O atual momento econômico brasileiro, com as sucessivas reduções na taxa básica de juros (Selic), realizadas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), desde o ano passado, pode ser um ambiente positivo para a negociação de dívidas. Essa é a opinião do presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Vicente Férrer. Com a redução feita semana passada, a taxa Selic está agora em 10,5% ao ano.
Além disso, ele diz que as perspectivas até o final do ano para negociações são boas, porque o Governo está interessado em que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 5%, em 2012.
Para isso, deverão estimular o consumo das famílias, o que, por sua vez, significa facilidades no crédito e possível redução dos juros. “Com a taxa de juros menor, os gerentes de banco, que ganham por produtividade, tendem a refazer o empréstimo. O problema é que as pessoas ficam encantadas e aumentam a dívida, consumindo mais. É preciso que o consumidor tome cuidado”, aconselha.
Ele diz que o endividamento em si não é ruim, “desde que a dívida seja boa”. Vicente Férrer explica que exemplos de “dívida boa” podem ser vistos nos países onde a economia está estabilizada e as taxas de juros são reduzidas.
“Nesses países, geralmente um pai de família deve três vezes o salário que recebe por mês, mas antecipa um padrão de vida e consegue pagar, porque os juros são baixos. No Brasil, quando alguém se endivida além do que recebe por mês, acaba caindo no crédito rotativo, onde os juros chegam às vezes a 19% ao mês”, afirma. (BS)
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