publicidade sensibilizar os consumidores. Para isso, é preciso buscar aproximação. “A propaganda de margarina, com tudo perfeito, não cola mais”, resume Pádua Sampaio, sócio da Delantero.

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Alexandre Vale, diretor de criação da Slogan, aponta a emoção e a autenticidade como estratégias eficazes para chamar a atenção do público consumidor. “Criar situações em que os filhos se identifiquem, momentos pelos quais já passaram ou gostariam de passar com seus pais, é sempre muito efetivo. Retratar cenas verdadeiras, depoimentos verídicos e convincentes acabam por conquistar o consumidor”, observa.


No entanto, o publicitário alerta para os perigos de se propor uma abordagem emotiva sem buscar uma essência real ou uma naturalidade. Segundo ele, o efeito pode ser inverso: “ao invés de emocionar, causa desconfiança”.


Quebra de paradigmas

Neste ano, a rede de cosméticos e perfumes O Boticário inovou em sua campanha de Dia dos Pais. Intitulada “Não é meu pai” e criada pela agência AlmapBBDO, a propaganda faz uma homenagem aos padrastos, valendo-se da emoção para mostrar a relação entre um padrasto e sua enteada. No Youtube, o vídeo já foi visto mais de 500 mil vezes.

 

Serginho Gouveia, redator da SG Propag, avalia que a propaganda, como a do O Boticário, vem tomando para si a função de quebrar paradigmas.


“A Boticário mostra que o pai é quem cria e que em nossa sociedade não existe mais apenas aquele formato da família tradicional. É mais difícil emocionar o público quando você aborda as minorias, mas, mostrando de uma forma bacana, sensibiliza”, analisa.


A melhor abordagem, segundo ele, depende do produto, do público para o qual a propaganda será direcionada, bem como do posicionamento do cliente, que preferivelmente não tenha “nenhum preconceito enraizado”. “Quem se posiciona a favor das minorias sai na frente. A propaganda tem que se posicionar como ferramenta contra a intolerância, o preconceito. E nós, criativos, temos que tentar, até em alguma sutileza, colocar isso”, frisa.


Alexandre reitera que a propaganda, assim como os meios de comunicação, estão em plena reinvenção, tendo em vista que o “consumidor já não se deixa levar por qualquer mensagem. Ela tem que tocá-lo de alguma forma”.


Pádua crê que, independente da abordagem, a propaganda deve sempre sobrepor a vida das pessoas à marca, produto ou serviço. “Em tudo o que a gente vai fazer, deve-se pensar de que forma aquilo vai se fazer importante na vida das pessoas e de maneira natural, colocando o holofote sobre as pessoas e a marca ser coadjuvante”, defende.


A competição por atenção, diz ele, vem obrigando o mundo publicitário a se posicionar de forma diferenciada e se aproximar cada vez mais do consumidor. “Não existe mais esse distanciamento. Empresas que entendem isso conseguem ter um alcance em todos os meios”.

 

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