Um acordo para o aumento de capital do Banco do Nordeste está perto de ser fechado, de acordo com o diretor de Gestão do Desenvolvimento do Banco, José Sydrião de Alencar.
Segundo ele, o deputado federal Danilo Forte (PMDB-CE) negocia com o Ministério da Fazenda uma emenda à Medida Provisória 564, que, entre outras coisas, prevê o fim da exclusividade d BNB de operar o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), além de financeirizá-lo.
Na emenda, Danilo prevê um aporte de R$ 4 bilhões do governo federal aos cofres do banco, aumentando seu capital. Segundo Sydrião, o aporte pode ser feito em duas vezes, de acordo com a negociação, a primeira de R$ 2,5 bilhões, em 2013, e a segunda de R$ 1,5 bilhão, em 2014. Além disso, ficaria acertado que, nos anos seguintes, haveria novos aportes, de acordo com o crescimento do banco.
O presidente do BNB, Jurandir Santiago, não confirmou essa informação. Disse que a discussão sobre um aumento de capital do banco acontece apenas no âmbito do Congresso Nacional, e que hoje o banco está enquadrado no Tratado de Basiléia, com recursos equivalentes a 16% das contratações - quando a norma impõe no mínimo 11%.
De acordo com Jurandir, a financeirização do FDNE será muito positiva para o banco, mesmo se houver o fim da exclusividade das operações, já que os recursos aplicados não serão mais devolvidos ao Tesouro Nacional, como hoje acontece. Voltarão para o banco poder reaplicá-los, ampliando ano a ano seus recursos.
Ele prevê que, em 10 anos, o fundo salte dos atuais R$ 2 bilhões por ano, para até R$ 35 bilhões. "Mesmo dividindo os recursos com outros bancos, será mais do que aplicamos hoje", afirmou. Pela MP, o FDNE passará a ser operacionalizado também pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.
*A repórter viajou a Salvador a convite do BNB
Kamila Fernandes
kamilafernandes@opovo.com.br
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