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Castanhas 23/02/2012 - 01h30

Havia risco de contaminação nos galpões

As castanhas apodreciam nos galpões da Conab próximos aos alimentos da merenda escolar
KLEBER A. GONÇALVES
Fachada da indústria de cera de carnaúba Roguimo, onde as mais de 263 toneladas foram incineradas


Nos últimos dez anos, a maior carga mantida nos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi a castanha de caju do Banco do Brasil. “O estoque ocupava uma área de 300 metros quadrados. Mas não prestavam mais pra nada”, diz o gerente do depósito da Companhia em Maracanaú, José Demontiê da Silva.


Segundo ele, nos demais armazéns também são estocados alimentos distribuídos nos programas da merenda escolar e cestas básicas do Fome Zero: arroz, feijão, farinha, fubá, leite em pó, óleo, macarrão. O risco de contaminação pelas castanhas estragadas aos demais itens chegou a ser apontado em documentação juntada ao processo. O local pode guardar até 30 mil toneladas de produtos alimentícios.


O POVO teve acesso a outras comunicações judiciais do caso. O pedido para incineração foi feito pela Conab em 2006, mas ainda em 22 de agosto de 2003 uma análise de classificação já apontou que as amêndoas já estavam “abaixo do padrão de comercialização”.


Na mesma data, a Conab orientou o Banco do Brasil (BB) para que vendesse logo o produto. As castanhas eram do tipo inteira, batoque/banda e em pedaços.


Sem documento

O advogado da Cocaju, Armando Cordeiro de Farias, disse que a castanha recolhida nas fábricas que não quitaram o empréstimo tinha qualidade inferior à que havia sido fornecida pelos pequenos produtores. “A outra boa já tinha sido vendida”. O superintendente da Conab, Eude Guedes disse que o produto chegou para estocagem em Maracanaú “sem documento de qualidade nem de validade”.

 

Isso também ajudou a agravar a morosidade no processo. As partes queriam que aquela quantidade pagasse todo o débito, que a castanha valesse mais. Tentaram até acordo, que não vingou. “No período em que a castanha permaneceu armazenada, o Banco do Brasil não obteve autorização judicial para comercializar ou dar qualquer fim ao produto”, informou o BB, em nota ao O POVO. Um ofício disponibilizado pela Conab informa, no entanto, que nos dias 20 e 31 de março de 2003, o Banco do Brasil até abriu licitação para vender as 263 toneladas penhoradas. Porém, nem apareceram interessados. E a castanha seguiu apodrecendo. (Cláudio Ribeiro)

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