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Mercado de bebidas 12/04/2012

Ypióca negocia, mas não fecha com Diageo

Diretor-presidente da Ypióca diz que a proposta feita pelo grupo inglês não foi suficiente para fechar a venda de parte da empresa. Ambos os lados contrataram consultorias para fazer estudos de precificação
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EDIMAR SOARES
O empresário Everardo Telles, que comanda o grupo Ypióca


O diretor presidente da Ypióca, Everardo Telles, 69, confirmou ao O POVO que chegou a negociar a venda de parte da empresa para o grupo inglês Diageo PLC, o maior do mundo do setor de bebidas (em receita).


Contudo, segundo ele, o martelo não foi batido porque não houve acordo quanto ao valor. Ambas as partes contrataram consultorias especializadas para realizarem o trabalho de precificação, o chamado Valuation.


Everardo não revelou o valor pedido nem o oferecido. Mas informou que o faturamento da holding Ypióca Participações (sete empresas) no ano passado chegou a R$ 300 milhões.


A Diageo, com sede em Londres, detém marcas como o uísque escocês Johnnie Walker, a vodka Smirnoff e o rum Captain Morgan. Até o veredicto da negociação, foram inúmeras as vindas de executivos da empresa à sede da Ypióca, na avenida Washington Soares, em Messejana. A última visita foi no final do mês passado. “A oferta feita por eles ficou longe dos nossos planos”, afirmou Everardo. Segundo ele, as conversas eram em torno de parte da indústria, e não do controle total.


A holding cearense reúne ao todo sete empresas. Produz, além de cachaça, água mineral, etanol, papelão, embalagens plásticas e medicamentos – estes ainda em fase de testes. No total, são 3.400 funcionários. Em 2011, foram produzidos 60 milhões de litros de aguardente, cerca de 10% da produção nacional.


Ao todo, a Ypióca tem quatro fábricas de aguardente. Eram cinco, mas a unidade de Acarape foi desativada. A empresa é uma das mais antigas do Ceará. Foi fundada em 1846 e está na quinta geração da família.


Sinais de interesse

O interesse da Diageo PLC pela Ypióca já vinha sendo especulado nos bastidores do mercado. E em entrevista ao jornal norte-americano The Wall Street Journal, o presidente da multinacional, Paulo Walsh, confirmara a disposição de investir no segmento.

 

O interesse pela indústria cearense coincide com o avanço do processo de reconhecimento da cachaça como um produto exclusivamente brasileiro. O trâmite começou esta semana em Washington, quando o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Irk, trocaram cartas.


O mercado norte-americano considera a aguardente como rum, embora sejam diferentes. Uma é feita pela destilação do caldo de cana. A outra, do melaço da cana-de-açúcar. A legislação dos Estados Unidos considera a apenas a origem (cana) e ignora as distinções no processo de fabricação. Ao mudar, o efeito esperado é de forte impulso nas exportações brasileiras. (colaborou Patrícia Borges, Especial para O POVO)

 

O quê


ENTENDA A NOTÍCIA


O Ceará é o quinto Estado exportador de cachaça do país, segundo o Ipece, e o volume de vendas vem crescendo ano a ano. Com o reconhecimento do produto pelo mercado dos EUA, essa valorização deve ser ainda maior.

 

As empresas do grupo

Ypioca

Pecém agroindustrial

Naturágua

Halley transportadora

Fortaleza Importação e Exportação

Boticário agropecuária e industrial

Amazônia Fitomedicamentos

 

Jocélio Leal leal@opovo.com.br
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