Tributação 19/08/2016 - 11h21

O que compõe o preço dos carros no Brasil

A carga tributária incidente sobre os veículos no Brasil pode chegar a cerca de 35% do valor final
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Elves Rabelo elvesrabelo@opovo.com.br
Mesmo se zerássemos todos os impostos nos carros vendidos aqui, o valor final ainda seria mais caro do que os de carros vendidos no exterior
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Impostos, esses são os principais influenciadores dos preços altos dos veículos no Brasil. Se comparado o valor do carro mais barato vendido aqui, por R$ 28.360, com o mesmo vendido nos Estados Unidos, por US$ 7.326, a diferença chega a quase R$ 3 mil. Por lá, o mesmo modelo custaria por volta de R$ 25.520, com impostos. Se retirado todos os tributos estadunidenses, o carro custaria cerca de R$ 17.240. Já por aqui, sem os impostos, o mesmo carro seria vendido a R$ 19.149.

Os tributos federais incidentes sobre os carros no Brasil são: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de 17%, Programa de Integração Social (PIS), de 1,65%, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), de 7,6%, totalizando uma alíquota efetiva de 35,59%. Há também o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) embutido na formação do preço dos revendedores, que pode variar de 7% a 55%, conforme a cilindrada, o combustível e o fato de ser nacional ou importado, e o imposto de importação, de 35% para veículos que vêm de países que não têm acordo com o Brasil.

Em âmbito estadual há outra leva de impostos que são cobrados sob os carros. Há o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o ICMS, que têm alíquotas que podem variar entre 1% e 4%, dependendo do estado. O licenciamento, que é uma taxa para a renovação do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV) e, por fim, o seguro obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores (DPVAT), no valor de R$ 101,16 para carros.

De acordo com Jackeline Lucas Souza, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), com atuação nas áreas de legislação tributária, contabilidade de custos e economia, a falta de competitividade no Brasil é um dos itens que influenciam para valores tão elevados. "Conseguimos comprar veículos com mais itens de fábrica no exterior, do que os carros que adquirimos aqui no Brasil e eles possuem o preço menor", relata. Ela diz que a carga tributária brasileira é medida pelo volume de recursos financeiros que o Estado retira da sociedade na forma de tributos (arrecadação), comparada com a geração de riquezas em geral (produção), ou seja, no cenário atual, representa em torno de 37,95% do PIB.

 

Mesmo se zerássemos todos os impostos nos carros vendidos aqui, o valor final ainda seria mais caro do que os de carros vendidos no exterior. Segundo a professora Jackeline, isso acontece porque o cenário atual é inflacionário, de extrapolação de margem de lucro e de Custo Brasil alto. "Fica impraticável competir, uma vez que diversos tipos de tributos são embutidos na formação do preço [...], os quais compõem o Custo Brasil", afirma.

O alto custo da folha de salários, sobre os produtos importados, despesas de licenciamento, uso de marcas estrangeiras e a alta margem de lucro das montadoras são outros fatores que contribuem para o encarecimento do carro no Brasil, afirma João Eloi Olenike, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Ele acrescenta que "o preço do carro é como se fosse tabelado, com diferenças muito mínimas entre um concessionário e outro, independente do estado brasileiro".

Peso dos impostos
"O Brasil é um dos primeiros em arrecadação e um dos últimos em retorno", afirma a coordenadora de assuntos tributários da Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje), Silvia Wilbert, que, todos os anos, realiza pelo País o Feirão do Imposto com o objetivo de conscientizar a população sobre a carga tributária além de mostrar a arrecadação que o Brasil consegue anualmente.

Na visão dela, a população não percebe a quantidade de tributos incidentes sobre os produtos porque ela os paga de maneira indireta, cabendo às empresas a obrigação de pagá-los diretamente; tendo que repassá-los aos consumidores. Contudo, "a evolução da consciência tibutária tem avançado muito na população. Com a crise, as pessoas têm ficado apertadas e isso as leva a pensar", analisa Wilbert. Um em cada quatro brasileiros não sabe o quanto paga em tributos no País.

Impacto nas vendas
Para Jonathan Lelis, gerente de comercial da Fazauto, a alta taxa de imposto é a responsável pelos preços finais elevados dos produtos. Ele conta que, no total, os tributos municipais, estaduais e federais podem somar cerca de 40% do valor do veículo. "O custo de produção é muito alto e é preciso fazer o repasse à população", diz.

"Com a crise, todas as vendas caíram, todo o seguimento sentiu o impacto de algo em torno de 20%", acrescenta Jonathan. Vale lembrar que a quantidade de impostos varia de modelo para modelo, se é nacional ou importado ou mesmo relacionado ao tipo de potência do carro.

Estratégias
Em meio à crise, as vendas naturalmente caem e com uma alta carga tributária torna-se ainda mais complicado para o consumidor, afirma o gerente de comercial da Fazauto. Entretanto, como estratégia para manter as vendas, as concessionárias têm criado estratégias como, reduzir ao máximo a margem de lucro, facilitar as condições de pagamentos, taxas zero, negociações flexíveis, feirões internos, para dar mais conforto aos clientes, e incentivos financeiros como, cheque-bônus, que é uma espécie de "cupom promocional" com descontos para trazer o cliente à loja. "Essas estratégias servem para dar um oxigênio às empresas enquanto a crise não passa, já que a alta tributação não vai passar tão cedo", diz Jonathan Lelis.

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