A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou o corte de R$ 5,4 bilhões anunciado semana passada pelo Governo federal para a área da saúde. “A notícia nos trouxe grande preocupação”, afirmou o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade, em Brasília. O tema deste ano é “Fraternidade e saúde pública” e o lema, “Que a saúde se difunda sobre a terra!”
As críticas foram além do investimento na área, considerado baixo pela CNBB. Durante a cerimônia, foram apontados problemas como uso inadequado dos recursos, a tendência de terceirização dos serviços, além da fila de atendimento, espera para exames, falta de vagas e de medicamentos, além das deficiências encontradas na assistência a indígenas e quilombolas.
Presente à cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que escolha do tema permitiria a discussão sobre “o SUS real”, que por vezes se vê às voltas com problemas como baixa qualidade, falta de compromisso e omissão no atendimento. Contudo, mesmo admitindo as falhas, o ministro manteve a política adotada desde o início de seu mandato de não reclamar dos recursos disponíveis, porém, sim, prometer uso mais eficientes. Mais uma vez, ele defendeu a aprovação de lei de responsabilidade sanitária no Congresso, que prevê punições para administradores que não usam corretamente recursos destinados para a área da saúde.
O ministro garantiu ainda que o corte dos R$ 5,4 milhões não ameaça a execução de nenhum programa de governo, apenas adia a implementação de projetos previstos nas emendas parlamentares. “O orçamento deste ano é de R$ 72 bilhões, 17% a mais do que no ano passado”. A avaliação de Padilha, no entanto, destoa do diagnóstico feito pelo professor da Unicamp, Nelson Rodrigues. Para ele, além de o investimento per capita ser baixo, ele é mal empregado. (das agências de notícias)
O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
No texto-base da campanha, a CNBB expõe as grandes preocupações da Igreja com relação à saúde pública, como a humanização do atendimento aos pacientes e o financiamento da saúde pública, classificado pela confederação, como “problemático e insuficiente”.
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