O economista rural Mavignier França, consultor na área agrícola, diz que as 263 toneladas de castanha de caju incineradas são uma quantia insignificante dentro da realidade produtiva no Ceará. “É pouco, mas não quer dizer que essa seja uma situação comum (de tantos quilos do produto serem lançados ao fogo)”. Segundo ele, a produção média de castanha no Estado chega a 100 mil toneladas/ano. E de cada quilo, 22% são de fato a amêndoa que seguirá para exportação.
Como deveria ter sido a quantidade que agora virou lenha. O mercado interno consome apenas 15% do produto.
O consultor explica que, em deterioração, a castanha costuma ficar rançosa, emitir mau cheiro e juntar substâncias tóxicas. “A partir do segundo ano, a castanha começa a perder a validade”. Mavignier garante que a Conab faz um acondicionamento adequado, com armazém coberto, circulação de ar apropriada, estocadas sobre estrados e com corredores entre os lotes. “Mas nenhuma resistiria tanto tempo”.
A Cocaju, segundo o advogado Armando Cordeiro de Farias, reunia mais de 200 pequenos produtores de várias cidades cearenses. “Tinha de Itapipoca, Ocara, Aracati, Bela Cruz, Russas, Cascavel... Eram de muitos lugares. Só alguns assinavam o convênio, mas vários ajudavam na produção, então eram pra mais de 800 produtores”, enumera. Mavignier França fala que no Ceará há 150 mini-fábricas de processamento de castanhas. “E dessas, só 20 funcionam plenamente”, diz o consultor. (CR)
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