exposição 11/06/2016 - 09h25

Raimundo Cela para o Brasil

Pintor cearense terá 120 obras expostas em museu de São Paulo, a partir deste fim de semana. Artista ficou conhecido pelas imagens icônicas de jangadeiros
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Amanda Araújo amandaaraujo@opovo.com.br
reprodução
"'A Virada (1943)", de Raimundo Cela

Um dos mais importantes artistas do Ceará, Raimundo Cela transpôs para as telas e papel tudo que estava ao seu redor. Exímio paisagista e pioneiro no ensino da gravura em metal no Brasil, ele eternizou a figura do nordestino ao representar pescadores, vaqueiros, jangadeiros e rendeiras.

As telas conhecidas por estamparem livros locais, corredores dos museus e prédios públicos da capital cearense ganham, a partir da tarde deste sábado, 11, projeção em uma individual no Museu de Arte Brasileira da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo.

A ideia é resgatar artistas ainda pouco conhecidos do grande público e, com 120 obras, a exposição será o maior apanhado do sobralense. São quadros do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC), Instituto Dragão do Mar, Palácio da Abolição, Palácio Iracema em Fortaleza, Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, além de coleções particulares.

''Cela é um ponto de partida obrigatório para quem quer compreender a produção artística do Ceará. Quando elege determinadas imagens de trabalhadores, como era o caso dos pescadores e vaqueiros, ele estava sintetizando o seu povo”, afirma o artista plástico e coordenador do projeto da Pinacoteca do Estado do Ceará, Carlos Macedo.

Apesar da quantidade de pinturas dos nordestinos em posição de trabalho, Cela foi um artista universal que transcendeu o Brasil ao ganhar um dos mais cobiçados prêmios do Salão Nacional de Belas Artes. “Com essa premiação, os artistas tinham a possibilidade de viajar para a Europa e lá permanecer por certo tempo", relata o editor e diretor da Pinakotheke, Max Perlingeiro, que estuda a obra de Cela há 40 anos.

Segundo Max, a ideia de que Cela foi um artista regional é limitada porque ele também pintou cenas do Rio, da Inglaterra e da França. As bordadeiras, vaqueiros e jangadeiros em suas formas mais destemidas na verdade compunham a maior parte de sua vida. "A arte dele não tem limites e vai sobreviver para todo e sempre. São pinturas de gêneros muito importantes. Aquele nordestino que sai para o mar e, se voltar, é uma sorte; a imagem da abolição dos escravos", lista o editor.

O diretor do Mauc e arquiteto Pedro Eymar avalia que a pintura de Cela é realista, mas ainda expressionista quando imagina cenas. “Ele viu o momento em que esse homem se jogou da jangada? Talvez não, mas ele imaginou todo o arremesso disso e, nesse ponto, trabalha com criação diferenciada”.

Cela não embarcou nas vanguardas da Semana de Arte de 1922, que sacudiram a cultura brasileira com a inauguração do Modernismo. “Ele não entrou nessas ondas libertadoras, mas tem um trabalho consistente, coerente e contínuo. Dominava as técnicas de desenho, plasticidade, aquarela e gravura. Quanto mais a gente conhece, mais admira por essa intensidade expressiva”, completa Eymar.

Exposição

A exposição em São Paulo tem a curadoria de Denise Mattar e marca a celebração de Cela 50 anos após a última individual no sudeste, realizada em 1956 no Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Com o projeto "Raimundo Cela: um mestre brasileiro", a fundação restaurou quatro obras do sobralense: "Rendeira (1931)”; “Cabeça de Vaqueiro (1931)”; “Cabeça de Jangadeiro (1933)”, do MAUC; e “Catequese”, do Instituto Dragão do Mar.

Carreira

Raimundo Cela nasceu em 1890, em Sobral, mas cresceu em Camocim, a 379 km de Fortaleza. No início do século XX, sai do Ceará para estudar Engenharia no Rio de Janeiro, onde também passa a frequentar aulas no Museu de Belas Artes.

Ele se forma em Engenharia cumprindo acordo com o pai, mas logo recebe o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Belas Artes, pela obra clássica “Último Diálogo de Sócrates" (1917). Na Europa, começa a estudar a gravura em metal com o inglês Frank Brangwyn, quando também faz telas da paisagem francesa e inglesa.

Depois de sofrer um AVC e quase perder a visão, retorna ao Ceará com problemas de saúde e se recolhe em Camocim, onde passa a trabalhar como engenheiro. Posteriormente, recebe a encomenda do Governo do Ceará para fazer um grande painel. O foyer do Theatro José de Alencar vira o ateliê para ''Abolição (1938)'', que narra a libertação dos escravos no Ceará, primeiro estado do Brasil a abolir a escravidão.

Em 1940, muda-se para Niterói e inicia o ensino da gravura em metal na Escola Nacional de Belas Artes. Realiza a primeira mostra individual em 1945, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio. Adir Botelho, um grande especialista em gravura, foi aluno de Cela.

O artista sobralense morre no Rio, em 1954, aos 64 anos. Após a morte, a mulher e os dois filhos, Dolores e Paulo, vão morar em Manaus com familiares. A atual vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, é sobrinha-neta do artista.

Em 2004, o artista plástico Estrigas lança o livro "Raimundo Cela: 1890-1954", pela editora Pinakotheke. As mais recentes exposições da obra de Cela em Fortaleza ocorreram em 1998, no Museu do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e no Espaço Cultural Unifor, em 2004.

 SERVIÇO

Exposição Raimundo Cela

Vernissage: 11 de junho, das 17h às 20h.

Visitação: de 12 de junho a 24 de julho.

Horário de funcionamento: 2ª, 4ª, 5ª e 6ª feiras, das 10h às 19h (última entrada às 18 h). Sábados, domingos e feriados das 10h às 18h (última entrada às 17 h). Fechado às terças-feiras, mesmo quando feriado.

Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP-SP (Rua Alagoas, 903 - Higienópolis)

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