02/09/2016 - 15h30

Produção industrial tem quinta alta seguida, mas recuperação ainda é tímida

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A produção industrial brasileira teve sua quinta alta mensal consecutiva em julho, algo que não acontecia desde 2012, mas ainda assim a recuperação é tímida, segundo apontam analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. De qualquer forma, como a confiança continua melhorando, as expectativas em geral são de que o setor seguirá em trajetória positiva.

A produção industrial subiu 0,1% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, e além disso o IBGE revisou a produção de junho de 1,1% para 1,3%. A mediana das previsões dos analistas ouvidos pelo Broadcast Projeções para julho era de estabilidade, na margem. Em relação a julho de 2015, a produção caiu 6,6%, na 28ª queda consecutiva. No ano, mesmo com os cinco ganhos mensais consecutivos, a queda acumulada ainda é de 8,7%. Em 12 meses, o recuo é de 9,6%. Segundo o Banco Fator, a produção do setor está 18,2% abaixo do nível recorde atingindo em junho de 2013.

A economista da CM Capital Markets Jéssica Strasburg aponta que os setores farmacêutico e de veículos puxaram para baixo a produção industrial de julho, o que explica a diferença do resultado em relação à sua projeção, que era de alta de 0,5%. Mesmo assim, ela afirma que a confiança da indústria continua subindo e que a produção deve seguir melhorando nos próximos meses.

"Para quem vinha de uma sequência tão ruim de baixa, uma alta de 0,1% pode ser comemorada. A indústria acumula cinco meses consecutivos de ganhos", argumenta. A analista indica que, entre as categorias, apenas bens intermediários subiu na margem (+1,6%), enquanto bens de consumo recuou 1,0%, com baixa de 1,9% em não duráveis e alta de 3,3% em duráveis. Já a produção de bens de capital teve retração de 2,7% na margem. "Investimento de fato não está acontecendo", admite.

O economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, indica que o avanço em bens intermediários foi puxado por segmentos como metalurgia, derivados de petróleo, óptico e produtos de borracha e plástico, o que retrata uma demanda de insumos mais forte da própria indústria. "Em linhas gerais, a dinâmica industrial do segundo trimestre mostrou recuperação com recomposição de estoques e julho, mesmo de lado, aponta para possível uma recuperação (da economia) no terceiro trimestre", diz.

Com uma visão menos otimista, o economista-chefe da consultoria Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus Netto, afirma que a recente melhora na indústria vem mais de um ajuste de estoque do que de um aumento na capacidade produtiva. "O que chama atenção é que a produção de bens de capital está recuando muito, com contração de 11,9% na comparação interanual. Não temos uma verdadeira retomada na indústria, porque por enquanto está se usando a capacidade instalada já existente", aponta.

Hegedus cita o exemplo do setor automotivo, que mostrou uma recuperação interessante nos dois meses anteriores, mas voltou a cair em julho. Segundo ele, o que houve neste caso também foi mais um ajuste de estoque. "Esse foi um setor que teve uma política muito forte de estímulos do governo em 2013, 2014, e quando houve uma reversão disso o tombo foi feio. Agora eles estão se ajustando a uma demanda muito menor, estão tirando o artificialismo", explica.

Para a MCM Consultores, aumentam as sinalizações de que a indústria está no fundo do poço. "Ainda não acreditamos em uma retomada da atividade industrial no curto prazo em função dos estoques que ainda se encontram elevados e também por conta da demanda que segue fraca. De toda forma, esperamos que o segundo semestre seja melhor para a atividade fabril", dizem os analistas em relatório.

A consultoria Parallaxis também não crê em uma forte recuperação. "Acreditamos que estamos diante de dois cenários possíveis, um no qual a recuperação se dará de maneira mais lenta e gradual e outro no qual estamos diante de uma estabilidade em um patamar muito baixo de atividade, que perdurará por um longo tempo."

A Parallaxis estima que a produção industrial encolherá 6% este ano, em linha com a pesquisa Focus do Banco Central, que prevê contração de 5,98%.

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