Mobile RSS

rss
2012 31/01/2012 - 01h30

Previsão de inflação cai, mas consumidor está com medo

Apesar de pesquisa do BC apontar redução na estimativa de inflação para este ano, uma outra pesquisa, dessa vez da CNI, diz que 54% dos consumidores acreditam em aumento da inflação
RAFAEL CAVALCANTE
Consumidores sentem a pressão da alta dos preços sobre a economia e podem comprometer as compras

Enquanto o consumidor brasileiro acredita que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses - segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) -, analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central (BC) reduzem, pela nona semana seguida, a estimativa de inflação para 2012, medida através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De acordo com a pesquisa Focus, do BC, o IPCA deve encerrar o ano com um índice de 5,28%. Na semana passada, essa estimativa era de 5,29% e, há um mês, de 5,32%.

 

Afinal, quem tem razão? O consumidor que sente a elevação dos preços, no dia a dia, ou os analistas de mercado, que calculam os índices de inflação de acordo com as mudanças macroeconômicas? “São duas percepções diferentes. De um lado estão os economistas, que veem o panorama mais global, internacional, onde o mundo cresce menos e a pressão inflacionária é menor. No lado do consumidor, que sente a pressão sobre os preços, há a visão do dia a dia, com uma preocupação com a inflação”, explica o economista Ricardo Eleutério, professor de economia internacional e de mercado de capitais.


Para ele, o problema maior, neste momento, não é a inflação, cujo risco de crescimento ele descarta, mas o crescimento. “A própria ação do Banco Central em puxar os juros pra baixo, através das sucessivas reduções da Selic, desde agosto do ano passado, sinaliza isso. A questão, agora, é animar a economia, porque a desaceleração da economia mundial virá”, afirma o economista.

 

Medo histórico


Na opinião do presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Vicente Férrer, há um medo histórico da sociedade brasileira em relação à inflação. Além disso, ele aponta que o medo do retorno desse fantasma também é causado por uma população que está muito endividada e não consegue ainda responder ao consumo, como o Governo deseja.


“Todos os grandes conglomerados, analistas, instituições e o meio acadêmico estão apostando que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresça somente 3%. O Governo precisa que o Brasil cresça mais que isso, por isso está estimulando as famílias a comprarem mais, aumentando o crédito e reduzindo a taxa de juros”, analisa.


“Quem teve pneumonia, tem medo de qualquer resfriado”, sentencia o consultor econômico e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Lauro Chaves. Ele explica que, durante quase três décadas, o Brasil experimentou níveis de inflação bastante elevados, o que teria levado a uma cultura inflacionária.


“As pessoas têm isso já no inconsciente. Quando vai haver um reajuste, como de condomínio ou de salário, fala-se que tem que repor a inflação do período. Esse medo da inflação é porque o consumidor tem consciência de que o principal prejudicado é o trabalhador assalariado”, argumenta o economista.

 

Por quê


ENTENDA A NOTÍCIA


Enquanto a pesquisa do BC analisa o cenário econômico nacional e internacional, a pesquisa da CNI trabalha com as expectativas e os anseios do consumidor brasileiro, que, muitas vezes, estão recheados com uma cultura inflacionária

 

Frases


Economistas ouvidos por O POVO analisam a expectativa de inflação medida pelo IPCA


Não está imune


Se a crise da Europa e dos EUA se aprofundar, pode trazer a inflação de volta. O Brasil está mais seguro que os outros países, mas não está imune.

 

Lauro Chaves, consultor econômico e professor da Uece

 

Medidas seguras

Acho que não existe o risco de a inflação

voltar. Isso aconteceu ano passado e o Governo tomou medidas seguras para conter o problema

 

Vicente Férrer, presidente do Corecon-CE


Crescimento


A própria ação do BC em puxar os juros para baixo sinaliza que não há risco de inflação. O problema maior passa a ser o crescimento e o secundário, a inflação.

 

Ricardo Eleutério, professor de economia internacional e de mercado de capitais

Bruno Stéfano bruno@opovo.com.br
0
Comentários
300
As informações são de responsabilidade do autor no:
espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.

Mais comentadas

anterior

próxima

Mobile RSS

rss