Uma notícia que à primeira vista pode ser considerada positiva foi divulgada ontem em estudo realizado pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED): em 2011, a formalização do mercado de trabalho na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) cresceu.
No ano passado, enquanto o número de assalariados com carteira assinada no setor privado cresceu 5,8%, a quantidade de trabalhadores sem carteira assinada caiu 4,7%. O número de autônomos também teve queda: 1%. O aumento da formalização do mercado de trabalho, porém, não é acompanhado pela redução proporcional da informalidade.
“Nesse crescimento da força de trabalho, uma parte vai para a formalidade, outra parte vai para a informalidade e uma outra para desemprego. O número dos que entram para a formalidade é maior do que quem vai para a informalidade. Isso ainda não foi suficiente para que a informalidade decresça no mesmo volume que a formalidade cresceu. Mas são dados positivos que refletem a redução na precarização e oferece um controle maior do mercado de trabalho”, explica Ediran Teixeira, coordenador da PED no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
“O crescimento na formalização foi o que determinou a dinâmica de ocupação na RMF. O resultado é fantástico”, disse Mardônio Costa, analista de mercado de trabalho do SINE/IDT. Apesar do resultado, revelou-se uma contradição: o rendimento médio real desses trabalhadores assalariados, cuja quantidade subiu em 2011, caiu de R$ 1.012 para R$ 989 entre 2010 e o ano passado. Paralelamente, a remuneração média dos trabalhadores autônomos saiu de R$ 617 para R$ 662. Ainda assim, a discrepância é grande. De acordo com Ediran, a cada R$ 100 de remuneração recebida pelo trabalhador com carteira assinada, informais recebem R$ 67.
Explicação
Reginaldo de Aguiar, supervisor do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), recorda que esse comportamento é antigo. Em 2010, no Ceará, a remuneração média dos trabalhadores formais (trabalhadores com carteira assinada no setor público e privado) era a mais baixa de todo o Brasil: R$ 1.228.94. A média de remuneração do Nordeste naquele ano foi de R$ 1.361,17. As informações são da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
“Uma das explicações é a questão da informalidade e do que os empregadores pagam por fora. Se eu tenho um salário de R$ 1.000, meus encargos trabalhistas chagam a 25%, ou R$ 270. Se o meu empregador incidir em cima de R$ 500 porque é o valor que ele registrou na minha carteira, os encargos trabalhistas caem para a metade. O empregador economiza a diferença em impostos”, explica Reginaldo.
Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Enquanto o número de assalariados com carteira assinada no setor privado cresceu 5,8%, a quantidade de trabalhadores sem carteira assinada caiu 4,7%. Apesar do resultado, o rendimento médio real desses trabalhadores caiu.
SERVIÇO
Para conhecer todos os números e o balanço anual de 2011, acesse:
Site: http://www.sineidt.org.br/Institucional/EstudosPesquisas
Saiba mais
Em 2011, o ritmo do desemprego ficou menos intenso do que em 2010. Em dezembro de 2010, o ano fechou com taxa de desemprego em 8,3%. Em dezembro de 2011, esse número caiu para 7,7%.
Entre 2010 e 2011, o nível de ocupação cresceu 2,4% na RMF. Em comparação com outras regiões metropolitanas do Nordeste também incluídas no estudo, a de Recife teve aumento de 6%, enquanto que em Salvador a taxa cresceu 0,9%.
O rendimento médio real dos ocupados aumentou 2%, passando a valer R$ 923. Em Recife, esse aumento foi de 6,7%, passando a valer R$ 1.009.
A variação da ocupação em 2011 no setor de construção civil foi a mais alta de todos os setores estudados. O crescimento foi de 15,8% em relação a 2010.
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