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Psicologia 29/06/2012

Confusão marca debate sobre "cura gay" na Câmara

O deputado evangélico João Campos propõe que psicólogos possam oferecer tratamento para mudar a orientação sexual de homossexuais
ALEXANDRA MARTINS/AG. CÂMARA
Manifestantes pela diversidade sexual se retiraram durante a fala de Bolsonaro
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Gritos, bate-boca e muita confusão marcaram a audiência pública para discutir o projeto de decreto legislativo 234/11, conhecido como projeto de Cura Gay. De autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), da bancada evangélica, a proposta abre caminho para que psicólogos ofereçam tratamento para homossexuais mudarem sua opção sexual. Desde 1999, norma do Conselho Federal de Psicologia (CFP) proíbe que profissionais façam esse tipo de promessa aos pacientes.

 

O texto de Campos propõe ainda a retirada de outra proibição feita pelo CFP: a de profissionais usarem a mídia para reforçar preconceitos a grupo de homossexuais. A audiência, convocada pelo relator do projeto, deputado Roberto de Lucena (PV-SP), deveria ter cinco debatedores, mas apenas dois compareceram.


O CFP não aceitou o convite por considerar a composição da mesa pouco equilibrada. Em manifesto enviado à Câmara dos Deputados, integrantes do conselho afirmaram que atores importantes não foram convidados para o debate e lembraram que desde 1970 a homossexualidade não é considerada como transtorno psicológico.


A mesa esvaziada de debatedores, no entanto, não reduziu a temperatura da reunião. A polêmica ganhou força depois de uma das convidadas, a psicóloga Marisa Lobo, defender o direito de psicólogos atenderem pacientes que busquem mudar a sua orientação sexual. Ela disse acreditar ser possível que o paciente mude sua orientação se esse for o seu desejo.


O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT na Câmara, deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), disse ter ficado “constrangido” com a defesa da psicóloga. Marisa revidou, foi advertida mas, mesmo assim, não baixou o tom. “Não ofendi o deputado. Ele é que tentou me diminuir, tentando afirmar que minhas posições não podem ser consideradas apenas porque sou religiosa”.


A partir daí, o tumulto se formou. Bate-boca entre Marisa e representantes do Movimento Gay se instalou: “Ser cristão não significa ser alienada”, disse a psicóloga para uma plateia que revidava chamando-a de “barraqueira” e “fundamentalista”.


O duelo verbal somente não aumentou porque integrantes do movimento saíram quando Jair Bolsonaro (PP-RJ) começou a falar. “Quem gostaria de ter um filho gay?”, perguntou ele.

 

Por quê

 

ENTENDA A NOTÍCIA


Além do Conselho Federal de Psicologia, a Organização Mundial da Saúde também não compareceu à audiência, nem se justificou. A organização deixou de considerar a homossexualidade doença em 1993.

 

Frases


“Você pode discordar de todos neste País, mas se discordar de militantes homossexuais você é homofóbico. Nós vivemos a democracia. É preciso que as pessoas respeitem as diferenças e os diferentes”


João Campos, deputado

 

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espaço do leitor
Alexandre 29/06/2012 23:33
Vexatório.
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Carlos Henrique Carvalho Ferreira 29/06/2012 13:53
Pergunto aos cristãos se podemos propor leis intolerantes a sua convicção religiosa e pedir que parem de alienar a população.
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EDVALDO RONNE 29/06/2012 03:49
OPÇÃO SEXUAL É UM DIREITO DE CADA SER HUMANO. A EDUCAÇÃO SEXUAL É DADA PELOS PAIS. O ESTADO TEM QUE PROTEGER O DIREITO DO INDIVIDUO. NÃO SE PODE IMPOR SUA FORMA DE PENSAR. NÃO GOSTAR DE HOMOSSEXUAIS NÃO É SER HOMOFÓBICO. O QUE NÃO É CORRETO É DESRESPEITÁ-LOS.
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