Cinema cearense 02/09/2016 - 15h05

Cineasta fala sobre o lançamento do filme "O Shaolin do Sertão" no Ceará

O mesmo criador de "Cine Holliúdy", Halder Gomes fala em uma conversa descontraída sobre o processo criativo e conta detalhes da produção; veja fotos e trailer do novo longa
notícia 2 comentários
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Bruna Damasceno bruna.damasceno@opovo.com.br
Jarrod Bryant
"Quando é algo que faz parte da sua memória, do seu coração, do seu sentimento, você vai falar com a verdade. É isso que eu queria fazer com o meu cinema"

O filme "O Shaolin do Sertão" estreia no próximo dia 13, exclusivamente nos cinemas cearenses para depois conquistar espaço em todo o País. Para conhecer esta produção genuinamente nordestina, O POVO Online conversou com o 'arretado' cineasta de Senador Pompeu, Halder Gomes, que conta com uma trajetória cinematográfica envolta de personalidade e tem levado a alegria do povo do Ceará para o mundo.

O criador do longa de sucesso “Cine Holliúdy” explicou sobre a inserção da cultura cearense no cinema brasileiro, em suas produções. Formado em administração e mestre em taekwondo, o multifacetário cineasta já se aventurou no exterior sendo dublê de lutas em filmes de artes marciais, mas o que ele queria era retratar de forma realística, afetuosa e bem humorada o sertão. “As histórias que a gente pode contar melhor são aquelas que temos conhecimento profundo, que vivemos. Quando é algo que faz parte da sua memória, do seu coração, do seu sentimento, você vai falar com a verdade. É isso que eu queria fazer com o meu cinema”.

Halder descreve a raiz deste universo cinematográfico idealizado por ele: “Eu sempre morei aqui, fui para os EUA aprender, tinha meus objetivos aqui, tinha uma profissão, mas era extremamente arriscado, ainda mais fazendo a opção de não ir embora daqui, eu não queria sair daqui, queria poder estar aqui e contar essas histórias para elas ganharem o mundo”. Ele explica que embora tenha tido oportunidade de seguir carreira fora do Brasil, escolheu ficar na terra natal. “A gente tem um universo cultural absurdo, de boas histórias de todos os gêneros, e eu queria muito poder retratar esse universo que ainda tem muitas coisas para contar, como opção de carreira, acredito que isso é o que tinha de diferente para gente apresentar”.

O produtor conta ao O POVO Online que sua maior referência e inspiração são as pessoas em suas individualidades. Observador e crítico do mundo ao redor, ele encontra nos recortes cotidianos e nas artes a mistura eloquente para a identidade artística. “Me inspiro no popular, no dia a dia, nas pessoas que vejo nas ruas, que convivo, os lugares que frequento, são memórias de uma história de vida, são os elementos que estão ‘aí’, no nosso jeito de ser, de falar”.

“No ponto de vista estético cinematográfico, são todas as influências ou inspiração, não sei qual a palavra pode-se dizer. Sou apaixonado por pintura, surf, luta, cinema, um monte de coisas, então tenho muitas interferências de muitas coisas, o tempo inteiro. Que vai da pintura barroca a Chico da Silva, passando por tudo que você imaginar. Por pintores holandeses do século XVll indo ao modernismo, ao expressionismo, então isso tem um impacto na minha paleta de cores e o que eu vou apresentar como estética”.

A fotografia do filme também é pensada de forma criteriosa, é o que explica Halder: “Por outro lado, também estudo a pintura holandesa dos mestres da luz, eu já tenho influência na tridimensionalidade das lentes, das cores, de luzes, tudo isso vai dando um caldeirão de informações. Gosto de ver filme de Tarantino, de kung fu, filme chinês, ‘aí’ cria uma confusão medonha, onde eu assisto de tudo, o tempo todo, e é minha grande formação. Acabo absorvendo essa quantidade de informações que eu não sei necessariamente quando vira alguma coisa, mas tem sempre alguma coisa ali”. E une essas fusões culturais a natureza nordestina: “E que combina bem com esse universo local, vira algo com cara própria, faz parte de uma maturidade”.

Halder fala sobre o impacto dessas influências, e comenta sobre a maturidade profissional comparando com a arte: “Eu sempre associo a direção em cinema a uma maturidade na pintura também, se você for ver a fase azul do Picasso, é uma fase que pode-se dizer que tem vários pintores equivalentes, quando passa para o cubismo, a gente já sabe que foi o Picasso que fez. Então essa evolução de um diretor, é quando ele chega e faz um filme que você olha e diz: esse filme é desse diretor. Embora conte outras histórias totalmente distintas, têm coisas que são marcantes e são referências, eu acho que hoje, como diretor, estou conseguindo chegar a uma maturidade onde esses filmes tem uma identidade muito marcante”.

Além de Cine Holliúdy e Shaolin do Sertão o profissional tem em sua filmografia a direção de "As Mães de Chico Xavier", codirigido com Glauber Filho, "Cadáveres" e "Sunland Heat – No Calor da Terra do Sol".

O Shaolin do Sertão

O filme se passa em no Sertão Central do Ceará, em Quixadá na década de 80, mas precisamente em 1982, na era do vídeo cassete. Diferente de "Cine Holliúdy" que descreve a época dos cineminhas no interior do estado, o novo longa fala de uma época em que o aparelho de vídeo cassete era o desejo de consumo de muita gente.

No enredo, o protagonista Aluízio Li ( Edmilson Filho) acredita ser um monge Shaolin, e até se veste como tal, sendo a maior vítima de chacotas em sua cidade natal, Quixadá. Seu mundo de fantasias é posto em risco quando "Toni Tora Pleura" (Fábio Goulart), um lutador aposentado de vale-tudo, anuncia um "tour" de desafios por várias cidades do interior do Ceará, inclusive, Quixadá. O elenco conta com nomes como Dedé Santana, Edmilson Filho, Fafy Siqueira, Marcos Veras, Tirulipa, Falcão, Bruna Hamú, Igor Jansen, Frank Menezes, Karla Kareninna, Haroldo Guimarães, Fábio Goulart, Lailtinho Brega, dentre outos talentos locais.

O diretor explica sobre os nomes cômicos e sobre o nascimento do personagem principal: “ Aluisio Li, esconde o nome original que é Linduino, gosto de brincar com essa coisa de esconder o nome, é uma coisa marcante, o cearense não tem nome comum, gosta de fazer 'inxame'”, brinca.  “Então, ele é uma figura que é alucinado por esse mundo das artes maciais, que vive com a cabeça no mundo da China. Ele é uma figura muito real para quem conhece esse universo da arte macial. Filmes nesse estilo, já produziram vários tipos de figura, no caso de Anderson Silva, que começou como Aluisio Li e terminou como Anderson Silva, ou Jean-Claude Van Damme, que começou como Aluisio Li e terminou como Jean-Claude Van Damme, mas tem um ‘bucado’ que continua a vida todinha sendo Aluisio Li”.

Gomes contou sobre a riqueza do roteiro que transpassa por âmbitos diversos e entrelaça histórias e tecnologia. “Não é só um filme de luta inserido a comédia, coreografar luta é muito difícil, filme de luta é difícil, mas inserir esse elemento corporal à comédia também é algo complexo, e é um filme que também tem inserida a computação gráfica em várias cenas, computação gráfica pesada mesmo”.

Ele enfatiza as dificuldades da mudança climática do sertão: “esteticamente é um filme que teve grande desafio de produção, conseguir filmar no sertão completamente seco na beira do período de chuva, porque se chovesse naquela época, mudaria completamente a cara que tinha que ter, a paleta de cores, como o filme tinha sido projetado, então a gente tinha essa urgência que gerava certa aflição, e também, filmar externas no calor do sertão, é insano”. Ele conclui, “Mas é um filme tão abençoado que eu terminei e não passei uma hora sequer do período de filmagem, não estourei um centavo do orçamento, é um filme muito planejado, sabe”. O cineasta reforça a dedicação e o planejamento do filme que durou três anos para ser concluído, e que para ele, só nasce quando ganha espaço nos cinemas. “O filme nasce quando está nas telas”.

O longa-metragem tem investimento e coprodução da Globo Filmes, Paramount Pictures, Telecine, Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e contará com a distribuição nacional da Downtown Filmes e Paris Filmes, no dia 13 de outubro de 2016. No total, foram investidos e empregados no Ceará o valor de R$ 4 milhões, referente à produção, finalização e parte da comercialização, gerando mais de 1.000 empregos diretos - entre equipe, elenco, pós-produção e figuração - fortalecendo a cadeia produtiva no estado e levando ao mundo mais um história genuinamente cearense e universal.

Assista ao trailer do filme:

Veja a galeria de fotos dos sets de filmagem:

 

  • "Quando é algo que faz parte da sua memória, do seu coração, do seu sentimento, você vai falar com a verdade. É isso que eu queria fazer com o meu cinema"
espaço do leitor
Alex Chagas 05/09/2016 09:51
Mesma história não, um fala da televisão, o outro fala do vídeo cassete. Sabe ler não? Mas tenho certeza que vc vai pra estreia.
cidadão Z 05/09/2016 07:44
acabou a criatividade? a mesma historia.
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