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SARAMPO 09/02/2014

Vacina é o único meio de controlar o surto de sarampo

Único meio eficaz para evitar a doença, a imunização é feita na rotina de vacinas em duas doses %u2013 aos 12 e aos 15 meses
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“Olha, eu... Com quatro anos eu, em consequência do sarampo, que num era... naquele tempo não havia médico aqui no Assaré e muitas cegueiras vieram do problema do sarampo, onde eu perdi o olho direito. Foi em consequência de um sarampo. Não houve meio. O olho vazou”.

 

Patativa do Assaré - poeta cearense e Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará (UFC) – foi uma das tantas vítimas de complicações provocadas pelo sarampo. Pois, além de matar, a doença pode gerar pneumonia, fortes quadros de desidratação, sérios comprometimentos das mucosas e, como no caso de Patativa, a cegueira. A declaração - publicada no livro Patativa Poeta Pássaro do Assaré (Fortaleza, Omni, 2002) - foi dada ao pesquisador Gilmar de Carvalho.


Diferente da época de Patativa do Assaré, agora, é possível encontrar imunização gratuita na rede pública de saúde. As vacinas tríplice viral e tetra viral protegem – além do sarampo – contra outras doenças. A primeira é administrada aos 12 meses e a segunda é aplicada três meses depois. De acordo com Ana Vilma Leite Braga, coordenadora de imunização da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), na ocorrência do surto e contato com casos suspeitos, mesmo as crianças que já receberam as duas doses precisaram ser levadas ao posto de saúde para receber uma nova dose da imunização.


A campanha realizada nos últimos dias foi destinada para crianças a partir dos seis meses. Conforme Ana Vilma, esse público costuma receber a imunização com um ano completo, mas a vacina foi antecipada devido ao surto. Esta dose, entretanto, não vale para a rotina vacinal. “Estas crianças vão precisar receber as duas doses da rotina quando completarem as idades apropriadas”, explicou. Recém-nascidos e bebês de até seis meses costumam ter os anticorpos transmitidos pela mãe durante a amamentação.


Cuidados

Este foi o caso da pequena Lavigne, de apenas 2 anos, que já recebeu toda as vacinas apropriadas para sua idade, mas foi levada a uma unidade de saúde e tomou outra dose da tríplice viral. Vera Lúcia da Silva, 49 anos, avó da menina, diz que o reforço e o cuidado com a saúde nunca são demais. “Ela tem problemas de alergia. Teve algumas crises recentemente, inclusive. Sempre temos todos os cuidados com a vacinação, pois é o método mais eficaz para evitar as doenças”, afirma.

 

Vera acompanha todas as informações possíveis sobre a doença através de jornais e da televisão. Sabe quais os sintomas, os cuidados e os procedimentos necessários em situação suspeita de sarampo. “Há alguns dias, Lavigne teve algumas manchas e os vizinhos chegaram a cogitar sarampo. Mas eu nunca pensei nisso, pois para ser sarampo é necessário que a criança tenha pelo menos três sintomas. Sei que a febre, a tosse e problemas nos olhos são os mais comuns”. (Isabel Costa)

 

SAIBA MAIS


Crianças com menos de um ano tem mais chances de sofrer complicações devido ao sarampo - segundo a epidemiologista da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), Daniele Queiroz. Ela ainda disse que nenhum dos 11 primeiros casos de sarampo confirmados no Ceará tem esquema vacinal completo. Desse número, 60% eram meninos com idade inferior aos 12 meses e, portanto, não possuíam imunização.

 

Geralmente, 95% é a média de eficácia da vacina contra o sarampo. Este índice pode variar entre 90% e 98%. A tríplice viral protege, além do sarampo, contra rubéola e caxumba. Já a tetraviral, aplicada na rotina de vacinas aos 15 meses, é eficaz também no combate à varicela.

 

5% das pessoas não soroconvertem e, portanto, não produzem os anticorpos. O indivíduo, entretanto, pode soroconverter em doses posteriores da vacina - conforme explica a coordenadora de imunização da Sesa, Ana Vilma Braga.

 

O alerta das secretarias de saúde sobre a necessidade de realizar imunização levou muita gente aos postos de saúde da Capital. Alguns simplesmente não lembravam de ter tomado a imunização na infância, muitos não conheciam o paradeiro do cartão de vacinação, outros tantos querendo informações sobre a doença. Mas a maioria era formado por pais e mães que atualizavam ou buscavam as doses extras de imunização para os filhos – crianças de seis meses até cinco anos devem ser vacinados, mesmo que já tenham recebido as doses da tríplice viral ou da tetra viral.

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