ENTREVISTA 11/06/2016 - 17h00

Paixão e dor

A psicanalista Gina Khafif Levinzon, autora de um artigo sobre a relação conturbada dos pintores Frida Kahlo e Diego Rivera, fala sobre o modo como lidamos com as dores e prazeres nos relacionamentos modernos
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Jáder Santana jadersantana@opovo.com.br

A psicanalista Gina Khafif Levinzon foi fisgada pela ligação profunda que havia entre os pintores mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera. Chamava sua atenção que os dois tivessem decidido permanecer unidos mesmo que a relação fosse marcada por traições e ódio. 

Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), Gina conversou conosco sobre o fascínio exercido pelas figuras de Frida e Diego e sobre o modo como lidamos com sentimentos tão conflitantes em uma relação amorosa. 

O POVO: O que mais te chama atenção na história de amor de Frida e Diego?
Gina Levinzon: O que me chama a atenção na história de amor de Frida e Diego é a ligação profunda que havia entre os dois, a busca incessante de satisfação amorosa, e ao mesmo tempo um tipo de vínculo marcado por frustração, rejeição, ódio, traições e dor. Eles se amavam muito, mas também se aproximavam e se afastavam continuamente. Ambos poderiam ter ficado com outros parceiros, em relações mais equilibradas, mas preferiram continuar com o relacionamento marcado pela turbulência emocional.

OP: Por que, na sua opinião, eles permaneceram tanto tempo juntos? 
Gina: Isso ocorreu por várias razões. Provavelmente, cada um encontrava no outro partes inconscientes de si mesmo, com quem se identificava. Frida parecia viver com Diego uma experiência semelhante a que teve com sua mãe nos primórdios de sua vida. Esta última, deprimida, não pôde estar plenamente com a filha. Da mesma forma, Diego parecia estar sempre "escapando" de Frida, e ela mantinha a esperança inconsciente de que nesta relação seria diferente. O "repetir" tem a função de procurar mudar o que foi traumático. 

OP: Ligações amorosas que se mantêm apesar das grandes doses de frustração e sofrimento são constantes nas relações humanas? Somos atraídos pelo sofrimento nas relações ou se trata mais de expiar traumas do passado?
Gina: Nem todas as ligações amorosas se caracterizam por cargas grandes de sofrimento e frustração. Quando elas têm essas características e se mantêm assim tenazmente por longos períodos de tempo, podemos falar de "patologia do elo amoroso". Nesses casos, situações primitivas infantis, inconscientes, são o motor propulsor desse tipo de ligação. Quando somos atraídos pelo sofrimento de forma sistemática certamente há traumas antigos que estão em jogo, quase sempre sem que as pessoas tenham consciência disso.

OP: Por que a vida amorosa dos artistas e famosos nos chama tanta atenção?
Gina: A vida amorosa dos artistas nos chama a atenção porque nos identificamos com eles. Eles representam nosso lado mais livre, mais explorador. Os artistas poderiam ser comparados a vitrines onde nos vemos de alguma forma. Além disso, suas vidas, divulgadas pelos meios de comunicação, satisfazem nossa curiosidade sobre o que se passa por trás da porta do quarto de um casal.

OP: Há um limite entre o amor saudável e o doentio? Ou todo amor carrega uma dose de tragédia?
Gina: O limite entre o saudável e o doentio no tema do amor não é muito fácil de ser determinado exatamente. Afinal, a paixão é uma espécie de "doença momentânea", de loucura e às vezes há perda de momentânea de funções importantes do eu da pessoa. Não se pode falar de apenas um tipo de amor. Cada casal tem a sua forma de amar. O sofrimento que pode estar contido nesse romance vai variar de caso para caso. Por outro lado podemos ver que o amor está presente em casais mais amadurecidos ou não.

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