cinema 19/05/2016 - 16h47

O POVO em Cannes: vaias para Assayas, irmãos Dardenne e Xavier Dolan

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AFP / Valery HACHE
O diretor Oliver Assayas e a atriz Kristen Stewart

Personal Shopper (de Oliver Assayas), La Fille Inconnue (de Luc e Jean-Pierre Dardenne) e Juste la fin du monde (de Xavier Dolan) dividiram a crítica internacional e foram vaiados por parte da plateia nas sessões de imprensa nos últimos dias 16 e 18 de maio.

A vaia faz parte da experiência de Cannes, e mesmo sendo a minha segunda vez no festival, foi apenas na exibição de Personal Shopper que presenciei a primeira calorosa e sonora vaia no término de uma sessão. O curioso é que o mesmo aconteceu com outros dois filmes da competição principal que vi em seguida. Mais curioso ainda é que todos os três realizadores estão reprisando participação na seleção oficial depois de terem apresentado seus trabalhos anteriores em 2014.

Segunda parceria de Oliver Assayas com Kristen Stewart depois de Acima das Nuvens, filme exibido há dois anos também na seleção oficial, Personal Shopper conta a história de Maureen (Stewart), assistente pessoal de uma modelo famosa e encarregada de comprar seus vestidos, sapatos e joias. À procura de sinais da existência de vida após a morte, tentando contatar o espírito do seu falecido irmão gêmeo, ela passa a ser perseguida por uma espécie de entidade maligna.


Esse é, de forma mais ou menos precisa, o resumo do enredo do filme. Assayas transita entre o drama e o horror em Personal Shopper, emulando alguns maneirismos dos filmes de casa assombrada e suspense que remetem instantaneamente a Brian de Palma, mas se perde numa narrativa totalmente difusa e sem foco, com alguns momentos constrangedores e verdadeiramente dignos de riso. Para fazer justiça com o longa, no entanto, a direção elegante do francês nos momentos em que o filme flerta com o cinema de horror acaba prendendo a atenção do espectador que, incrédulo com os rumos totalmente inesperados e randómicos que a história toma, não se sente entediado em momento algum.

Depois do mediano Dois dias, uma noite, os irmãos Dardenne voltam a Cannes com seu novo La Fille Inconnue, drama que, a exemplo de seu último filme, toca em questões referentes à compaixão, empatia e culpa humana. Na trama, a jovem médica Jenny Davin tem que lidar com o fato de que após não ter atendido a campainha do seu consultório para uma suposta paciente em certa noite, acabou contribuindo de forma indireta na sua morte, já que a moça que batia desesperadamente à sua porta buscava abrigo e acabou sendo assassinada logo em seguida.

Sentindo-se extremamente culpada, Jenny trabalha à parte da polícia com intuito de descobrir o nome da tal “garota desconhecida” (tradução do título original em francês), que tendo sido encontrada sem documentos ou registros, é enterrada como indigente. O roteiro é modulado através dos encontros da protagonista com pessoas potencialmente envolvidas no crime, marcado pelo discurso da culpa e sofrimento. É um filme bastante “dardenniano”, nada a mais ou a menos do que já se espera dos diretores belgas. Francamente não entendi as vaias.

Não sou fã do trabalho de Xavier Dolan. Quando assisti Mommy em 2014 no mesmo festival de Cannes, até enxerguei qualidades que vejo em toda a sua jovem e já prolífica obra (como a utilização da música), mesmo não tendo apreciado o filme; mas as trucagens e estilização excessivas que já incomodavam em Mommy estão ainda mais insuportáveis no seu mais recente Juste la fin du monde.

Na trama, Louis é um escritor que volta à casa da mãe para visitar a família após uma longa e silenciosa ausência de 12 anos, a fim de anunciar que está doente e tem pouco tempo de vida. A visita, no entanto, não tem o efeito esperado e acaba trazendo a tona questões antigas que desestruturam a todos e trazem grande estrago emocional. Quase todo filmado em primeiros planos (câmera fechada nos rostos dos atores), o filme se centra nos diálogos dos personagens centrais, figuras extremamente chatas e histéricas que gritam e choram o tempo todo. A música (eletrônica, indie e pop) também irrompe de forma constante na narrativa, mas aqui o seu uso é péssimo e em nada ajuda na condução da história, apenas aumenta os decibéis das caixas de som do cinema numa tentativa desesperada de levantar o astral e imprimir uma falsa sensação de catarse. Em Juste la fin du monde o grande protagonista é Xavier Dolan, cineasta que consegue ser mais irritante do que os personagens que cria.

Pedro Azevedo é crítico de cinema, programador do Cinema do Dragão - Fundação Joaquim Nabuco e está em Cannes para O POVO

espaço do leitor
Luc 24/05/2016 00:29
Tão ruim que levou o prêmio
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