Bloco econômico? 17/07/2014 - 08h29

Relações ainda limitadas, dizem especialistas

Apesar dos primeiros atos concretos, os Brics ainda não são um bloco econômico. Mas composição e proposta podem ser consideradas diferentes do que já existe
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Andreh Jonathas andreh@opovo.com.br
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Os chefes de estado de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que formam o Brics, assinaram em Fortaleza a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics e do fundo de reserva do agrupamento, além de outros atos. Mesmo assim, para especialistas ouvidos pelo O POVO, as relações ainda não evoluíram para a formação de um bloco econômico. A consideração é de que, apesar do interesse demonstrado pelos países e das primeiras ações concretas, o estágio da integração ainda é inicial.


“A cooperação é seletiva. Não tem, por exemplo, área de livre comércio. O comércio entre eles não é tão grande ainda. Entre Rússia e Brasil e entre Brasil e Índia, por exemplo, é bastante limitado. Além disso, há muitas áreas em que os Brics não concordam. Nem sei se vai chegar a esse nível e não existe um plano pra criar um bloco econômico”, analisa o professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel. Ele ressalta, no entanto, que a criação do banco é significativa. “Institucionaliza e formaliza a cooperação”.


Benelux

O primeiro bloco econômico regional semelhante ao que existe atualmente foi o Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo), formado no final da 2ª Guerra Mundial. A proposta era integrar essas economias para ganhar força. Depois, a Comunidade Econômica Europeia (CEE), que se tornou União Europeia (UE) em 1992, criada para gerar, entre outras integrações e benefícios multilaterais, livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e serviços. Existe ainda o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), o Mercado Comum do Sul (Mercosul), esta última uma união aduaneira.

 

Em comum, esses grupos têm sede e líderes definidos, além de um estatuto que regem as relações entre eles. Nada disso o Brics possui, o que leva ao argumento de não formar um bloco econômico.


Para o professor de mercado de capitais e economia internacional, Ricardo Eleutério, um dos marcos importantes na economia mundial foi a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird), na Conferência de Bretton Woods, que começaram a operar em 1946. De lá para cá, nada de novo tão relevante no setor econômico ocorreu.


“É possível que a constituição desse Banco do Brics e do fundo possa se constituir em uma referência nova e significativo nessa história mais recente da economia mundial. Não vai substituir FMI nem o Banco Mundial. Pode ser, no mínimo, um contraponto econômico à ordem mundial”, ressalta Eleutério.


Para Oliver Stuenkel, só os historiadores e estudiosos econômicos vão poder dizer, no futuro, se esse 15 de julho de 2014 foi uma mudança na nova ordem econômica mundial - ou um ensaio disso. Para ele, vai depender, dentre outras coisas, do patamar de intimidade que os Brics vão desenvolver. “Existe uma grande vontade entre os emergentes, mas, ao mesmo tempo, continuam participando do Banco Mundial e do FMI. Vai ser uma alteração gradual.”


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