Livrar-se das dívidas não é tarefa fácil. Principalmente, quando não há organização financeira e as altas taxas de juros dos encargos aumentam o problema a cada dia. A advogada Cristina (nome fictício), já está nessa luta há três anos. Com dívidas no banco devido ao cheque especial, cartão de crédito e empréstimos não pagos que ela utilizou para investir na reforma da sala, ela luta agora para não ter o carro tomado pelo banco.
Apesar das dívidas, Cristina não se desespera e ainda consegue manter o bom humor. “A crise chegou em mim antes de chegar na Grécia”, brinca. “A verdade é que fiz um mal negócio, pois não tive o retorno que esperava com os clientes”, acrescenta.
A advogada não está sozinha. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), da Federação do Comércio do Ceará (Fecomércio-CE), realizado este mês, em parceria com o Banco do Nordeste (BNB), 63,2% dos consumidores da capital cearense possuem algum tipo de dívida. O resultado aponta um crescimento de 4,5 pontos percentuais sobre o índice de dezembro (58,7%).
“Os indicadores mostraram que até 31 de dezembro, tivemos uma redução da inadimplência. Mas, com os gastos de dezembro, com o Natal e Ano Novo, as pessoas já entraram o ano mais endividadas”, afirma o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Vicente Férrer. Para ele, essa situação é ainda mais problemática devido aos gastos extras de janeiro, como o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e a compra de fardamento e material escolar dos filhos. “Mas, com o aumento no salário mínimo, muitas pessoas poderão direcionar esse extra para tentar quitar suas dívidas”, acrescenta Vicente Férrer.
De acordo com o vice-presidente da Fecomércio-CE, Ranieri Leitão, a falta de planejamento orçamentário é um problema crítico para o controle do endividamento, estando sempre entre um dos principais motivos para o atraso ou inadimplência. Ele diz que, dos fatores que os consumidores consideram os que mais contribuem para esse problema, estão: as compras por impulso, sem necessidade ou além do necessário, com 34,7% das respostas; a falta de orçamento e controle dos gastos, com 32,4%; a antecipação de compras, com 20,5%; e o aumento dos gastos considerados essenciais, com 19,4% das respostas.
Evitar novas dívidas
O presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Ceará (CRC-CE), Cassius Coelho, orienta que o primeiro passo para resolver o problema de endividamento é não contrair mais dívidas. “Principalmente, neste período do ano, em que há muitos gastos, nós orientamos que as pessoas não consumam produtos que não têm necessidade. O problema é que, nesta época, há também as tentações com as promoções”. Ele diz que o segundo passo seria procurar a instituição financeira para negociar.
Vicente Férrer aconselha também ao endividado conversar com um economista e procurar uma negociação administrativa junto ao credor. Ele afirma que muita pessoas estão conseguindo acordos vantajosos na Justiça. “Mas, a educação financeira também é muito importante. Quem desejar, pode procurar o Conselho Regional de Economia e pegar a nossa cartilha ‘Dicas Econômicas’, que está disponível em nossa sede”, orienta.
Como
ENTENDA A NOTÍCIA
Não há solução mágica para se livrar das dívidas e limpar o nome. O controle de gastos e receitas e a negociação com credores ainda são as melhores formas de acabar com o problema. O atual momento econômico, com a redução da taxa básica de juros, pode facilitar as negociações.
SERVIÇO
Cartilha Dicas Econômicas
Conselho Regional de Economia do CearáOnde: Av. Ant. Sales, 1317, Aldeota
Telefone: (85) 3246.1551http://www.corecon-ce.org.br
Números
71,3%
dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e controle dos gastos e rendimentos15,5%
dos fortalezenses garantem fazer orçamento mensal, mas não controlam os gastos e rendimentos
13,2%
dos compradores de Fortaleza relatam não possuir orçamento nem controle de gastos e rendimentos
Bruno Stéfano
bruno@opovo.com.br
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