PAÍSES 14/07/2014 - 00h30

Tem união, mas falta acordo

Na opinião de especialistas do setor econômico, a união entre os cinco países poderá fazê-los maiores, mas isso só ocorrerá se houver uma sede, um líder e uma constituição entre o grupo
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Janaína Marques janainamarques@opovo.com.br
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“O que é valoroso é a ideia de que os Brics poderão chegar mais longe caso se unam”, afirma o professor João Bosco Monte, presidente do Instituto Brasil-África, pós-doutor em relações internacionais, ressaltando que antever o futuro do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul é uma “tarefa perigosa”, já que falta o “tripé de sustentação”.

“É preciso haver uma secretaria, um endereço, uma sede, mas nada disso está definido. Também é importante que haja uma liderança. Quem é o porta-voz do grupo? Não há. É necessário que haja ainda um marco, uma constituição, um estatuto. Sem isso não conseguiremos ver uma ação orquestrada, longeva e funcional”, afirma.

Questionado sobre o que representa a 6ª Cúpula dos Brics, que será sediado em Fortaleza, entre hoje e amanhã, o professor utilizou um antigo provérbio africano para delimitar seu pensamento sobre o conceito de “união”, que pode se dar no encontro: “Se você quer ir rápido, vá sozinho, se você quer ir longe, vá acompanhado”.

Para Bosco, o que vai acontecer em Fortaleza não pode ser visto como algo que dará resultados em curto prazo. Segundo ele, a cidade representa o evento “simbolicamente”. “Estão previstos a assinatura, em Brasília, de aproximadamente 400 documentos em diversas áreas entre a China e o Brasil. São acordos bilaterais, o que é muito importante”, frisa. “A foto oficial será feita em Fortaleza, mas é em Brasília, que de fato vai se formar o músculo dessa operação”, acrescenta.

O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Roberto Feldmann, pontua que o mundo esta tornando os países mais dependentes uns dos outros, mas isso não os afasta de antigas potências. “Os mercados das potências tradicionais já são enormes e sempre serão fundamentais para os Brics, como mercado de acesso ou venda de produtos”, avalia.

Para o professor especialista em relações internacionais da Mackenzie, Francisco Américo Cassano, “a dependência das potências tradicionais não se elimina apenas com vontade política”. Conforme o especialista, a formalização da integração econômica necessita de acordos que permitirão a eliminação de tarifas e não apenas a criação de um banco do grupo.

NÚMEROS
400

Previsão de acordos entre Brasil e China


Programação

A VI Cúpula dos Brics e Fórum Empresarial

Hoje
14h: abertura

14h: reunião de ministros e presidentes de bancos centrais

Das 14h às 18h20min: foro empresarial

Das 14h às 16h: palestra perspectivas Econômicas Integração Econômica

Das 16h15min às 17h30min: palestra: Perspectivas de Integração Comércio, investimento, fluxo de pessoas e regulação

Amanhã
A partir das 10h: chegada de chefes de estado

Das 10h às 10h30min: Dilma Rousseff cumprimenta chefes de estado

10h30min: primeira cessão de trabalho da cúpula

12h30: foto oficial

Almoço


15h: assinatura de atos, seguidos de discursos dos chefes de estado

16h: show cultural

18h: partida para Brasília

Encontro empresarial dos Brics

Saiba mais

Fortaleza sedia debate sobre desenvolvimento dos Brics

Representantes de movimentos e organizações sociais do grupo que compõe o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reunirão, em Fortaleza, para o encontro “Diálogos sobre Desenvolvimento: o Brics na perspectiva dos povos”, nos dias 14 e 16 de julho.

O objetivo é discutir a construção de uma ação articulada das sociedades civis organizadas dos países Brics. Além de buscar fortalecer alianças contra o atual modelo de desenvolvimento econômico, que tem sido marcado também por invasões de territórios e violações de direitos.

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