Bacalaureat e Forushand 20/05/2016 - 22h19

O POVO em Cannes: família e casamento em foco no festival

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AFP
Equipe do filme Bacalaureat

No romeno Bacalaureat (de Cristian Mungiu) e no iraniano Forushand (de Asghar Farhadi), exibidos nos últimos dias 19 e 20 na competição principal, a corrosão do casamento e do núcleo familiar são temas centrais e servem de metáfora para entender um pouco sobre as culturas romena e iraniana.

Cristian Mungiu já ganhou a Palma de Ouro em 2007 pelo seu 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, além de ter sido premiado nas categorias de melhor atriz e roteiro por Além das Montanhas, seu último longa-metragem exibido no festival em 2012. Em Bacalaureat (“bacharelado” em tradução ao português), o cineasta romeno trabalha com as tensões familiares para elaborar um fascinante estudo de personagens e traçar um retrato clínico da Romênia.


Após sofrer uma tentativa de estupro, a jovem Eliza vê seu futuro acadêmico e a relação com os pais postos em xeque, pois na véspera do exame nacional que marca o fim do ensino médio e ingresso no ensino superior, ela tem dificuldades para escrever devido ao braço machucado pelo agressor, mas principalmente pelo sofrimento descomunal imputado por um evento tão traumático. O drama, filmado com o mesmo realismo quase documental típico do novo cinema romeno inaugurado pela geração de Mungiu, não se centra apenas na filha, contudo, e sim no pai e sua tentativa de lidar com os acidentes de percurso e seus terríveis efeitos colaterais.

O desejo de emigrar, garantir um futuro melhor longe da Romênia, marca o embate entre pai e filha, e é através desse confronto sinuoso que o filme adentra numa complexa discussão moral sobre o os limites do que é certo e errado. O olhar complexo que Mungiu lança aos seus personagens, no entanto, não nos permite tomar nenhum posicionamento de assalto.

Forushand

Vencedor do Oscar por A Separação, o iraniano Asghar Farhadi volta à competição de Cannes depois de O Passado, vencedor da palma de ouro de melhor atriz em 2013, com seu novo Forushand. O filme testemunha a erosão da relação de um casal de atores após terem se mudado para um novo apartamento, quando Rana é subitamente atacada por um desconhecido no próprio banheiro, gerando um forte sentimento de impotência e acendendo novas agruras no seu casamento com Emad.

Aplaudidíssimo na sessão de imprensa, eu infelizmente não compartilho do entusiasmo de vários colegas em relação ao filme, pois tenho o encarado como uma mera repetição da fórmula encontrada pelo iraniano em contar história de epitáfios maritais, embalada por atuações over que conferem uma gravidade extrema à história que, baixo astral que é, não mede esforços ao minguar o ser humano ao nível mais repugnante e vingativo. Repleto de jogos que comparam a vida real à ficção, ao filmar a peça de teatro estrelada pelos protagonistas, o filme tem também no seu cerne narrativo a problematização dos valores conservadores no Irã. Uma pena que a premissa excelente acabe virando uma espécie de “sadxploitation”.

Pedro Azevedo é crítico de cinema, programador do Cinema do Dragão - Fundação Joaquim Nabuco e está em Cannes para O POVO

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