ARTIGO 27/07/2016

Ivens Dias Branco, um cearense português

O jurista e professor Paulo Bonavides escreve homenagem póstuma ao cearense Ivens Dias Branco
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Numa de minhas viagens a Lisboa- aquela em que lancei a edição portuguesa da História Constitucional do Brasil- Paes de Andrade, meu saudoso amigo, coautor desse livro e futuro embaixador do Brasil em Portugal, me apresentou, no café da manhã, no hotel em que estávamos hospedados, ao cearense Ivens Dias Branco.


A impressão que logo tive desse empresário foi a de um cidadão de bem; simples, modesto, afável, cuja riqueza não afetava o tratamento atencioso e cordial que costumava dispensar a quantas pessoas os bons amigos porventura lhe apresentassem.


A humildade compunha um dos traços de caráter que mais simpatia e admiração lhe grangeava.


Alvo, por derradeiro, de merecidas homenagens póstumas que o Ceará ora lhe presta, Ivens Dias Branco se despediu da terra para a eternidade; mas dele, fica exemplo do homem da livre iniciativa que jamais fez do capital um estorvo aos avanços sociais de proteção ao trabalho.


Por seus vínculos de afeição a Portugal, Ivens nos traz à memória outro cearense, fervorosamente amigo da nação peninsular: o embaixador Dário de Castro Alves, que, ao desaparecer, deixou um vácuo na diplomacia brasileira.


Falo dessas duas personalidades com o mesmo sentimento de afeto às nossas raízes mais profundas de nacionalidade, de povo, de letras, de passado, de civilização e sobretudo do sangue que circula nas veias de milhões de brasileiros de ascendência lusitana.


Criou-se, pois, no continente, com a comunhão afro-indígena a América Portuguesa, à qual se associaram depois as correntes migratórias da Itália, do Japão, da Alemanha e dos países islâmicos, compondo a louvável unidade étnica da nação brasileira.


Saudando assim a memória do cearense português que foi Ivens Dias Branco, eu saúdo e reverencio em verdade, perante a dor, a saudade e a tristeza da família enlutada, a fraternidade de duas pátrias.


A esta altura invoco, como já o fiz em outra ocasião, o poeta Fernando Pessoa para dizer que a língua dos navegadores, dos conquistadores do oriente em passado remoto, é também a nossa pátria, porquanto ela perpetua laços de recíproca amizade e simpatia que unem o destino dos dois povos irmãos.


O sopro de inspiração proveniente da poesia de Camões e da prosa de Herculano restará eterno na consciência e lembrança de nossas origens.


Todo ele é uma lição de moral, de grandeza, de espiritualidade e cultura, sobretudo daquele humanismo que tanto iluminou os clássicos do idioma da vernaculidade nas letras de Portugal e do Brasil.


Em suma, rendendo essa singela homenagem ao cearense português Ivens Dias Branco, estamos homenageando por igual todos os brasileiros que ontem e hoje deram já seu testemunho de grande apreço pelo mundo lusófono ao qual nos honramos de pertencer.

 

PAULO BONAVIDES

jurista e professor emérito da UFC

 

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Paulo Marcelo Farias Moreira 27/07/2016 09:24
Um detalhe que me chama a atenção. Observamos carros parados irregularmente descarregando mercadorias de empresas cujos dirigentes dizem se preocupar com a cidade e são, inclusive, reconhecidos como colaboradores em diversas campanhas de solidariedade. Assim encontramos carros com água, cerveja e refrigerantes causando transtornos a todos nós. Mas não encontramos carros com produtos do Grupo M Dias Branco em atitudes que nos causem problemas.
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